GREENPEACE realiza ação que mostra como os supermercados estão ajudando a devastar a Amazônia - MISTURA URBANA

GREENPEACE realiza ação que mostra como os supermercados estão ajudando a devastar a Amazônia

O Greenpeace lançou em novembro deste ano o relatório Carne ao Molho Madeira – Como os supermercados estão ajudando a devastar a Amazônia com a carne de suas prateleiras. Este relatório aponta que nenhuma das sete maiores redes do Brasil comercializa produto sem ligação comprovada com desmatamento, trabalho escravo e violência no campo.

Então, para marcar o lançamento da campanha, o Greenpeace realizou ação em lojas do Pão de Açúcar, rede com a pior avaliação no monitoramento da carne que comercializa. A ação busca conscientizar os consumidores sobre a relação entre o desmatamento, a pecuária e a carne que chega à sua mesa.

Photo: Zé Gabriel/Greenpeace

A partir do levantamento de informações sobre a política de aquisição de carne bovina oriunda da Amazônia de sete redes de supermercados – que juntas representam cerca de dois terços de todas as vendas de varejo em território nacional – o relatório mapeia como as gigantes do setor vêm lidando com o problema. O resultado é assustador: nenhuma delas atinge o “patamar verde”. “Nenhum supermercado consegue, hoje, garantir que 100% da carne que comercializa é livre de crimes socioambientais”, resume Adriana Charoux, da campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil.

O relatório avaliou três aspectos principais: a existência e o alcance destas políticas, os critérios dessas políticas e quanto os supermercados são transparentes em relação ao tema junto a seus consumidores e fornecedores.

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Dentre os analisados, o Walmart foi quem saiu na frente, com 62% dos requisitos considerados fundamentais. Atrás dele, o Carrefour atingiu 23%, enquanto o Grupo Pão de Açúcar (GPA), maior empresa do setor, apenas 15%. Na lanterna, o Cencosud alcançou meros 3%. Outros supermercados falharam vergonhosamente: o Grupo Pereira-Comper, líder no Mato Grosso, o Grupo DB (que têm forte presença em várias cidades da Amazônia) e o Yamada (que preside atualmente a Associação Brasileira de Supermercados – ABRAS) não forneceram qualquer informação a respeito de suas políticas para evitar a ligação entre o desmatamento e a carne que comercializam. Acesse o relatório completo aqui.

Desde 2009 existem frigoríficos comprometidos com o desmatamento zero. Agora é a hora de os supermercados assumirem a mesma responsabilidade, já que têm o poder de boicotar a compra de produtos ligados ao desmatamento. Eles podem impedir que a carne contaminada com a destruição da floresta chegue ao nosso prato”, desafia Charoux.

Para chamar atenção dos consumidores para o problema, ativistas do Greenpeace realizaram hoje, 18 de novembro, uma ação em quatro lojas do Pão de Açúcar, em São Paulo, onde as bandejas de carne receberam etiquetas com a pergunta “Você sabe de onde vem esta carne?”. A atividade contou também com uma vaca perdida na cidade grande que tentou, sem sucesso, saber sobre sua procedência.

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Nas últimas décadas mais de 750 mil quilômetros quadrados da floresta amazônica brasileira foram destruídos. Aproximadamente 60% desta área virou pasto para gado. Atualmente existem mais bois do que seres humanos no País: são mais de 212 milhões de cabeças de gado. Só na Amazônia são aproximadamente 80 milhões de animais. A falta de indicadores positivos é, portanto, especialmente grave diante da presença histórica do gado como o principal vetor de desmatamento da Amazônia.

Depois que o Greenpeace coletou mais de 1.4 milhão assinaturas de cidadãos apoiando o projeto de lei pelo desmatamento zero – apresentado ao Congresso Nacional em outubro de 2015 – e se o Brasil busca realmente atingir suas metas de redução de emissão de gases de efeito estufa, as grandes redes varejistas não podem se omitir.

Saiba mais em carneaomolhomadeira.org.br

 

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Lila Varo

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com