Moradores da favela do Alto Vidigal no RJ transformam depósito de lixo em parque ecológico - MISTURA URBANA

Moradores da favela do Alto Vidigal no RJ transformam depósito de lixo em parque ecológico

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Transformar um depósito de lixo em um parque ecológico parece um sonho não é? Mas não, é a mais linda realidade, ideia sensacional de um projeto comunitário que começou em 2010 e tomou forma ao excluir 25 anos de detritos jogados ao ar livre no alto do morro do Vidigal no Rio de Janeiro. Assim, depois de toneladas de lixo e anos depois, a área foi totalmente limpa e ali um novo lugar nasceu: O Parque Ecológico Sitiê, um espaço que hoje é voltado à toda a comunidade, e virou um espaço de lazer, onde há horta com legumes, verduras, temperos e frutas que são doados às pessoas que ali vivem.

A ideia de tornar um depósito de lixo num parque ecológico surgiu de dois moradores do Morro do Vidigal (Rio de Janeiro). Primeiro, com Mauro Quintanilha, residente nascido e criado no Vidigal, ficou gradualmente frustrado e preocupado sobre sua saúde e a da comunidade. Em 2006, ao invés de ir embora, Mauro decidiu começar a limpar a área com a ajuda de Paulo Cesar de Almeida.

Com o apoio de outros moradores, eles removeram o lixo durante um período de seis anos, descobrindo no processo que a maneira mais efetiva de recuperar a terra e prevenir novas invasões era plantar. Eles começaram um processo de reflorestamento, incluindo mudas advindas do Jardim botânico, e começaram áreas para agricultura urbana, levando o Sitiê a ser reconhecido como a primeira-agro-floresta do Rio de Janeiro em 2012.Com o passar do tempo, tornou-se um projeto comunitário que realiza atividades de reflorestamento, reciclagem, paisagismo, agricultura urbana e design. Uma equipe composta pelos moradores da favela removeu 16 toneladas de lixo que se haviam se acumulado por mais de 25 anos, e reciclaram alguns resíduos para a construção do próprio parque.

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A fama do Sitiê – junção da palavra sítio com o pássaro tiê, inventada por Quintanilla – não vem só do esforço pessoal de seus criadores. Deve-se muito à chegada à favela do arquiteto Pedro Henrique de Cristo. Em 2012, o jovem paraibano, aos 29 anos recém-pós-graduado na universidade de Harvard, uma das mais conceituadas do mundo, conheceu a iniciativa e se juntou a ela.

São 8,5 mil metros quadrados de área; pneus foram colocados para servirem de degraus e ainda uma muralha foi erguida com o mesmo material reciclado para ajudar a conter a água das chuvas. Há poucos metros, existe um mirante de onde se tem uma vista linda das praias de Ipanema e Leblon.

O Sitiê tem ainda engajamento popular e ideias inovadoras, tanto que está chamando a atenção de fora do Brasil. Ele já recebeu visitas de especialistas vindas de parques como o Central Park e Brooklyn Bridge Park, ambos em Nova York.

Prestes a completar dez anos, a iniciativa ganha fôlego não só com a validação internacional, mas também com o projeto do Instituto Sitiê de Meio Ambiente, Artes e Tecnologia. O estúdio +D, que tem como slogan “design com propósito”, imaginou uma praça para convivência e prática de esportes, ligada ao Sitiê por meio de uma escadaria adaptada à topografia, um centro de inovação, com biblioteca e aulas de música e artes, e um restaurante, em que os clientes buscariam seus ingredientes na horta do parque.

A iniciativa ganhou reconhecimento a nível mundial e já recebeu vários prêmios internacionais.

Para saber mais aqui.

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.