As mais diversas faces do amor nas criações de Lucas Aguiar - MISTURA URBANA

As mais diversas faces do amor nas criações de Lucas Aguiar

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Lucas Aguiar é mineiro, de Belo Horizonte e estudante de Design Gráfico. O artista vem chamando muito a atenção por falar de amor, da dor da saudade, das perdas, e de sentimentos através de dois projetos. Um voltado à stickers, onde espalha frases pela cidade, já falamos sobre ele aqui, e o outro com ilustrações, e personagens famosos que admira e que tiveram uma vida bem intensa. Ambos fazem parte do He-Arts Design, onde o desenho do coração toma espaço, cor e provoca reações diferentes nas pessoas. E olha vou te dizer, já são muitos seguidores pelas redes sociais. Abaixo você confere um bate-papo com ele.

– Gostaria que você contasse primeiro quando começou a desenhar, e como surgiu o projeto He-arts Design?

Larguei três anos de engenharia civil sem a menor ideia do que gostaria de estudar. A única certeza é que não seria exatas. Pra decidir um novo curso, fui pesquisando a grade de ensino de todos os cursos que existiam, e decidi escolher o curso, não pelo curso em si, mas pelo o que eu gostaria de estudar e aprender. A grade de Design Gráfico me caiu como uma luva. Ótimas disciplinas que me interessavam muito. Entrei no curso há dois anos. Desde então, comecei a desenhar todos os dias, pra treinar meu traço e aprender a desenhar, já que o curso é bem voltado pra arte. Eu queria fazer minha parte.

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Comecei a desenhar todo tipo de desenho: geométricos, realismos, paisagens, objetos. E sentia muita falta de um segmento, pois desenhando de tudo, eu acabava nao me aperfeiçoando em nenhuma delas. Mas de qualquer forma, foi fundamental todos esses desenhos pra eu chegar no lugar onde eu gostaria e me sentiria satisfeito. Foi aí que surgiu os desenhos de coração.

– Sempre gostou de falar de coisas do coração? Onde você se inspira?

A técnica trombou com minha personalidade, um tanto quanto perturbada. Sempre fui muito dramático, não porque faço drama, mas porque sinto muito. Isso acaba se externando de uma forma que nem todo mundo entende. É nessa linha tênua que a arte tem me salvado. Sempre gostei de falar sobre sentimentos, emoçoes e tudo mais que vem de dentro do ser humano. Posso dizer que a tríade do meu raciocínio criativo é o Amor, o Tempo (saudade) e a morte. E eu acho que esses três assuntos estão totalmente interligados.

– Que tipo de técnica você utiliza?

Meus materiais são simples. Uso caneta nanquim, lápis aquareláveis, canetinhas… Eu gosto de brincar enquanto estou desenhando, então misturo muita coisa numa ilustração só. Nao coloco regras. O que eu acho que cai bem no desenho, vou usando. Às vezes não funciona, refaço em outro formato, mas a maioria é de primeira, e mesmo com alguns erros, eu nao deixo de publicar, pois acho que enquanto estou criando algo, eu coloco muita emoção. Quando preciso redesenhar tudo, eu não vejo mais muita graça, até acabo desistindo.

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– Hoje em Belo Horizonte, as pessoas não só da cidade, mas também através das redes sociais, se identificam muito. Como é isso pra vc?

Sempre gostei muito de escrever. Frases pequenas, textos curtos. Foi ontem eu pensei que unindo a escrita com o Design, eu poderia ilustrar as minhas frases. Gerando até mais interesse para quem goste do assunto, e continuando a treinar meu traço. Um mês após o primeiro coração, eu tinha cerca de 4 mil seguidores a mais no Instagram. Foi uma grande surpresa. Contudo, isso nunca foi um projeto. Nasceu de forma natural e eu jamais imaginava a proporção que iria tomar.

Como as ilustrações muitas vezes partem das frases, existem algumas que eu nao consigo ilustrar, o que me fez ter a ideia de fazer sticker com essas frases não ilustradas, completando assim, tudo que eu gostaria de expressar. Pois há uma necessidade de me expressar. E juntando ao fato de que sempre gostei de arte urbana, eu poderia contribuir com os adesivos, trazendo poesia no dia a dia das pessoas. A primeira vez que isso tudo foi chamado de Projeto, foi quando uma jornalista de um portal regional aqui de BH (soubh.com.br), entrou em contato comigo falando que eu era a pessoa que ela precisava pra uma matéria que estava fazendo. Ela falou do meu “projeto” e eu deixei. rs.

Quando recebi a primeira marcação no Instagram, de alguem desconhecido, postando a foto de um sticker, fiquei realmente muito feliz. Pelo menos alguém gostou do que faço, pensei. Isso vem crescendo de forma muito rápida. No início fiquei um pouco assustado. Pensei em deletar tudo, ja que para mim, é uma grande exposição de sentimentos. Mas com o tempo fui deixando acontecer sem me preocupar muito, e se estão chegando, é porque estão gostando. E eu estou adorando encontrar a “minha turma” por aí. Encontrei pessoas que realmente entendem certa perturbação, pois meus desenhos, muitas vezes, nao são tao “fofinhos” quanto muitos esperam. Eu gosto de causar algum incômodo, mostrar a brutalidade que o amor pode causar. Mas tambem procuro mostrar a beleza dele (o amor).

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– Coloca coisas, sentimentos que já viveu ou têm vivido?

Acho que seria hipocrisia se eu falasse que muito das coisas que eu faço, eu realmente sinto ou já senti. Toda obra requer uma musa, eu tenho a minha, mesmo que em muitas vezes, seja uma musa imaginária. Penso em histórias e dramas de amor 24 hrs, e isso tem funcionado muito bem pra minha criatividade.

– Conte um pouco sobre o outro projeto, voltado mais às ilustrações que estão incríveis.

Minha fonte de inspiração, na verdade, nao existe uma fonte. Sou uma pessoa acumulativa, de gavetas. Entao guardo muita coisa dentro do meu silencio barulhento. Isso acaba me servindo bastante pra gerar certas ilustrações. Leio muito, isso ajuda bastante. Gosto de histórias de amor, de preferencia os trágicos. Por isso, além dos coracoes e stickers, ilustro pessoas que admiro, e todos eles foram pessoas intensas, ousadas e fizeram história. Almas icônicas. Gosto muito de todo o Clube 27.

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– A arte é a sua melhor forma de expressão?

Sempre fui e ainda sou uma pessoa muito tímida. Eu tenho dificuldade até de entrar nos lugares que estão muito cheios. Sempre tive dificuldade em falar em público. E achar um meio de expressar meus sentimentos ou comunicar algo com as pessoas através dos desenhos, realmente tem me deixado menos louco. rs

Eu jamais imaginei que estaria falando sobre minhas criações, tudo pra mim é uma grande e boa surpresa. Saber que o que estou fazendo gerou interesse em quase 10 mil pessoas (No Instagam) me deixa muito feliz.

– Já pensou em uma exposição?

Eu nunca pensei em uma exposição, mas de uns tempos pra cá, pelos comentários que ando recebendo diariamente de pessoas pedindo exposições, camisas e até mesmo um livro, está me colocando pra pensar nessas possibilidades. Acho que eu realmente gostaria de ter um livro reunindo tudo isso que estou fazendo e agradando as pessoas. Quando falam “cara, eu sou seu fã” eu fico até envergonhado. Como qualquer tímido, nunca gostei de chamar atenção, e me ver nessa situação hoje, é estranho, mas o estranhamento está sendo uma delicia.

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– Da onde surgiu essa definição de “Príncipe de Copas”?

O Príncipe de Copas surgiu de um amigo. Um dia ele me chamou no chat do facebook e falou: “Você já percebeu que você é o Príncipe de Copas oficial? Tem o coração exposto à quem queira ver”. Na hora eu ri, mas gostei da ideia. E juntei com alguns comentários do Instagram falando que o nome pra achar minha página era muito difícil (He-arts Design ArtWork), que eu deveria colocar algo mais fácil. E como eu nunca imaginei a proporção que iria tomar, quando criei a página, nem pensei em fazer algo fácil pras pessoas acharem. E se acontecer um livro, eu acho que o nome seria “Príncipe de Copas – a coragem de viver com o coração fora do peito”. Até pra “desinglesar” o projeto (já que virou um projeto). E pra dar mais sustância ao nome, fiz uma breve descrição nas redes, pra já passar a pegada do que quero transmitir:

“Príncipe de Copas Decaído: O Principado de Copas não permite excessos. Fui expulso da realeza condenado à coragem de viver com o coração fora do peito.” Já que gosto gosto de uma pegada, muitas vezes, agressiva, do amor demais, do amor passional, intenso. Então de pouco em pouco, tudo foi se encaixando e eu acho que cheguei no casamento ideal pra dar margem a isso tudo que faço.

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Mais do trabalho dele aqui e aqui.

 

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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