[Entrevista] SP Invisível, a cidade que ninguém vê - MISTURA URBANA

[Entrevista] SP Invisível, a cidade que ninguém vê

O projeto SP Invisível é um convite a olhar São Paulo com uma ótica mais humana, e a conhecer as histórias das pessoas que fazem parte dessa cidade e às vezes não receberem o devido valor, são elas: trabalhadores comuns, artistas independentes e moradores de rua.

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Com apenas uma foto e um texto em primeira pessoa somos apresentados a esses cidadãos que agora ganham novos rótulos, como “Empreendedores” e “Torcedores”, e ouvimos suas experiências, visões políticas e opiniões sobre o que é preciso para São Paulo ser uma cidade mais democrática.

As histórias são contadas pelas mãos de Vinicius Lima e André Soler em perfis nas redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter e Youtube. Aproveitamos e conversamos com Vinicius sobre o projeto, confere ae!

– Como surgiu a ideia de fazer o projeto SP Invisível?
V: O SP invisível surgiu de um incomodo com a situação que vivemos hoje em São Paulo, um monte de pessoas andando que se encaram e se esbarram, mas ninguém se olha ou percebem umas nas outras.

O que vocês classificam como “ser invisível” em uma mega metrópole como São Paulo?
V:
Uma pessoa invisível mesmo, hoje em dia, considero os moradores de rua, e alguns empregos que são de uma dignidade enorme, mas não reconhecidos, pois não ganham muito dinheiro como a faxineira ou o gari. Porém, o que queremos mostrar que é o “invisível” mesmo, são as histórias. Ninguém para pra pensar que por trás de cada um tem uma história.

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“Olha, se eu tivesse algum poder, eu ia falar pro pessoal esperar um pouquinho, a gente pode ter Copa do mundo, o brasileiro sempre gostou de futebol, a Copa sempre foi uma festa, mas como é na nossa casa, vamos esperar, resolver nossos problemas e aí a gente daria uma festa bonita pra todo mundo. (…)” – Lurdinha para SP Invisível

– Vocês acham que mesmo em São Paulo que abriga tanta diversidade as pessoas são resistentes em lidar com o que é diferente delas?
V: Sim, mas isso em qualquer lugar, acredito que a gente não tem preconceito com o homossexual, negro ou nordestino. Nosso preconceito é com o outro, tudo que é diferente da gente, por mais que aceitemos às vezes e até um ponto, ainda é meio estranho.

– Vocês divulgam histórias de trabalhadores comuns, artistas e moradores de rua. Como vocês conhecem essas pessoas?
V:
A maioria das pessoas entrevistadas, a gente conhece na hora. Estamos andando na rua e pensamos “vamos falar com ele?”

– E elas são receptivas?
V:
Algumas sim, outras contam a história, mas não querem foto, outras nem isso.

– Como elas se sentem ao saberem que terão sua história contada nas redes sociais?
V: Muitos gostam, já até imprimi a história com a foto pro seu Luiz, da travessia segura, mas pra muitos é meio indiferente.

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“Se o governo não da espaço pro artista, a gente cria nosso espaço” – Fábio Pádua e Willian Fedrizzi

Vocês fizeram uma série com os moradores de rua, que talvez sejam as pessoas mais invisíveis em São Paulo, como vocês comparam a reação das pessoas ao lerem a história delas na internet com a forma como são tratadas no dia a dia?
V:O primeiro contato é meio chocante, mas acredito que é um tapa na cara necessário. Já ouvi muitos depoimentos de pessoas falando que hoje andam na rua percebendo bem mais as pessoas e respeitando cada uma delas, quando podem até ajudam os moradores de rua, conversam e tudo.

  -Desde o lançamento do projeto nas redes, já aconteceu algo que vocês consideram marcante?
V: As histórias são marcantes, mas fizemos um evento na páscoa em que distribuímos ovos de pascoa e cobertor para os moradores de rua, marcou muito também. Procuramos manter contato com alguns também, quando ouvimos que um saiu da rua ou que conseguiu emprego, é maravilhoso.

O que vocês esperam alcançar com o projeto?
V:
Esperamos mudar o modo de ver das pessoas, para aí elas serem a mudança no ambiente delas.

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“(…) Tem um pessoal que olha com preconceito, acham até que eu quero esmola só porque eu sou feirante. Onde já se viu? Mas nem ligo também…”Rachel de Cássia

Informações:

Facebook
Instagram – @SPInvisivel
Youtube
Twitter – @SPInvisivel

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2 Comentários

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  1. […] |Matéria por Andreia Magalhães, para o Mistura Urbana […]

  2. […] Confira também nosso post sobre o projeto SP Invisível : um convite a olhar São Paulo com uma ótica mais humana, e a conhecer as histórias das pessoas que fazem parte dessa cidade e às vezes não receberem o devido valor, são elas: trabalhadores comuns, artistas independentes e moradores de rua. (aqui) […]

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