[Entrevista] Christoph Rehage e seu longo caminho pela China - MISTURA URBANA

[Entrevista] Christoph Rehage e seu longo caminho pela China

Sunset over Wang Family Courtyard in Shanxi. January 2008.
Sunset over Wang Family Courtyard in Shanxi. January 2008.

Entrevista por Lila Varo e Natt Naville
Texto por Natt Naville

Já contei para vocês (aqui) a experiência incrível do alemão Christoph Rehage que ousou na maneira de viajar e conhecer novos lugares. Ele percorreu 4500 kilômetros a pé, saiu de Pequim e chegou até a cidade de Ürümqi na China.

Essa história começou em 2007 mas até hoje sua história é contada, então me pus a pensar em tudo o que ele poderia ter visto, sentido e experienciado ao longo dessa jornada, e fiquei aqui pensando no tamanho do crescimento interno que ele teve, nas pessoas que cruzou o seu caminho, no som que ele mais ouviu no Ipod.

030_Kinder_Wulipu_300dpi.jpg-27836567adec741c

Com tanta curiosidade resolvemos mandar um email para ele, e Christoph nos respondeu com muita sinceridade sobre alguns momentos da trip e eu compartilho agora com vocês. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi quando perguntei sobre as grandes conclusões e insights que ele teve sobre a vida nessa jornada, e ele me disse que o importante é saber quais são as suas prioridades, o que é certo para cada um de nós ou o quanto em algumas circunstâncias temos que sacrificar determinadas coisas para conseguirmos outras.

Sobre algumas passagens que valeram a pena, ele citou a ótima hospitalidade das pessoas no interior da China. Foi nos pequenos vilarejos, que ele encontrou sorrisos por todos os lados e a experiência de se chegar em algum local onde não havia pousadas, mas o dono da casa oferecer um quarto.

1751918031-christoph-rehage-grosses-abenteuer-hinter-sich-etwa-jahr-lang-durch-china-asien-gewandert-gR34

Viajar sozinho é algo muito bacana e que aprecio demais, porque você tem a oportunidade de se conhecer melhor e se abrir para estar em contato com mais pessoas; parece que o seu coração vai te levando para os locais e simplesmente tudo vai se alinhando e acontecendo. E falando em lugares, fico imaginando as paisagens por onde ele passou, Christoph me contou que não costumava gostar de montanhas, que não achava lá grande coisa, mas que quando caminhou à 3500 metros de altitude e deitou sobre a montanha do Norte do Tibete, isso mudou. “Olhei para as nuvens acima de mim. E, naquele momento, eu juro que eu senti que a Terra era redonda nas minhas costas”, relembra.

Uma viagem de um ano é tempo pra caramba e além de conhecer pessoas você passa por diversas situações, Christoph conta que se perdeu algumas vezes em lugares selvagens, quase brigou outras tantas e que por um triz quase fizeram xixi nele, (não entrei muitos nos méritos dessa passagem). Ele contou também que ganhou de presente uma noite com uma prostituta.

Partial solar eclipse in Dunhuang. August 2008
Partial solar eclipse in Dunhuang. August 2008

Além de ficar super cabeludo e retratar a mudança do visual durante a trip, Christoph disse que uma das maiores dificuldades nesse período foram as decisões para iniciar e parar a viagem, esses dois pontos o mudaram muito também. Ele disse: “Eu aprendi que posso começar a caminhar. E aprendi que posso parar. É como se fosse a invenção da minha roda pessoal”.

The Longest Way 1.0 – walk through China and grow a beard! – TIMELAPSE from Christoph Rehage on Vimeo.

Em uma viagem caminhando o dia todo e somente com algumas travessias inevitáveis de transporte de barco ou avião, uma coisa que não pôde faltar é a música. Para ele a faixa “Big Rock Candy Mountain” do Harry McClintock foi uma das mais tocadas durante a aventura. Com tantos dias, tantas horas longe de casa, acabamos sentindo saudades de algumas coisas e não tantas de outras; para ele a maior falta foi de sua namorada e o fato de não receber e nem ver os emails foi o que menos sentiu saudades.

Atop Mount Hua at 2194m. February 2008
Atop Mount Hua at 2194m. February 2008
Hui minority mother & child. March 2008
Hui minority mother & child. March 2008

Nessa jornada que já virou livro “The Longest Way” (O mais longo caminho) e que também ganhou diversos prêmios, ele reflete que existem diversos momentos que rasgam o seu coração todas as vezes que pensa neles, mas que não gostaria de voltar para eles, mas sim de encontrar outros tantos como aqueles novamente na estrada.

945042_10152796433710297_965402846_n

A preparação da aventura durou um ano e incluiu pesquisar bastante sobre os locais por onde iria passar, sobre os equipamentos que precisaria e coisas do gênero. Mas acima de tudo o que mais pesou foi o momento de decidir se era exatamente isso que ele queria fazer, precisava ter a certeza. E ele teve!

Mais sobre essa história incrível aqui e aqui.

White yaks in the highlands of Tianzhu. May 2008
White yaks in the highlands of Tianzhu. May 2008
Vast empty spaces in Western China. September 2008
Vast empty spaces in Western China. September 2008
Heaven Lake in the Tianshan mountains. October 2010
Heaven Lake in the Tianshan mountains. October 2010

ENGLISH VERSION

We´ve already told you guys about the incredible experience of Christoph Rehage who changed the way we look to travel and getting to know places. He traveled 4500 kilometers by foot, leaving Beijing and arriving to the city of Urumqi in China.

This story began in 2007 but even today his story is still told, so I began to think of everything he must have seen, felt and experienced along this journey, and how much he must have grown from this experience, the people that crossed his path, the music he listened the most on his iPod…

All this curiosity made me decide to send an email to him, and Christoph replied very honestly about some moments of the trip I´ll now share them with you. One of the things that caught my attention was when I asked about the major discoveries and insights he had about life on this journey, and he told me that the important thing is to know what your priorities are, what is right for each one of us or how in some circumstances we have to sacrifice certain things to get others.

He also mentioned the great hospitality of the people in China. It was in the small villages, he found smiles everywhere and about the experience of arriving somewhere where no bed and breakfast, but the owners of the houses would often offer a room.

Traveling alone is something that I find cool and I also enjoy that, because you have the best opportunity to meet and open up to new people; it seems that your heart takes you to the places and everything will just line up and flow. And speaking of places, I also wondered about the landscapes of where he went, and Christoph told me he used to not like mountains very much, he didn´t think much of them, but when he walked about 3500 meters up in altitude and laid on the North Mountain of Tibet, and everything changed. “I looked at the clouds above me. And at that moment, I swear I felt that the earth was round at my back,” he recalls.

A on year journey is long as hell and beyond meeting people you go through different situations, Christoph told me that sometimes he lost in wild places, almost had a few fights and for a close call almost had someone pee on him, (I didn´t get much into that though). He also told that at one point he got as a gift a night with a prostitute.

Besides getting a super long hair and portraying his visual change during the trip, Christoph said one of the biggest difficulties in this period were the decisions to start and stop the journey, these two things have changed him a lot too. He said: “I learned that I can start walking and I learned that I can stop, it is like the invention of my own personal wheel…”

On a trip walking where you walk all day and only with some unavoidable crossings transportation by boat or plane, something that could not be missing is the music. For him the song “Big Rock Candy Mountain” Harry McClintock was one of the most played during the adventure. With so many days, so many hours away from home, just yearning for some things and others not so much, for him the greatest thing he missed was his girlfriend and the fact of not being able to receive emails was the thing he missed the least.

The journey that has become book “The Longest Way” and won several awards, he reflects that there are many moments that tear your heart every time I think of them, but he would not want to go back to them, but to find as many as those on the road again.

The preparation of adventure lasted a year and included searching a lot about the places where I would go through and about the equipment he would need. But above all the most difficult part was deciding if it was exactly what he wanted to do, and he needed to be sure. And he was!

You can check more about his amazing journey here and here.

Comments

comments

0 Comentários

Junte-se a conversa →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *