Projeto muda a vida de pessoas em Vila de pescadores no Rio Grande do Norte - MISTURA URBANA

Projeto muda a vida de pessoas em Vila de pescadores no Rio Grande do Norte

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A Rua do Currupio foi a primeira rua da Vila de Ponta Negra no Rio Grande do Norte. E ganhou esse nome por conta de um currupio (cata-vento) que ficava fixado para sinalizar a cacimba de água que abastecia a vila. É um local de resistência, que mantém viva a cultura da região e sustenta a identidade de seus moradores mais antigos: os pescadores e as rendeiras. Por lá, ainda encontramos muitas casinhas originais e seus habitantes resistindo a tudo e a todos, os pescadores, tecendo suas redes e suas esposas, seus bilros (instrumento das rendeiras). Eles resistem ao abandono econômico, à segregação social e, principalmente, à violência que cresce e ronda a região como abutre.

Mas eis que entre os confrontos da região, surgem As Cores da Vila. O projeto, de simples metodologia, que teve origem em 2015 e vem conquistando seu espaço muro a muro. As crianças da vila são desafiadas a criar desenhos de acordo com os temas de seu cotidiano: mar, peixes, pescadores, rendeiras… Essas ilustrações são reproduzidas nos muros e paredes. Alguns aproveitam para homenagear antigos moradores que já morreram, para valorizar o comércio da família, como fizeram Tayonara e Tayane que, no muro da casa de sua avó Diná, desenharam ela e a família. A frase “Din Din de Dinda, o melhor da vila” complementa a pintura. Já a Mercearia da Neide trocou as frias letras comerciais pela caligrafia cursiva cheia de flores de renda em homenagem à sua mãe, rendeira da rua. Nos muros de seu Chico e de Barbirinho, ambos pescadores, foram coloridos peixes e Dona Ana, que ainda mantém o ofício de lavadeira, já encomendou seu muro com um alegre varal. Quem está providenciando o trabalho é Neta, a professora de reforço, trabalhando em conjunto com as crianças.

É em meio a estas e tantas outras histórias que o projeto se desenvolve, resgatando a cumplicidade humilde dos moradores de forma espontânea. Não vamos encontrar um coordenador, nem uma instituição promovendo esta ação. Existe apenas uma facilitadora que prefere manter-se em anonimato para manter o brilho e o foco da arte a quem é de direito: as crianças.

As Cores da Vila surgiram pela necessidade dos habitantes de recuperar a auto-estima e a valorização de seu bem mais precioso que é seu território, sua propriedade, sua casa e lar. São crianças e adolescentes que através de pincéis e sprays de graffiti transformam as fachadas de suas casas em painéis inspiradores, cheios de identidade. O projeto pretende valorizar o potencial criativo da comunidade sem questionar os fundamentos da “arte”. A missão é colorir, florir, sorrir, resistir e evoluir.

As cores da Vila não param, querem colorir o mundo. O projeto participa em conjunto com o território criativo (SEBRAE e IAHD) de outra iniciativa de resgate com moradores da Vila, produzindo garrafas ilustradas com mensagens que são expostas em janelas coloridas para que as pessoas levem para suas casas, sempre com uma mensagem de conscientização ambiental e motivacional.

“A proposta visa elevar a autoestima das crianças que participam do projeto”, diz uma moradora que prefere não ser identificada. Com o apoio de parceiros, ela dá suporte técnico e orienta a criançada, além de contribuir com o material necessário para elas desenvolverem suas habilidades.

O projeto foi selecionado para participar da coletiva em celebração ao Dia Mundial do Grafite, comemorado em 27 de Março na Capitania das artes em Natal.

O projeto visa ainda buscar soluções simples que possam amenizar as desigualdades sociais da Rua do Currupio na Vila de Ponta Negra, em Natal – Rio Grande do Norte. A abrangência da ação tem como foco a inclusão da arte como ferramenta para minimizar a imagem negativa que vem sendo associada à Vila de Ponta, provocando uma reflexão através de ações artísticas e culturais que trate da identidade do bairro e fortalecendo, de forma lúdica, uma consciência para a crítica, o espírito de cidadania e a preservação do ambiente e da comunidade.

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Natt Naville

Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.