ARTE EM PAPEL: ENTREVISTA COM CLAIRE BREWSTER - MISTURA URBANA

ARTE EM PAPEL: ENTREVISTA COM CLAIRE BREWSTER

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texto por BERENICE TABOADA DÍAZ

Utilizando mapas e atlas velhos e desatualizados como matéria-prima, esta artista britânica recorta silhuetas incríveis de pássaros, plantas e insetos. Já falamos dela em outro post, mas agora tivemos a oportunidade de entrevistá-la. De jeito amável, a moça nos contou como é sua relação com a arte, como começou a ver animais nos mapas e porque desenha pássaros beija-flor, entre outras coisas.

Confira!

Estes detalhados recortes que você faz, tem a ver com o mapa onde você os coloca? Quero dizer, você escolhe um pássaro de, sei lá, a Rússia, se você estiver fazendo isso em um mapa russo ou o desenho é apenas feito num lugar por acaso?
Ambos, às vezes eu me sinto inspirada no mapa e outras sinto-me inspirada no pássaro mesmo. Muitas vezes é difícil de descrever por que o pássaro e o espaço no mapa vão juntos. Eu também faço peças onde o pássaro é do mesmo país que o mapa, um exemplo disso seria The Harbingers, que cortei de mapas britânicos.

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Você geralmente representa pássaros na sua arte. De que forma você se sente atraída por eles? Que tipo de pássaro você gosta mais e por quê?
Eu amo os pássaros porque eles representam a liberdade para mim. As aves podem voar para qualquer lugar, independentemente das fronteiras. Meus favoritos são os beija-flores, eu adoro a forma como eles são tão pequenos e ainda podem voar distâncias incríveis, além disso eles tem belas cores.

Você viveu na Espanha e na Romênia. Como foi isso? Teve a chance de fazer algumas exposições de arte nesses países?
Eu morava na Espanha e Romênia ensinando inglês como língua estrangeira quando saí primeira faculdade. Eu não sabia o que fazer com a minha vida, então decidi viajar um pouco e ver o que acontecia. Eu trabalhei como secretária em vários escritórios de arquitetura, até um ano atrás. Eu realmente não fiz muita coisa a ver com a arte quando estava na Espanha ou na Romênia ou nada que eu teria mostrado a ninguém.

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Você costuma fazer peças personalizadas. Alguma vez você teve que fazer algo que você não gostava tanto?
Já fiz algumas peças que eu realmente não gosto, e não estava feliz com elas. Normalmente porque o cliente está tentando controlar muito o processo. Agora estou tentando dizer não a esse tipo de projetos.

Você estudou Constructive Textiles. Eu quero saber como isso influenciou o seu delicado trabalho.
Isso me deu um amor pelos processos. Eu me especializei em tapeçaria que é um processo muito pesado, então eu realmente gosto de fazer as coisas em que o processo é quase tão importante quanto a arte final.

Você disse em outra entrevista que você trabalhou durante anos como secretária antes de um rompimento ruim que serviu como catalisador se dedicar finalmente a arte. Como foi esse processo e por que você escolheu mapas e atlas? Você teve mais momentos de quebra em sua vida que lhe fizeram mudar completamente o seu caminho?
Eu estava fazendo arte antes deste intervalo, mas não a promovia ou vendia. O rompimento foi realmente um catalisador para tornar mais profissional o meu trabalho. Eu não estou realmente certa de que havia um processo, eu realmente não estava planejando alguma coisa, é mais um sentimento de agora ou nunca e que eu precisei para me tornar autossuficiente com a minha arte. Isso me fez ficar muito mais focada em mostrar meu trabalho no mundo. Eu estive trabalhando por um longo tempo fazendo colagens e usando mapas como o ponto de partida do meu trabalho, por isso o salto para cortá-los não foi tão grande. Na época as aves foram significativas para mim porque eu me sentia presa e eles pareciam muito livres.
Eu não acho que eu realmente não tive outro momento que me fizera mudar completamente o meu caminho novamente.

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Qual foi a sua maior realização como artista?
Me tornar uma artista em tempo integral. Ter o meu trabalho selecionado para o show de verão da Royal Academy em 2013

Você já foi a América do Sul? O que você sabe sobre o Brasil?
O mais próximo que eu fui é o México, que eu visitei 3 vezes. Eu adoraria explorar mais essa região. Eu sei que o Brasil é um país enorme, que a Amazônia está lá e é famosa pela música, a arquitetura e o capoeira.

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Você pode nos recomendar outro artista contemporâneo que você gosta?
Justine Smith – ela faz obras de papel e esculturas incríveis

ENGLISH VERSION

These detailed sculptures you make has to do with the map? I mean, do you choose a bird from, I dunno, Russia, if you are doin it on a Russian map or it s just by hazard?
Both, sometimes I feel inspired by the map and sometimes I feel inspired by the bird.  Often it’s because the go together somehow, which hard to describe why.  I also do make pieces where the bird is from the same country as the map, an example of that would be The Harbingers, which is sparrows cut from British maps.

Most of your art represent birds. In which way do you feel attracted to them? Which kind of bird you like the most and why?
I love birds because they represent freedom to me.  Birds can fly anywhere they feel, regardless of borders.  My favourite birds are hummingbirds, I love how they are so small yet can fly amazing distances and they are such beautiful colours.

You lived in Spain and Romania. How was that? Did you have the chance to make some art exhibitions in those countries?
I lived in Spain and Romania teaching English as a Foreign language, when I first left college, I didn’t know what to do with my life so I decided to travel a bit and see what happened.  I worked as a secretary in several architecture practices, up until a year ago.  I didn’t really do any art when I was in Spain or Romania or certainly not that I would have shown anyone.

You usually make custom pieces. Did you ever have to do something you didn´t like so much?
I’ve done a few pieces I didn’t really like, and wasn’t happy about them.  Usually because the client is trying to control the process too much.  These days I usually say no to those kind of projects.

You studied Constructive Textiles. I want to know how that influenced your delicate work.
It gave me a love of process, I specialized in tapestry weaving, which is very process heavy, so I really enjoy making things where the process is almost as important as the finished artwork.

You said in another interview you worked for years as a secretary before a bad breakup served as a catalyst to get her into art. How was this process and why did you choose maps and atlases? Did you have another break moments in your life that made you completely change your way?
I had been making art before the break up, but not really promoting it or selling it.  The breakup was really a catalyst for becoming more professional about my work. I’m not really sure there was a process, I wasn’t really planning anything, it more a feeling of now or never and that I need to become self sufficient with my art. It made me much more focussed on getting myself and my work in the world.  I had been working for a long time making collages and using maps as the starting point of my work, so the leap to cutting them wasn’t that great, at the time birds appealed because I felt trapped and they seemed very free.

Which was your greatest achievement as an artist?
Becoming a full time artist.
Having my work selected for the Royal Academy Summer show in 2013

Have you ever been un South America? What do you know about Brazil?
The nearest I’ve got is Mexico, which I’ve visited 3 time.  I would love to explore that region more.  I know that Brazil is a huge country, that the amazon is there and it is famous for music, architecture and capoeira.

Can you recommend us another contemporary artist who you like?
Justine Smith – she makes amazing paper works and sculptures

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