Humans of Rio de Janeiro retrata as particularidades de quem vive na cidade maravilhosa - MISTURA URBANA

Humans of Rio de Janeiro retrata as particularidades de quem vive na cidade maravilhosa

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Em maio de 2012 inspirado pela página de Nova York, que traz histórias desde 2010 dos habitantes da “Big Apple”, o fotógrafo Eiran Kreimer resolveu fazer a versão carioca, mas de uma forma diferente, para que não fosse uma simples cópia e sim para mostrar as particularidades do Rio de Janeiro. Ele então na ocasião, chamou dois amigos de longa data para ajudá-lo no projeto: a Dominique Valansi que é jornalista e tem especialização em fotografia e o Fábio Minduim, que é fotógrafo profissional.

A Domi é mais focada na parte cultural, alternativa e de artes, já o Minduim é especializado em fotos de surfe, esportes radicais, fotos sub-aquáticas e moda. Eiran ficou com a parte das ruas, sempre procurando o que seria interessante ao público e ao mesmo tempo que mostrasse a realidade do dia a dia. Suas fotos são de moradores de rua, músicos, artistas diversos, estátuas humanas, vendedores ou simplesmente os anônimos do cotidiano, que vão além daquelas figuras clássicas cariocas.

Eiran diz que os músicos e artistas ficam muito contentes por ter seu trabalho reconhecido e divulgado; já os moradores de rua na maioria das vezes, não entendem o motivo de alguém querer tirar fotos deles e chegam a perguntar o motivo disso. Para ele, é otimo quando ajudam moradores de rua com dinheiro ou comida, mas isso não basta, parar para conversar e principalmente ouvir o que eles têm a dizer é de um valor inestimável, pois eles passam a existir, a ser alguém, aumenta a auto-estima.

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As diferentes tribos e as novas tendências das ruas também são retratadas no projeto, que acaba ajudando muita gente também, pois é comum pessoas de outras cidades e países comentarem que tem saudades do Rio de Janeiro ou que por causa da página e das fotos desejam visitar a cidade.

Existe um grupo de moderadores-administradores de páginas “Humans Of” ao redor do mundo, e outras semelhantes que já contam com mais de 200 membros.

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A seguir você confere um bate papo com ele:

1- Fale um pouco sobre os bastidores do projeto.

Algumas fotos viraram virais, mais especificamente as do Fábio Minduim que contém paisagens do Rio de Janeiro. Já aconteceu mais de uma vez, questionarem aonde estão os humanos nessa paisagem. E minha resposta é “Human Nature” ou atrás da tela ou em todos os lugares; o fato é que a cidade é privilegiada nesse sentido, igualmente às vezes postamos artes, grafitti, poesias de rua que viraram uma nova tendência. Escolher qual foto postar muitas vezes é uma tarefa difícil, quando se tira várias de uma mesma pessoa ou situação.

2- Como você costuma escolher as pessoas para contar suas histórias?

Ando pelas ruas procurando pessoas, observando qual delas seria interessante para a página, tento enxergar com os olhos que estão do outro lado da tela. Evidente que cada um tem gosto diferente e preferências diversas, ainda mais levando em conta que a maior parte do público são estrangeiros, mas acredito que o mix entre minhas fotos e as do Minduim e da Domi acabam agradando justamente pela diversividade.

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3- Conte um pouco sobre esse contato na rua mesmo, em conhecer tantas histórias de vida diferentes, de como isso mudou a sua vida, e o seu olhar para a cidade e seus habitantes.

É preciso estar na hora certa e no local certo, assim como às vezes precisa ser o local errado e na hora errada, dessa maneira, funciona o fotojornalismo. Acredito que a grande mudança da página sobre a minha vida é conhecer pessoas que eu não teria contato, eu passaria andando assim como todos fazem no dia a dia, dando um exemplo. Certa ocasião, um professor de kung-fu ao ar livre não quis ser fotografado, mas conversamos bastante e ele me explicou diversas coisas sobre lutas, saí pensando que de fato o kung-fu poder ser chamado de uma verdadeira arte marcial e agradeci ao professor, pensei até em fazer aulas, e se não fosse pela página provavelmente não teria ido falar com ele. Também é muito grande o número de estrangeiros na cidade, sejam turistas ou novos moradores, boa parte deles da America Latina. Todas as páginas com temática sobre o Rio de Janeiro, incluindo as de humor, são verdadeiras provas de amor pela cidade e sempre trocamos ideias, conversamos e não raramente fazemos campanhas de ajuda para melhorar cada vez o lugar que vivemos.

4- Como é a sensação das pessoas depois de terem suas histórias contadas e compartilhadas.

Ficam muito agradecidas, contentes, comentam sobre amigos e parentes que viram as fotos. Existe uma parcela que não acessa a internet e sequer sabem o que é Facebook ! Esses são mais felizes ! ( risos)

5- Alguma história que te marcou mais.

Várias histórias me marcaram, de moradores de rua que ajudei direta ou indiretamente. Teve um morador de rua que me pediu uma foto já que ele não tinha nenhuma foto dele mesmo, nunca mais o encontrei, mas entre tantas historias que me marcaram desde 2012, vou contar uma recente. Eu estava conversando com uma senhora muito simpática, e ela contou que a cada filho que tinha comprava um jabuti, ela teve 10 filhos e 3 enteados, no total eram 13 jabutis em casa. Conversa vai, conversa vem e eu comecei a me lembrar do “chumbinho”, o jabuti que tive na minha infância, lembrei de quando ele morreu e em certo momento eu falei para ela “por favor, um minuto”, fiquei em silêncio e ela perguntando o que estava acontecendo comigo…..meus olhos estavam carregados de lágrimas, esse detalhe eu não escrevi na legenda da fotos.

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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