11º Festival de Cinema Latino-Americano de SP

11º Festival de Cinema Latino-Americano de SP

Rocío (Gloria López). Photographer: A.Bojorquez
Rocío (Gloria López). Photographer: A.Bojorquez

Com a cineasta paulista Anna Muylaert sendo a grande homenageada do ano, a décima primeira edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que acontece no período de 20 a 27 de julho, apresenta uma programação que celebra a crescente presença feminina na atual cinematografia da região.

São 118 filmes em exibição, dos quais 53 (ou 45%) são dirigidos por cineastas mulheres. Dos debatedores escalados para as mesas de discussão, 66% são do sexo feminino. Uma mostra especial focaliza as divas da Época de Ouro do cinema mexicano e uma seleção apresenta as novas cineastas daquele país (que em 2015 viu um ¼ de sua produção de longas-metragens assinados por diretoras).

Dividida nas seções Contemporâneos, Homenagem Anna Muylaert, Divas, Cine Negro, Mulheres Atrás das Câmeras, Mostra Escolas de Cinema Ciba-Cilect, DocTV Latinoamérica 10 Anos e Encontros e Debates, as atividades acontecem no Memorial da América Latina (tenda de projeções e espaço PETROBRAS de encontros), Cinesesc, Centro Cultural Banco do Brasil, Circuito Spcine Lima Barreto (Centro Cultural São Paulo), Circuito Spcine Olido, Circuito Spcine Caminho do Mar, Circuito Spcine Meninos, Circuito Spcine Perus e Centro de Pesquisa e Formação – Sesc São Paulo.

Várias pré-estreias de novos longas-metragens brasileiros estão programadas. Entre elas, “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert, atração na sessão oficial de abertura do evento – agendada para 20/07, no Memorial da América Latina. No dia seguinte, 21/07, acontece um encontro da cineasta com o público, com participação da cartunista Laerte.

Estão na programação um total de 23 títulos dirigidos e/ou roteirizados por Anna Muylaert. São longas-metragens (“Durval Discos”, “É Proibido Fumar”, “Que Horas Ela Volta?”), telefilmes (“Para Aceitá-la Continue na Linha”, “E Além de Tudo Me Deixou Mudo o Violão”) e séries televisivas (“Mundo da Lua”, “Castelo Rá-Tim-Bum”, “As Canalhas”), além de curtas-metragens, videoclipe e vídeos autorais de rara circulação. A realizadora apresenta em público pela primeira vez um dos chamados demo filmes que utiliza como preparação para seus longas-metragens ou “rascunhos filmados e editados”. A exibição de “Que Horas Ela Volta? – Demo Filme” é comentada pela própria diretora.

Outros títulos brasileiros em lançamento incluem “Estopô Balaio”, de Cristiano Burlan, sobre o trabalho do coletivo homônimo na periferia leste paulistana; “Linha de Fuga”, de Alexandre Stockler, estrelado por Gustavo Machado, Maria Manoela e Martha Nowill; e “Eu Te Levo”, de Marcelo Müller, com Anderson Di Rizzi, Giovanni Gallo e Rosi Campos à frente do elenco. Inéditos em São Paulo, três outros longas completam a seleção contemporânea: “Planeta Escarlate”, de Dellani Lima, com atuação e codireção do músico cult Jonnata Doll; “Por Trás do Céu” de Caio Soh, estrelado por Nathalia Dill, Emílio Orciollo e Paula Burlamaqui; e “Clarice ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois”, do diretor cearense Petrus Cariry.

Dos títulos internacionais da seção Contemporâneos, três são argentinos: “Forasteiro”, de Lucía Ferreyra, exibido com repercussão no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires; “A Geada Negra”, de Maximiliano Schonfeld, lançado na seção Panorama do Festival de Berlim; e “Paula”, estreia no longa-metragem do premiado curta-metragista Eugenio Canevari.

A representação mexicana tem como destaque obras do diretor David Pablos, que tem presença confirmada no festival. Ela acompanha as projeções de “As Escolhidas”, exibido no Festival de Cannes, e de “Uma Fronteira, Todas as Fronteiras”, documentário que integra a mostra DocTV Lartinoamérica 10 Anos. Também vindo do México, “Yo”, de Matías Meyer, esteve em Roterdã, entre outros festivais. Seu ator principal, Raúl Silva, premiado no Festival de Morélia, acompanha as exibições do filme em São Paulo.

Exibido nos festivais de Sundance e Berlim, o chileno “Aqui Não Aconteceu Nada” é inédito no Brasil e é acompanhado da presença em São Paulo de seu diretor Alejandro Fernández Almendras, que teve seu longa anterior, “Matar A Um Homem”, exibido na edição de 2014 do festival. Nova sensação do cinema paraguaio, “A Última Terra”, de Pablo Lamar, foi selecionado – e premiado – no Festival de Roterdã.

Em “O Mundo de Carolina”, a diretora uruguaia Mariana Viñoles discute o filme que fará com sua protagonista, que é portadora de síndrome de Down. O filme é inédito no Brasil e a realizadora, cujo “Os Uruguaios” abriu o festival em 2008, acompanha as projeções em São Paulo, além de participar do debate “Mulheres Atrás das Câmeras”. Já o guatemalteco “A Maior Casa do Mundo”, da dupla Ana V. Bojórquez e Lucía Carreras, colheu elogios em suas projeções nos festivais de Berlim, Biarritz e Huelva.

Duas retrospectivas são dedicadas ao período conhecido como a Época de Ouro do cinema mexicano, ocorrida a partir da década de 1940. A programação contempla obras estreladas pelas chamadas divas (María Félix, Ninón Sevilla, Marga Lopez, Stella Inda e Dolores Del Rio) e uma seleção de filmes noir, como “Na Palma de Tua Mão”, “Irmãs Malditas”, “Outro Amanhecer” e “A Riqueza do Diabo”.

Reunindo produções realizadas em 2014 e 2015, a mostra Mulheres Atrás das Câmeras apresenta a nova geração feminina de cineastas mexicanas, composta por nomes como Alejandra Márquez Abella, Alicia Calderón, Betzabé García, Itziar Leemans, Katina Medina Mora e Teresa Camou.

Uma mostra especial celebra os dez anos do projeto DocTV Latinoamerica, que produz documentários exibidos em emissoras públicas de televisão. Estão presentes 20 títulos realizados no período, com destaque para os brasileiros “Jesus no Mundo Maravilha”, de Newton Cannito, “Laura”, de Fellipe Gamarano Barbosa, e “Horizontes Mínimos”, de Marcos Pimentel. Outros países representados são Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala, México, Panamá, Uruguai e Venezuela.

O 11º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo apresenta ainda a Mostra de Escolas de Cinema Ciba-Cilect, com curtas e médias-metragens de graduação das mais importantes instituições do gênero. Competem nesta seção produções de 13 cursos superiores de audiovisuais, representando sete países.

O cardápio do festival se completa com encontros e debates. As mesas têm por tema a idade de ouro do cinema mexicano, coprodução internacional, o espaço para o cinema alternativo e as mulheres atrás das câmeras. Também está agendada uma edição especial do projeto Cinema da Vela, com convidados latino-americanos, uma sessão acessível e um programa infantil.

A curadoria do 11º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é assinada por João Batista de Andrade, Jurandir Müller e Francisco Cesar Filho, sendo estes dois últimos também diretores do evento. Uma realização do Memorial da América Latina, da Secretaria de Estado da Cultura, e da Associação do Audiovisual, o festival é uma iniciativa do Ministério da Cultura / Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com patrocínio da Petrobras, correalização da Spcine e do Sesc São Paulo, e apoio cultural do Centro Cultural Banco do Brasil.

Mais informações aqui.

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Natt Naville

Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.