Ultrapassando a faixa amarela com Henrique Madeira [Entrevista] - MISTURA URBANA

Ultrapassando a faixa amarela com Henrique Madeira [Entrevista]

Abra seu Facebook ou seu instagram e dependendo de quem você segue ou curte, com certeza vai ver fotos de street art. Fotografar o “produto pronto”, muitos fazem: eu, você, minha vó…. mas, estar presente durante o processo e documentar a street art brasileira acontecendo é para poucos.

E um desses poucos é o português, criado na zona norte do Rio de Janeiro, Henrique Madeira. A rua sempre foi um elemento muito presente na vida do fotógrafo e documentarista. “Entre ruas, vielas e condomínios era preciso estar atento, caminhos errados poderiam trazer consequências devastadoras. O respeito que aprendi em casa teve um efeito pequeno, mas concreto, perto do que o que a rua me ensinou.” conta.

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Apesar de ser presença constante onde os muros estão recebendo cores, foi somente após estudar direção de cinema que Henrique Madeira resolveu transformar suas experiências e influências em profissão. “Os estudos me fizeram olhar com mais atenção para a documentação e a intensa relação que ela me permitiria. A fotografia de cinema ajudou muito durante todas as experiências que tive em diversas áreas. Fotos de moda, eventos e casamentos traziam dinheiro, mas não era exatamente isso que eu imaginava com a fotografia. Queria algo que me provocasse, me instigasse e que transmutasse a cada instante. Estudar fotografia havia virado um desafio e isso me motivava a ir ainda mais fundo nos meus estudos. A documentação urbana passou a ser o motivo de tudo dentro dos objetivos com a fotografia, em nenhum outro ambiente me sentiria tão preparado para buscar os melhores resultados.”

Abaixo, você confere mais da conversa com Henrique Madeira e, se mora em São Paulo uma bela dica: abre amanhã, 28 de janeiro, a expo URBANAMENTE, com fotografias dele e de Diego Aliados (saiba mais AQUI)

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Há anos você registra artistas urbanos brasileiros, durante o processo de criação. E são essas as imagens que você solta pro mundo, enquanto muitos fotógrafos retratam só quando tudo ta pronto. Por que a escolha de focar apenas no processo?
Quando olhamos uma arte pronta tentamos imaginar tudo que cercou esse acontecimento: Quem fez? Como fez? Quem esteve presente? Quanto tempo levou?
Meu estudo dentro da documentação me permite trazer as respostas para essas perguntas.
Posso concluir que durante o processo de execução da obra do artista, todo ambiente influencia no resultado final do trabalho. Minha missão é contar tudo através das fotos.

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Durante os anos que vem registrando a cena da street art, consegue observar já alguma grande mudança de alguns anos pra cá? Seja nos artistas, na arte ou nas técnicas?
A maior de todas as mudanças é a cultural, deixar de ser visto como vandalismo tem criado oportunidades melhores e condições mais interessantes para o trabalho do artista e para a exploração de novas técnicas.
Hoje é possível ver trabalhos autorais na parede da casa das pessoas, nos escritórios ou em grandes salas de centros culturais.

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Você é fotógrafo e documentarista de arte urbana mas também acaba “graffitando” com luz. Acabou se tornando um dos grandes nomes do light painting no Brasil. Acha que documentar a street art despertou em você a vontade de criar também? Ou isso veio antes? É interessante esse ciclo né? Você fotografa street art, e cria uma espécie de graffiti com luz, que só pode existir se você fotografar ele.
O lightpainting surgiu perdido no meio de tantos estudos, mas logo me chamou atenção quando entendi que a técnica não era nada moderna, estávamos falando da primeira técnica fotográfica.
Madrugadas gastas experimentando lanternas e movimentos em cima de amigos, em busca de resultados interessantes, mas nunca fui bom com desenhos. Foi aí que apareceu um grande amigo grafiteiro e seus conhecimentos e experiências com a técnica logo foram trocados. Percebi que seria uma forma interessante de explorar um melhor resultado: o artista com seu trabalho e eu com a técnica.
Venho desenvolvendo ferramentas de luz que se assemelham a um spray, um rolo de tinta ou um pincel para que o artista só se preocupe em desenvolver sua técnica.
Os meus estudos pessoais continuam, mas o resultado com os artistas tem rendido trabalhos cada vez mais interessantes.

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Em São Paulo, o que não tem faltado são galerias abrindo as portas para artistas urbanos ou com um pé ou dois nesse mundo. Até por que a cena da street art é pesada por aqui. Como é no RJ?
No Rio não tem sido diferente, mas o número de galerias não suporta o crescente número de artistas. O interesse comercial por essas artes ainda não acompanha o ritmo enlouquecido de produção artística.
Em meio a tudo, dificilmente uma grande galeria que tem potencial comercial abraçará um grande número de artistas, fazendo as chamadas “novas galerias” ou “galerias coletivas” (formada por grupos independentes) serem a porta de entrada de muitos no mercado comercial.

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Como foi essa união entre você e o Diego Aliados para essa expo? Foi uma ideia de vocês, ou foi convite da A7MA?
Aliados é um cara que gosto muito por toda sua trajetória e por tudo que representa no universo da arte urbana. Tenho muito respeito e sou fã do trabalho dele. Dividir espaço com ele é uma honra e uma grande satisfação.
A A7MA é para mim uma das referências de Galeria urbana, um espaço múltiplo coordenado por pessoas ligadas diretamente ao movimento da rua. A intenção de fazer uma exposição partiu de um bate papo com todos da Galeria.
Quando surgiu o assunto da importância do trabalho do documentarista urbano para o cotidiano de todos, falamos sobre os riscos, o envolvimento e as responsabilidades.
O tema era fácil, difícil era escolher, em meio a tantas imagens, aquelas que representariam minha primeira exposição dentro de uma Galeria. Quando soube que o Aliados aceitou a ideia foi perfeito porque temos trabalhos parecidos mas com linguagens completamente distintas, uma mistura interessante e importante para todos.
O nome escolhido em meio a tantas opções foi “URBANAMENTE”, que para todos é a realidade do nosso trabalho. Nossos olhos estão ligados à rua assim como nossos pensamentos.

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Acompanhe o instagram do fotógrafo clicando AQUI e veja mais infos sobre a expo URBANAMENTE clicando AQUI.

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Lila Varo

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com