Exposição no Rio de Janeiro reúne obras inéditas de jovens artistas gaúchos - MISTURA URBANA

Exposição no Rio de Janeiro reúne obras inéditas de jovens artistas gaúchos

Ricardo Giuliani_Pinicos de Duchamp_aquarela sobre papel_40x57cm_2015_foto Letícia Lau 2-WEB (1)

A partir do dia 15 de novembro, domingo, o Rio de Janeiro vai receber a coletiva “Abordagens e Sentidos: a pintura como possibilidade poética”, mais especificamente no Estudio Dezenove, em Santa Teresa, onde estarão reunidas obras inéditas da nova geração das artes visuais do Rio Grande do Sul.

Com curadoria de Ana Zavadil e coordenação de Julio Castro, a mostra é o resultado de uma parceria entre a galeria carioca e a Arte&Fato, de Porto Alegre, e tem como objetivo apresentar um panorama significativo da pintura contemporânea gaúcha, buscando trazer à tona discussões sobre essa linguagem que teve como vocação, dentro da história da arte, estar sempre à beira do abismo, com sua “morte” anunciada em diversos momentos. Porém, de longe findada, a pintura passou por significativas transformações, mantendo-se no topo da pirâmide como uma das opções de artistas em diferentes períodos.

Até 20 de dezembro, o público carioca poderá conferir as pinturas de Ana Mähler, Angela Zaffari, Bianca Santini, Marlene Kozicz, Ricardo Giuliani, Silvia Rodrigues e Verlu Macke. Neste intercâmbio está prevista, para setembro de 2016, uma coletiva de artistas cariocas do Estudio Dezenove em Porto Alegre.

A partir de pesquisas sobre pedras preciosas, Ana Mähler vai apresentar a tela “Esmeralda”( 2015) e outra, de 2011, de acrílica e caneta posca. Para Ana Zavadil, seus trabalhos levam o espectador para além da simples visualidade, já que eles querem dizer alguma coisa, ou seja, para além da beleza visual que está na materialidade, na forma. A sua arte liberta da representação da realidade visível e abarca um conceito que busca provocar reflexões sobre a vida, ou melhor, sobre a preciosidade da vida.

Marlene Kozicz
Marlene Kozicz

Já as acrílicas sobre tela de Ângela Zaffari são tramas coloridas caracterizadas pelo ritmo das cores intensas, e as tensões espaciais são oriundas da repetição das formas e suas combinações. A repetição é o conceito base de seu trabalho evidenciado pela forma do quadrado que estrutura a trama, porém dentro da repetição está o ritual, em que a artista impõe regras a si mesma para realizar as pinturas. A ordem e a harmonia fazem parte de seu cotidiano artístico.

As duas obras da série “Geografias da Paisagem”, de Bianca Santini, refletem sua poética, cujo processo criativo pode começar pela fotografia ou pela coleta de materiais – a fotografia de árvores inteiras ou fragmentadas ou mesmo galhos de árvores recolhidos da natureza. A pintura é feita com densas camadas de tinta acrílica que formam texturas, a partir de sobreposições e veladuras, e deixam vestígios dessa paisagem quase abstrata quando o trabalho é finalizado. Segundo Zavadil, “o processo é rico em experimentações e laborioso no seu desenvolvimento”.

A pintura de Marlene Kozicz vem do seu âmago e surge no tempo presente de sua criação, traz informações da sua memória, sejam elas relacionadas à técnica, a experiências anteriores ou vivências passadas. A principal característica de seu trabalho é a obra se fazendo, o fazer aponta caminhos, o acaso cria tensões porque ao se afastar do planejado abre portas para novas possibilidades. Os materiais utilizados são poucos (grafite, calcário, carvão e tintas), mas o resultado é plural, intenso e nasce de um percurso único para cada tela, a partir do ritmo das linhas e das manchas que agregam formas e definem o espaço da tela e também o da criação.

A aquarela “Os Pinicos de Duchamp”, de Ricardo Giuliani, é resultado de suas diversas pinturas pautadas no trabalho do artista Marcel Duchamp (1887-1968). Estudioso de sua obra, Giuliani inspirou-se em diversas delas para torná-las o mote de sua pesquisa pictórica., utilizando-se da aquarela para sugerir um humor sutil em que mistura ícones duchampianos, ora utilizando-os em outros contextos, ora substituindo-os por outros com uma grande carga de irreverência, o que reafirma a sua maneira de trabalhar Duchamp, precursor da arte conceitual, rompeu com os meios tradicionais da produção artística ao criar os ready-made. Pai de todos os artistas contemporâneos, introduziu um novo conceito de arte: a antiarte.

Silvia Rodrigues apresenta uma acrílica sobre tela da série “Rizoma”, de 2015, tendo a linha como fio condutor no seu processo criativo. A artista, que começou pela escultura de corpos com fios de arame, atualmente se dedica à pintura, em que a linha e suas tramas são as protagonistas desta série de trabalhos. Essa linha que dava forma aos corpos vazados agora tem outro referencial, pois remete às artérias e veias do corpo humano. Para Zavadil, “o processo é rico e está sempre em aberto, o que possibilita novas construções, ora mais densa, ora mais diluída, com mais ou menos manchas e assim por diante”.

A série de trabalhos “Abissais”, de Verlu Macke, originou-se de sua recente pesquisa sobre a zona abissal, ou seja, a região mais profunda do oceano e que abriga seres que se adaptam a situações desfavoráveis à proliferação da vida, seu foco de interesse para essas suas criações. Estes seres evidenciam aspectos diferenciados para sobreviver, cujo habitat traz reflexões para a vida e para o trabalho de Macke, em que a existência humana passa por uma série de questões que, segundo ela, vai desde “a existência de um Deus até o consumo exacerbado em que vivemos”. Os abissais em uma zona profunda do oceano fazem contraponto ao homem que se localiza em uma zona sensível, onde busca respostas a questionamentos que os acompanham por toda a eternidade. De onde viemos e para onde vamos?

Serviço

Exposição “Abordagens e Sentidos: a pintura como possibilidade poética” no Estudio Dezenove
Vernissage: 14 de novembro, sábado, das 18 às 22h
Abertura para o publico: 15 de novembro (domingo)
Encerramento: 20 de dezembro 2015
Funcionamento: de quinta a domingo, das 14 às 19h
Endereço: Travessa do Oriente 16 A, Santa Teresa – Rio de Janeiro
Informações: (21) 2232 6572
Entrada gratuita
Classificação etária: Livre

Verlu Macke
Verlu Macke

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.