Série Búzios de Panmela Castro na Galeria Paçoca no RJ

Série Búzios de Panmela Castro na Galeria Paçoca no RJ

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A Rosa, é a rosa, é a Rosa, é a rosa….

“…O poeta baixa a cabeça.
– É aqui que a rosa respira…
Geme o vento. Morre a rosa.
E um passarinho que ouvira

Quietinho toda a disputa
Tira do galho uma reta
E ainda faz um cocozinho
Na cabeça do poeta.”

fragmento de O POETA E A ROSA de Vinicius de Moraes, 1962

A partir do dia 27 de setembro, a Galeria Paçoca no Rio de Janeiro abre as portas para receber a série “Búzios” da artista urbana Panmela Castro. Na série “body cutting” de Panmela Castro, o vermelho sangue é quem predomina: o vermelho da carne viva, talhada, de cortes rituais que falam de uma dor maior e interna; de uma dor que a da carne ferida não supera. São muitas as dores nas histórias de Anarkia. E as mais profundas são aquelas ligadas à sexualidade, ao gênero, ao amor e à violência contra as mulheres.

Panmela chegou a Búzios em novembro de 2015, depois de decidir passar, por aqui, uma temporada de residência artística e se propôs a estabelecer limites para a “fuga geográfica” de suas dores recentes. Panmela estava sozinha e acabara de fazer uma performance no Rio onde, mais uma vez, cortou uma parte de seu corpo. Uma parte, contudo, indolor à sensação do corte, ainda que a dor fosse mais profunda. Era um corte no espelho da alma feminina: em seus cabelos.

Castro chegou à cidade com os cabelos curtos e se alojou em uma casa em frente à praia de Manguinhos e, ali, resolveu encarar o trabalho longe dos muros; longe das ruas – ainda que tenha enfrentado diversos paredões por aqui – e pintou sobre telas.

Nelas, a grafiteira se encontrava protegida das dores, o suporte branco intocado solicita outras ações, outros gestos, mais limitados e internalizados. Nelas, o corpo não age pleno – por conta do formato reduzido do suporte – em sua dimensão mais ampla de gestos. A expressão fica limitada aos movimentos da mão; do punho. Seu corpo se colocou cômodo, sentado, tranquilo em frente ao cavalete.

Panmela está mais serena, dorme e acorda ouvindo o mar; está sempre cercada pelos amigos, pela família. Panmela está feliz! Dispensa o esforço físico constante e as dietas rígidas. Ela quer a vida comum em Búzios.

As cores de seus trabalhos migraram do vermelho sangue; do cinza para os tons pastéis e dóceis, fluorescentes e vivos. A vida e a cor dos cabelos da artista estão cor de rosa – um tom de ciclete tutti frutti. As unhas também são rosa, a boca é rosa. O mundo é rosa.

Nas telas desse período, que vemos agora e aqui expostas, as mulheres estão com os cabelos soltos e flutuam num espaço fluido e etéreo; tranquilo. Elementos da flora e fauna locais aparecem. O orvalho, o vento e um pé, que pisa suave no espaço da tela, como que a tocar a frágil espuma que beija a areia da praia.

Texto por: Armando Mattos
Búzios, agosto 2016

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.