Damien Hirst, o artista mais caro do mundo: gênio ou mestre do marketing? - MISTURA URBANA

Damien Hirst, o artista mais caro do mundo: gênio ou mestre do marketing?

New Tate season

Damien Hirst é conhecido como o “artista vivo mais bem cotado do mundo”. O seu trabalho ‘Pelo amor de Deus‘, um crânio humano com mais de oito mil diamantes incrustados, foi vendido por cem milhões de dólares, o maior valor pago por uma obra de um artista vivo até hoje (O Sunday Times estimou a fortuna do artista em 364 milhões de dólares após essa venda). Além disso, na exposição que o artista realizou em 2012 no Tate Museum, onde tinha um tubarão flutuando e animais cortados ao meio dentro de um tanque de formol, foi a individual mais visitada da história da galeria, com 460 mil espectadores.

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Não é que ele escolhe aleatoriamente o que faz. O britânico Damien Hirst é o artista mais proeminente do grupo Young British Artists, reconhecido por obras polêmicas que tem como objetivo escandalizar (“shock art”), usando materiais inusitados (como animais mortos, para expor sangue, vísceras e putrefação), sob um caráter neodadaísta e kitsch, onde o importante é o “show off” para o espectador.

Tate Modern Launch The Damien Hirst Retrospective

O artista elege a morte como tema para representar e afirma que sua intenção “é celebrar a vida e mandar a morte para o inferno (…), pegando o símbolo máximo da morte e cobrindo-lo com o símbolo máximo do desejo, luxúria e decadência?”.

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Eu tinha visto algumas fotos das suas exposições, mas não achei nada bonito nem importante. Nunca imaginei que essas fossem as instalações mais caras do mundo. Para mim, essas obras, como os animais mortos dentro de tanques de formol eram só isso: animais mortos dentro de um tanque de formol. Mas é realmente assim? Ou estamos diante de uma inesquecível obra de arte contemporânea e de uma completa mudança de cosmovisão na arte?

Desde que Marcel Duchamp resolvera expor em um museu um urinol assinado por ele no início do século XX, a definição da arte mudou completamente. Hoje, ninguém pode definir a arte, porque esta definição varia com o tempo e de acordo com as várias culturas. Então, não adianta discutir aqui se isso é arte ou se não é arte, mas podemos debater por que os animais mortos de Damien Hirst, os pontos e bolas da Yayoi Kusama ou o coelho feito de plástico espelhado do Jeff Koons são considerados como arte pelos museus e a mídia e por que outros artistas que fazem coisas similares, ou que nos parecem mais dedicados não são artistas reconhecidos.

As caixas de “Brillo” do Andy Warhol revelaram que a arte mudou e que, portanto, também tivemos que mudar nossas ideias sobre o assunto. Depois de alguns anos, e já estudando na faculdade de belas artes, comecei a compreender que às vezes a arte não é só estética, mas um conceito, que um artista se distancia do artesão (ele pode não executar a obra com suas próprias mãos, de fato, Damien Hirst admite que não sabe pintar nem fazer gravuras) ou que pode ser uma simples celebridade que vende objetos de grife ou um ser excêntrico de fulgurante personalidade que a mídia e o mercado adorem.

Talvez a chave do assunto seja não esperar tanto da arte. Ela tem o potencial para ajudar a sociedade (o potencial de informar, educar a até “acordar” as pessoas sobre assuntos políticos e sociais atuais), pode estimular a sensibilidade e a criatividade, pode ser só algo que chama a nossa atenção ou que combina com um futon em nossa sala de jantar e também pode representar uma bolha especulativa ao mesmo tempo.

Não podemos medir tudo pela mesma bitola. A arte existe em diversas manifestações.

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