Conheça o projeto Arte Ataque Oficina que promove a transformação social no Haiti através da criatividade - MISTURA URBANA

Conheça o projeto Arte Ataque Oficina que promove a transformação social no Haiti através da criatividade

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Conheci um projeto muito lindo um dia desses encabeçado pelo artista Ricardo Martins Machado, o Ricardo Tatoo, que é O Arte Ataque Oficina, um projeto social que ajuda crianças e pessoas de comunidades menos favorecidas através da arte.

A ação já acontece no Brasil desde 2008, já passou por 7 estados brasileiros, sendo mais de 100 cidades e de 3 mil participantes. No ano passado, o projeto chegou no Haiti, local que necessita de apoio junto à comunidade para provocar mudanças com relação à higiene, tais como os princípios básicos como lixo no lixo, de lavar as mãos antes das refeições e após usar o banheiro e muito mais. Além disso, as atividades diversas contribuem para mudanças na auto-estima e reconhecimento da felicidade.

Ricardo vem trabalhando por lá, para ajudar a reformar orfanatos e ajudar a comunidade. Com a campanha de financiamento coletivo no ar, quer com a ajuda financeira levar um pouco mais de alegria e cor à tantos jovens que por vivem por lá. Junto com seu talento e criatividade artística, Ricardo utiliza a arte como ferramenta de transformação social. Tudo o que aprendeu na rua desde quando começou a grafitar compartilha com a comunidade, fazendo com que a arte provoque a mudança e transforme a vida das pessoas.

Confira o nosso bate papo.

– Há quanto tempo você trabalha como artista plástico e como surgiu a ideia do projeto?

Sou artista urbano. Comecei a grafitar nas ruas de São Paulo em 1987 junto da primeira e segunda geração de grafiteiros do Brasil. Era um garoto da terceira geração de artistas urbanos, na época todos juntos somávamos menos de 30 no Brasil inteiro.
Faço trabalhos sociais desde 1993 em ações realizadas em diversas frentes: Sopas na rua, assistência em entidades de apoio à portadores de deficiências mentais, crianças soropositivas devido às mães serem usuárias de crack, alcoólicos anônimos, crianças com câncer…entre outros. Com o tempo percebi que apenas ajudar num esquema de filantropia não me satisfazia e não achava que de fato estava fazendo a diferença e, em 2008, comecei o meu projeto Arte Ataque Oficina oferecendo a arte como instrumento de transformação social, individual e no resgate da auto estima usando a imagem e mensagem para estimular princípios de higiene, reconhecimento da felicidade, uso de camisinha, saber falar não em situações delicadas, e o conhecimento que o padrão de beleza imposto não é de fato uma regra. Todos temos nossa beleza.

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– Que tipos de atividades você pretende desenvolver com as crianças enquanto estiver por lá?

São atividades arte educativas , onde uso as técnicas de arte urbana e graffiti stencil para fortalecer o espírito de família entre as crianças, já que são órfãs e se reconhecem como irmãos, o respeito , a busca do conhecimento, seja lá qual deseje, o fazer com o coração, princípios de higiene e cidadania.
São oficinas de estamparia em camisetas, doadas pela Bas Camiseta, usando molde stencil, pintura coletiva das paredes da instituição, usando as cores para alegrar ambientes inevitavelmente tristes, onde as crianças participam, gerando assim apreço e cuidados com o espaço que vivem.
As artes grafitadas retratam cenas do cotidiano deles e mensagens construtivas tais como lixo no lixo, lavar as mãos após o xixi cocô, tomas banho, cuidado com os mais novos…e assim fica o legado e o aprendizado que fica nas paredes os maiores passam para os menores, que vão crescendo e repassam aos mais novos, e assim vai.
As atividades são: Oficina de estampa em camisetas com moldes stencil, oficina de carrinhos com garrafas PET, organização de equipes feita com as crianças dos orfanatos para pintar e ilustrar as paredes das instituições, mutirão para limpeza e reforma de dois orfanatos, distribuição de um gibi-cartilha onde três crianças haitianas que criei contam pequenas histórias sobre higiene e amizade, gerando uma contação de história e bate papo e aula coletiva sobre como usar e cuidar dos filtros que transforma água insalubre em água potável – doação da agência de volunturismo Passion & Pourpose Experiencie.

– Pela sua experiência no ano passado, em que condições vivem as crianças por lá? O que te chamou mais atenção?

O que impressiona é o ambiente inevitavelmente triste, um choro contínuo no ar, provavelmente de uma saudade que não tem volta.
A falta de água e energia elétrica no país inteiro, a aparência triste das dependências onde as crianças vivem (onde se encaixa a cor das tintas para amenizar significativamente) e a falta de comida são detalhes que na hora que se está com eles não afeta muito talvez pela experiência impactante de vivenciar esta história, mas depois a “ficha” cai, o quebra-cabeça vai se encaixando e as reflexões desmascaram toda a história. Por isso retorno agora para concluir este trabalho.
O que encanta para compensar esta situação é a alegria das crianças. Elas tem um carinho, uma sede de viver tão grande que toda tristeza do ambiente se anula. São muito amorosas, presentes e muito inteligentes.
Mas sempre tem aquele som de um um choro triste e infindável no ar. É uma realidade.

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– Você enxerga a arte como mecanismo de transformação social? Queria que você falasse um pouco sobre isso.

Pensa num hospital caindo aos pedaços. Pensa numa cidade cinza. Pensa num parque abandonando. O ambiente triste assola a auto estima do cidadão. Locais tristes, sem cor refletem diretamente na felicidade das pessoas, causando depressão para pessoas de qualquer idade.
Associar cor, imagem e mensagem, valorizando a cultura local, sua história e seu povo é uma receita verdadeiramente de sucesso. É aplicar o amor e o fazer com o coração para resgatar a coragem de seguir firme pela beleza das cores.
Nesta receita é possível colorir e educar. Valorizar e dar voz ao indivíduo com pequenas mensagens positivas.

– Você tem ideia de quantas pessoas serão beneficiadas direta ou indiretamente pelo projeto?

São 20 dias de missão com ações em 3 orfanatos e uma escola para crianças carentes. Esta escola é dirigida por brasileiros: as Irmãs do Sagrado Coração de Jesus e Freis Franciscanos.
Ao todo são cerca de 150 crianças ligadas diretamente às ações.

– Ano passado você viajou por conta não foi? Tinha alguma patrocínio, recebeu alguma ajuda?

No ano passado fui a convite da organização Criativos Pelo Haiti. Fiquei 15 dias com este grupo e seus voluntários e depois segui só por mais 15 dias.
Para desenvolver a metodologia do Arte Ataque Oficina no Haiti, que foi o carro chefe da missão tanto com a ONG como solo, criei um financiamento coletivo que arrecadou R$10.000,00, e investi do bolso mais R$ 10.000,00.
Impressionante como é difícil encontrar o canal para apoio de empresas (não consegui nenhuma ajuda de empresas) e como a ajuda de pessoas comuns como nós, grande parte de amigos que conhecem e acreditam na ação, que proporcionou a realização deste projeto no Haiti. No Brasil faço estas ações desde 2008 e já rodei 7 estados, centenas de cidades e cerca de quase 4 mil participantes.

E você também pode colaborar com a campanha. Faltam apenas 3 dias para o financiamento coletivo terminar. Veja como aqui.

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.