O universo d´OSGEMEOS [Entrevista] - MISTURA URBANA

O universo d´OSGEMEOS [Entrevista]

Os Gêmeos x Futura em Nova York - 2014
Os Gêmeos x Futura em Nova York

Conhecidos pelos traços fortes e personagens amarelos com influências nordestinas, os artistas Otávio e Gustavo Pandolfo entraram no mundo do graffiti em 1986 quando ainda viviam no Cambuci, região central de São Paulo. Desde crianças, eles já desenhavam e criavam formas, gostavam de imaginar outros mundos.

De lá para cá, não pararam mais, deixaram os empregos formais, decidiram viver de arte apoiados pelos pais. Dos desenhos e rabiscos evoluídos, começaram a deixar nos muros suas marcas e criar a própria linguagem. O graffiti para eles, sempre serviu como uma válvula de escape, e foi em 2005 em uma Galeria de Nova York que suas obras saíram das ruas e ganharam novos espaços.

OsGemeos e mais outros artistas da mesma geração, como Binho, Tinho Nomura, Speto, Viché, contribuíram para a arte urbana brasileira alcançar novos vôos, ser respeitada e admirada mundialmente.

San Francisco
San Francisco
Atenas
Atenas

Hoje é impossível não reconhecer os traços envolventes e expressivos dos irmãos. Para eles, a inspiração vem da sensibilidade, em como os impulsos transformam os sonhos em realidade e dão a possibilidade de criar em trens, avião, carros, instrumentos musicais, painéis, murais, esculturas e em tudo o que pode se imaginar.

Os artistas estão em exposição em São Paulo na Galeria Fortes Vilaça, com “A Ópera da Lua”, que traz mais de trinta pinturas inéditas, três esculturas, uma instalação musical, uma vídeo-instalação tridimensional e uma escultura surpresa.

Nós do Mistura Urbana somos admiradores e super fãs, e para nós foi uma honra ter batido um papo com eles. Confira!!

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1- Vocês começaram cedo no mundo das artes, e uma companhia muito constante era da mãe de vocês. Isso incentivava?

OG: Nossa família sempre nos incentivou muito! Nosso irmão mais velho, o Arnaldo, sempre desenhou! A gente via aquilo e queria fazer também. Aprontamos muito em casa, de pintar o quarto quando a nossa mãe não estava em casa. A gente ganhava brinquedo novinho e desmontava ele todo pra montar do jeito que a gente queria. Nossos pais aceitavam isso, foi importante. Mesmo quando decidimos sair de nossos empregos formais para viver de nossa arte, e com o receio que toda família teria, eles nunca nos desestimularam.

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2- Como é o processo de criação?

OG: Nosso processo criativo vai do lúdico ao drama, mas sempre focando o lado positivo das coisas, por mais que ele tenha um diálogo questionador. Procuramos não teorizar sobre nossa arte para que as pessoas encontrem por si todos os possíveis significados nela contidos. O papel da arte para nós não é só o estético, mas o seu poder transformador de levar informações às pessoas de uma forma direta, seja ela clara ou camuflada, escondida atrás de uma flor ou de uma máscara.

Boston
Boston

3- Como foi a criação da identidade visual?

OG: Nos anos 80, quando começamos a pintar grafitti, pouca coisa sobre o Hip Hop nos EUA conseguia chegar até o Brasil. Materiais também – tivemos que aprender a adaptar as coisas que tínhamos aqui para poder pintar. Se não havia um bico de spray específico, a gente adaptava bico de desodorante e por ai vai. Quanto ao estilo, também foi importante esse distanciamento. Quando decidimos que queríamos viver de nossa arte, estudamos muito juntos. Esse período de imersão foi de extrema importância para que aprofundássemos nosso relacionamento também, aprendendo cada vez mais a trabalhar juntos. Isso evoluiu para o que hoje é o nosso estilo único.

OsGemeos + Blu - Lisboa
OsGemeos + Blu – Lisboa

4- E o universo Tritrez, me conta um pouco sobre esse mundo mágico que habitam os personagens.

OG: Para nós, esse mundo é real. Falar sobre esse mundo é muito difícil, por isso achamos que o melhor modo de trazer esse mundo para as pessoas é através de nossas obras.

Avião seleção brasileira
Avião seleção brasileira
Projeto Wholle train 2007
Projeto Wholle train 2007

5- De 2005 pra cá, quando foi a primeira exposição em NYC vocês não pararam mais de rodar o mundo, e ajudar o graffiti brasileiro a ser respeitado e conhecido. Como é isso para vocês?

OG: Nós fomos parte de uma galera que começou o graffiti em São Paulo, não fomos os únicos. Tem muita gente boa que começou uma história nas ruas e agora também desenvolve um trabalho paralelo com galerias. Para nós, pintar na rua ou fazer uma mostra em um espaço expositivo são coisas completamente diferentes! A estética de algumas obras feitas na rua pode até ser similar com a estética que usamos em obras para galerias e museus, mas o graffiti está na rua. É feito sem ninguém te dizer como, onde e quando. Você vai lá e faz….e essa obra terá uma relação direta com a paisagem em que está inserida, as pessoas que circulam de lá. Já num espaço expositivo, você tem um quadrado em branco, limpo…que te possibilita uma infinidade de coisas, pois não tem as mesmas interferências que a rua tem. Dentro desse espaço em branco, podemos recriar o nosso universo, com pinturas, esculturas, instalações!

São Paulo
São Paulo

6- O que estimula e os inspira no dia a dia?

OG: Nosso trabalho é baseado em nossa sensibilidade, em como vemos a vida, no nosso impulso de transformar os sonhos em realidade. Baseia-se no modo como filtramos todas as informações que recebemos, o que sentimos e acreditamos. E tem também a questão do valor que damos aos detalhes, que sempre foram um elemento muito característico em nosso trabalho, sempre um grande oceano de informações, todas elas bem organizadas, elaboradas e muito bem estudadas. Sempre valorizamos o estilo como base forte e consistente em nossa obra, gostamos da arte que você olha e sabe quem é o artista, com traço, estilo e conteúdo únicos, e daquela arte que emociona, sem precisar de explicação, e com a qual a pessoa possa se identificar. Temos a arte como discurso, e não o discurso como arte.

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Por último, deixem um recado para os leitores do Mistura Urbana que amam o trabalho de vocês.

OG: Acreditem sempre nos seus sonhos! Tudo o que é de verdade, vale a pena! Não deixem de visitar a nossa exposição no Galpão Fortes Vilaça! Um grande abraço para todos!

Expo: "A ópera da lua"
Expo: “A ópera da lua”

Veja tudo o que já postamos sobre eles, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Serviço

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Mais sobre os artistas aqui, aqui e aqui.

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Natt Naville

Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

3 Comentários

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  1. […] Confira a entrevista que fizemos com eles aqui. […]

  2. […] os artistas que já contribuiram deixando sua marca em Wynwood estão Os Gemeos, Invader, Kenny Scharf, FUTURA 2000, Dearraindrop, FAILE, BÄST, Shepard Fairey, Aiko, Sego, Saner, […]

  3. […] Pintura do artista Eduardo Kobra em Nova York. Fonte Intervenção crítica de Banksy em um muro. Fonte Intervenção crítica dos Gêmeos em um viaduto de São Paulo. Fonte […]

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