Mostra de Street Art no Museu do Ingá em Niterói RJ - MISTURA URBANA

Mostra de Street Art no Museu do Ingá em Niterói RJ

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No dia 14 de abril, quinta-feira, às 18h, o artista Luiz Carlos de Carvalho vai abrir a exposição “Luiz Le Barba – à Gauche”, com curadoria de Marcia Müller, no Museu do Ingá, em Niterói. Trata-se de uma exposição diferente e instigante, que leva a arte da rua para dentro do museu. Uma mostra de Street Art. Além de um conjunto de obras de graffitis sobre papel, a mostra contará com pinturas sobre tela, sketchbooks (livros, onde são demonstrados os exercícios mais “caligráficos” das “escritas”; anotações que seguem basicamente ritmo da escrita ocidental e outras formas mais livres de gestual).

Luiz Carlos usa o codinome Le Barba (o Barba), daí o nome que escolheu para a mostra. A extensão à gauche quer dizer à esquerda. O artista, como ele mesmo se define, sempre foi um rebelde. “Isto é de minha natureza e da formação artística, um beatnik que viveu a cultura underground e engajado na luta pela liberdade e resistência ao poder opressor e repressor. Mas não trago no discurso da minha arte nenhum pensamento pessimista, e sim, a utopia de desejar um mundo novo, um mundo melhor e democrático”, explica ele, que é também Diretor do Centro Cultural Paschoal Carlos Magno (no Campo de São Bento), vinculado á Fundação de Arte de Niterói.

O primeiro contato com a arte veio por influência do seu pai, que era calígrafo e cartógrafo. Luiz Carlos resolveu utilizar a técnica de cartografia e o uso da régua, dos esquadros e do compasso, que aprendeu com o seu pai. Trabalhar a escrita é também uma forma de desenhar a letra. Começou, então, a desenhar. E desenhou tanto e tão bem que participou, em 1973, da XII BIENAL DE SÃO PAULO. “Eu tenho o papel como principal suporte, a pele da arte: como foram o papiro e o pergaminho no passado. Seguindo, passo para a prática de pintura, aí tenho as telas, lonas, madeiras, novamente o papel; e as paredes e muros da cidade. Como também trabalho com pintura corporal, a pele do corpo humano é suporte para a minha expressão artística; assim como as paredes, muros e portões são pele do corpo urbano”, afirma Luiz – Le Barba.

A paixão pelo graffiti veio há três anos, aos 60 de idade. Influência do jovem amigo Davi Balthar (Máfia 44), também graffiteiro e que enxergou no Luiz a vocação e a atitude para Sreet Art. É de Davi, aliás, um dos textos de parede da mostra. Outros amigos e parceiros também o ajudaram e incentivaram nesta empreitada. Mas não foi uma trajetória simples. Para isso, Luiz Carlos pesquisou muito para desenvolver suas próprias técnicas e linguagens. “Com o graffiti quero imprimir em uma superfície branca minha expressão, o meu discurso. Vejo na arte urbana um seguimento do pensamento da arte pública – que é inerente à arte contemporânea -, e que me provocou o retorno à pintura. O retorno ao trabalho de atelier veio pela pesquisa. Não somente a parte teórica como também a prática, que teve nos desenhos, rabiscos, riscos, garatujas de crianças, uma referência à pintura expressionista abstrata, e ao grupo CoBrA e, também, as leituras de autores indicados nos cursos que frequentei na pós-graduação da UFF”, diz.

A liberdade de dizer o que sente. A liberdade da rua, característica do graffiti. Foi essa liberdade que atraiu Luiz Carlos. O público vai poder ver na exposição trabalhos que contam uma história. Os pequenos cadernos ou livretos, por exemplo, contam uma história que remete ao passado do artista, a relação dele com o pai. Os graffitis contam a história de uma nova etapa artística que ele desenvolveu. Nas suas telas ou nos muros, por exemplo, além das letras e mensagens, as cores e objetos desenhados juntamente com as letras imprimem um sentimento próprio de Luiz, mas que podem representar outra coisa, de acordo com o olhar do público.

É isso! Uma exposição que se comunica com o mundo. Uma mostra de Street Art que apresenta toda a irreverência e a liberdade poética de Luiz Carlos, que utiliza a rua como suporte, como um outdoor sem custos, onde aprende e ensina. Em “Luiz Le Barba, à Gauche”, ele leva a rua para o Museu do Ingá. “A Street Art e o graffiti são os caminhos que percorro para trabalhar o conceito e a prática do meu fazer artístico atual. Muito de referências e citações da cultura urbana / arte urbana nacional e internacional estão presentes em minha arte, nas minhas obras”, diz Luiz Carlos – o Le Barba.
Em junho/julho, Le Barba estará participando do intercâmbio Paris/Niterói de Street Art, como artista e curador. A primeira exposição reunirá artistas do Brasil e da França e será realizada na Galeria da Associação de Artistas de Belleville, Paris. E em novembro, o mesmo grupo de artistas estará presente no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno em exposição na Sala Hilda Campofiorito, Niterói.

Mais do artista aqui.

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Serviço

Exposição “Luiz Le Barba – à Gauche”, curadoria de Marcia Müller
Abertura: 14 de abril, às 18h até 15 de maio de 2016
Museu do Ingá – Niterói
Endereço: Rua Presidente Pedreira, 78 – Ingá, Niterói – RJ, 24210-470
Informações: (21) 2717-2919
Visitação: de terça a sexta, das 12h às 17; e sábados e domingos, das 13h às 17h
Entrada gratuita
Assessora de Imprensa: Bárbara Chataignier (21) 99739-1243
Para saber mais aqui.

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Natt Naville

Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.