Após 65 anos de união, casal morre com 40 minutos de diferença no RS - MISTURA URBANA

Após 65 anos de união, casal morre com 40 minutos de diferença no RS

Italvino e Diva deixaram um exemplo de amor para os familiares (Foto: Fátima Possa Nunes/Arquivo pessoal)

Italvino e Diva deixaram um exemplo de amor para os familiares (Foto: Fátima Possa Nunes/Arquivo pessoal)

Uma linda história de amor que começou no final da década de 1940 no interior do Rio Grande do Sul, e terminou na última sexta-feira, dia 3 de outubro no Hospital São Lucas da PUC, em Porto Alegre. Italvino Possa, de 89 anos e Diva Alves de Oliveira Possa, de 80 anos, ficaram juntos por 65 anos, e morreram com aproximadamente 40 minutos de diferença.

Ele foi vítima de uma leucemia. Ela, acometida por um tumor na bexiga, faleceu logo depois. O casal passou os últimos momentos de mãos dadas, com as camas juntas no quarto. Italvino e Diva se conheceram durante um baile em 1948 e, um ano depois, se casaram.

“O pessoal da PUC conhecia eles, sabia da luta deles, então juntaram as duas camas no quarto e eles vieram a falecer quase no mesmo horário, como se ele estivesse abrindo as portas para ela e arrumando a casa para eles ficarem juntos para sempre”, diz o estudante universitário Rafael Max, um dos 14 netos do casal, que deixou ainda 10 filhos e seis bisnetos.

O casal viveu em Marau e Passo Fundo, no Norte do estado, e também na capital gaúcha. Em todos estes anos de união, Italvino jamais deixou o romantismo morrer. Preparava o café da manhã para a amada e mantinha uma horta no pátio com as verduras “ao gosto dela”. Além disso, a presenteava com flores. “Em todos os dias dos namorados, eles sempre comprou rosas para ela”, conta.

Seu Italvino foi a principal referência paterna da vida do neto, que perdeu o pai quando tinha apenas três anos de idade e, até os 12, viveu com a mãe na casa dos avós. Ainda enlutado pela perda, ele exalta a retidão de caráter do avô.

“Nunca tive um exemplo de homem tão reto. Às vezes áspero, mas pela rudimentariedade da época em que viveu, mas muito justo e reto”, relembra. Já a avó é considerada uma mulher “doce”. “Ela tinha facilidade em lidar com as pessoas da família”.

A religião adventista motivava o casal a fazer boas ações. “Eles sempre buscavam ajudar as pessoas necessitadas, com roupas. Se envolviam em projetos da igreja que frequentavam, e talvez por isso eram tão bons”, relembra o neto.

Italvino foi o primeiro a descobrir a doença, em agosto do ano passado. Desde então, entre internações e altas, batalhava para permanecer ao lado da amada. Já neste ano, Diva recebeu o diagnóstico de câncer. Foi submetida a uma cirurgia em abril e deu início a um tratamento.

Na última quarta (1), já internada no hospital, a matriarca chamou a família para uma reunião. “Ela sentiu que a hora estava chegando, pediu para ver parentes e meu avô foi ao hospital. Depois da conversa que eles tiveram, tanto ela ficou mais tranquila quanto ele, que lutava contra uma doença”, conta Max.

Contrariados pela perda de um casal tão amado, os familiares reconhecem que, no fundo, foi melhor assim. “Eles não iam aguentar a dor de ficar um sem o outro”, cogita Max, ainda emocionado com uma história tão rara de amor. “Nunca vi nada parecido”.

E como não acreditar no amor…

Foto tirada 10 minutos antes da morte de Italvino mostra o casal de mãos dadas no hospital
Foto tirada 10 minutos antes da morte de Italvino mostra o casal de mãos dadas no hospital

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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