Street art feminista do Cairo, no Egito - MISTURA URBANA

Street art feminista do Cairo, no Egito

Como em muitos outros lugares do mundo, não é fácil ser uma mulher no Egito. De todos os países árabes ele é considerado o pior para uma mulher viver e talvez seja até um dos tops do mundo.

Pra começar pelo básico do básico, não existe de fato nada na Constituição do país que mencione os direitos das mulheres. Assédio sexual e violência frequentes são apenas a ponta do iceberg.

Apesar de ter sido “oficialmente” banida em 2008, a prática da mutilação genital feminina ainda acontece frequentemente. Essas práticas são apoiadas pelos clérigos, que defendem a “verdadeira religião”, facilitando que isso aconteça de forma clandestina, levanto à morte muitas meninas por infecção generalizada, pela falta de higiene dos instrumentos. Esses mesmos clérigos são também os que defendem a violência do marido contra a mulher, casamentos forçados e prematuros e mais uma pequena imensa lista de coisas não mencionáveis.

Mesmo com tantas ativistas no país, até as mais importantes podem ser esquecidas ou jamais conhecidas pelas futuras gerações. Edições de 2013 e 2014 de livros oficiais dos colégios foram editados para remover figuras femininas que lutaram por seus direitos no passado.

"A revolta das mulheres no mundo árabe."
“A revolta das mulheres no mundo árabe.”

Mas, mesmo assim, a luta pela igualdade no país não termina e sim, encontra formas mais criativas de seguir em frente. Desde a Primavera Árabe, revolução que teve início em 2011, uma onda de street art feminista vem tomando as paredes das ruas do Cairo, com imagens que retratam a violência que elas sofrem e exigindo direitos. É importante ressaltar que nem todas foram feitas por mulheres. Sim, homens também aderiram ao movimento, entre eles El Zeft.

Abaixo você confere algumas imagens e fica aqui o desejo de que a street art feminista do Cairo chame cada vez mais a atenção dos direitos das mulheres no país para os governos futuros.

"Uma menina é igual a um menino" stencil by Nooneswa
“Uma menina é igual a um menino” stencil by Nooneswa
Stencil por Noon El Neswa com 3 mulheres com diferentes formas de cobrir a cabeça com a legenda “Não me rotule" como forma de expressar o direito da mulher de escolher como cobrir a cabeça (ou não)
Stencil por Noon El Neswa com 3 mulheres com diferentes formas de cobrir a cabeça com a legenda “Não me rotule” como forma de expressar o direito da mulher de escolher como cobrir a cabeça (ou não)
Stencil do artista El Zeft, que virou ícone dos protestos e da street art feminista. Retrato de Nefertiti com uma máscara anti-gas representando o papel da mulher durante a revolução
Stencil do artista El Zeft, que virou ícone dos protestos e da street art feminista. Retrato de Nefertiti com uma máscara anti-gas representando o papel da mulher durante a revolução
"Justiça"
“Justiça”
"Durante as batalhas, eu estarei atrás de você, te protegendo"
“Durante as batalhas, eu estarei atrás de você, te protegendo”
"Tema-me, governo!" Stencil by Keizer
“Tema-me, governo!” Stencil by Keizer
Mulher com uma lata de spray, afastando seus assediadores “Não ao assédio na rua!" by Mira Shihadeh
Mulher com uma lata de spray, afastando seus assediadores “Não ao assédio na rua!” by Mira Shihadeh
"Você não pode me quebrar"
“Você não pode me quebrar”
Mural por Mirah Shihadeh e Zeft, que retrata não apenas a violência, mas o medo e intimidação por abuso sexual. As frases são de desculpas usadas pelos estupradores.
Mural por Mirah Shihadeh e Zeft, que retrata não apenas a violência, mas o medo e intimidação por abuso sexual. As frases são de desculpas usadas pelos estupradores.
“A melhor das mulheres” Esse stencil faz alusão ao espancamento e desnudamento de uma jovem mulher pelas forças armadas do Egito na Praça Tahrir em 2011. Essa mulher é chamada hoje em dia de "a mulher do sutiã azul" pois a foto mais famosa dela circulou na mídia, mostrando ela quase pelada usando apenas um sutiã azul. Essa foto serve hoje em dia como um símbolo do abuso do estado e como um chamado para o movimento feminista.
“A melhor das mulheres” Esse stencil faz alusão ao espancamento e desnudamento de uma jovem mulher pelas forças armadas do Egito na Praça Tahrir em 2011. Essa mulher é chamada hoje em dia de “a mulher do sutiã azul” pois a foto mais famosa dela circulou na mídia, mostrando ela sendo despida pelos militares , apenas de calça e com  um sutiã azul. Essa foto serve hoje em dia como um símbolo do abuso do estado e como um chamado para o movimento feminista.

Foto dela AQUI.

Não encoste, ou a castração te aguarda. By Hend Kheera
Não encoste, ou a castração te aguarda.
By Hend Kheera
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Stencil do sutiã azul – por Bahia Shehab “Pelo não desnudamento das pessoas” – que pode ser traduzido como não remover os direitos delas. O texto abaixo fala “Vida longa à uma revolução pacífica”

 

Aproveita o embalo e leia nossa entrevista com as primeiras grafiteiras do AfeganistãoShamsia Hassani e Malina Suliman que usam a arte urbana para encorajar mulheres afegãs a lutarem pelos seus interesses e exigirem igualdade na sociedade islâmica.  (AQUI)

 

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Lila Varo

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com