[Entrevista] William Baglione expõe na França sua série Coffee or Cigarettes - MISTURA URBANA

[Entrevista] William Baglione expõe na França sua série Coffee or Cigarettes

Adalba 1

William Baglione é uma daquelas pessoas que você precisa conhecer. Se não tiver a sorte de conhecer pessoalmente, é  pelo menos recomendável, entender o valor dele na história das artes plásticas e street art brasileira.

O sobrenome vocês devem reconhecer, pois ele é o irmão do Herbert Baglione, um cara de quem sempre falamos aqui no Mistura Urbana.

Além de administrar a carreira do seu irmão, William foi também curador de diversas exposições em galerias como  Contemporary em Brighton (UK), espaço +SOMA, prestou consultoria para o filme-documentário South American Cholo, deu palestras em diversos lugares e como se tudo isso não fosse o suficiente, foi ele o curador da mais importante publicação em arte e cultura urbana do mundo, a Juxtapoz (USA), para a edição especial “Brazilian Artists”.

Recentemente, William Baglione resolveu se aventurar em um caminho novo, o da fotografia, quando seu irmão o deu de presente, uma câmera analógica. O que começou como alguns cliques descompromissados, se aflorou em uma verdadeira paixão e, agora, ele se prepara para sua primeira exposição internacional, intitulada Coffee or Cigarettes, na França, em dois espaços diferentes, simultaneamente. (AQUI e AQUI)

Conversamos um pouco com o William. Confira!

Ana Paula Alves 3

De onde surgiu a inspiração para criar esta série?
Minha memória emocional, para as coisas boas e ruins que ocorreram em minha infância, sempre teve relacionado, primeiro o lado bom, à minha mãe chamando os filhos para tomar um café em volta de uma mesa com pão caseiro recém saído do forno e manteiga, e do lado ruim, com meu pai ausente entregue ao vício do cigarro. Ele fumava 3 maços de cigarro por dia e eu brigava com ele sempre.
Acredito que o meu projeto teve seu start por conta de um problema pessoal em resolver esta questão tabagista eterna com meu pai. Minhas fotos, a princípio, traduzem aquilo que eu amava desde criança e aquilo que odiei por anos, mas o que mudou no projeto mudou dentro de mim também. Evoluímos a medida que estamos entregues de corpo e alma àquilo que faz parte de nossa existência.

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Acompanhando a evolução dos seus retratos para esta série no site superchante.tumblr.com, percebi que suas fotos no começo eram muito mais do cotidiano, e a medida que o tempo foi passando, começaram a ter um teor muito mais sexual e provocante. Como aconteceu essa evolução?
Isto é verdade.
Bom, eu fotográfo à apenas 1 anos, mas treino meu olhar há mais de 20 anos, ou seja, a cada click temos um novo portal se abrindo porque tudo é novidade. Sou apaixonado por pessoas e não por coisas, e cada encontro que envolve boa conversa, café, negroni, cigarro, etc possibilita conhecer mais da pessoa e mais de mim mesmo. A direção de arte não é pensada por que fulana é bonita, isto para mim pouco importa … pois tudo deve fluir sem que haja um history board. Como eu trabalho com a câmera muito próxima da pessoa a ser fotografada isto por si só já funciona como um ato sexual, tanto nos casos de fotografia ao ar livre em uma cafeteria quanto em casa. Tanto com mulheres, quanto com homens.

Herbert 1

Como foi ter o seu irmão, Herbert Baglione, fazer a curadoria das imagens que vão para a expo? Você confiou 100% na escolha dele ou teve alguma foto que gostaria que fosse escolhida mas ficou de fora?
É uma inversão de papéis. Acredito que seja bom para ambos.
Mas é bom lembrar, antes de mais nada, que trata-se da minha primeira exposição internacional e é a primeira curadoria do Herbert, estamos aprendendo a empreender.
Sobre a confiança , sim confio na montagem e nas escolhas das fotos. E escolha resulta em renúncia. Estou 100% feliz porque este projeto me acompanhará pro resto da minha vida.

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Já tem alguma ideia pipocando por aí para sua próxima série?
Sim, tenho uma outra série que também vou expor na França e que farei por um bom tempo. O nome é SILENCE.
Outros projetos estou desenhando e logo teremos novidades ainda para este ano.

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ENGLISH VERSION

William Baglione is one of those people you need to know. If you are not lucky enough to know him personally, is recommended at least, to understand the value of him in the history of Brazilian art and street art.

The last name you should recognize, as he is the brother of Herbert Baglione, a guy who we always talk about here at Mistura Urbana.

In addition to managing the career of his brother William was also curator of several exhibitions in galleries, such as Contemporary in Brighton (UK) + SOMA space, he has consulted for the South American Cholo documentary film, lectured in various places and if all that isn´t enough, he was the curator of the most important publication on art and urban culture in the world, Juxtapoz (USA), for the special edition “Brazilian Artists”.

Recently, William Baglione decided to venture on a new path, photography, when his brother gave him as a gift, an analog camera. What began as a few uncommitted clicks, turned into a passion, and now he prepares for his first international exhibition, titled Coffee Cigarettes or, in France, in two different places simultaneously.

We had a little chat with him, check it out!

Where did the inspiration for this series come from?
My emotional memory, for good and bad things that happened in my childhood, were always related, first the good side, my mother calling her children for coffee around a table with homemade freshly baked bread and butter, and the bad side, with my absent father lost in his cigarette addiction. He smoked three packs of cigarettes a day and I argued with him always.
I believe that my project had its start because of a personal problem to solve this eternal smoker thing with my father. My photos at first, translate what I loved as a child and I hated for years, but what has changed in the project has changed within me also. We evolve as we´re commited body and soul to what is part of our existence.

Following the evolution of your portraits for this series in superchante.tumblr.com site, I noticed that your pictures at the beginning were much about the everyday life, and as time passed, they began to have a lot more sexual and provocative content. How did this happen?
This is true.
Well, I take pictures for only 1 year, but I´ve trained my eyes for more than 20 years, i.e.,with every click we have a new portal opening because everything is new. I am passionate about people and not things, and each encounter involving good conversation, coffee, negroni, cigarettes, etc makes it possible to know the person more, and also more of myself. The art direction is not thought because whoever is beautiful, it does not matter to me … because everything should flow without a history board. Since I work with the camera very close to the perso, to be photographed in itself acts as a sexual act, whether it is an outdoor photography in a coffee shop or at home. Both with women as with men.

How was it, having your brother, Herbert Baglione, curate the images that go into the expo? You trusted 100% in his choice or did you have any photo you would have liked to be chosen, but got left out?
It’s a role reversal. I believe it is good for both.
But it´s good to know, above all, that this is my first international exhibition and is the first time as a curator for Herbert, we are learning to undertake.
About trust, yes I trust in the assembly and the choices of photos. And choice results in waiver. I am 100% happy because this project will follow me for the rest of my life.

You already have some idea popping around for your next series?
Yes, I have another series that I will also expose in France and I’ll do for a good time. The name is SILENCE.
Other projects I’m thinking about and soon we will have news still this year.

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com

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