Fintan Magee :: suas criações surreais e figurativas dentro do espaço urbano [Entrevista] - MISTURA URBANA

Fintan Magee :: suas criações surreais e figurativas dentro do espaço urbano [Entrevista]

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Nascido em Lismore NSW, Austrália, Fintan Magee se mudou para Brisbane quando criança e começou a desenhar logo em seguida. No início da adolescência ele conheceu a cultura do graffiti de Brisbane e passou a rabiscar o seu nome em toda a cidade, com grandes letras vibrantes.

Afastando-se do graffiti tradicional nos últimos anos, seus murais muitas vezes habitam os cantos isolados, abandonados e quebrados da cidade. Misturando imagens surreais e figurativas, suas pinturas estão profundamente integradas com o ambiente urbano e os temas como resíduos, o consumo, a perda e a transição fazem parte de suas criações.

Confira o bate papo com ele:

1- Quando você começou a pintar?

Eu comecei a pintar e desenhar muito jovem. Meu pai era um artista e fazia escultura, e minha mãe era arquiteta e paisagista, então eu sempre cresci rodeado por materiais de arte e desenhos gráficos, era apenas uma questão de tempo antes de começar a desenhar mesmo.

2- Você é um artista que foge da criação do graffiti tradicional. Como isso reflete em seu trabalho?

Eu comecei a fazer graffiti tradicional quando eu tinha 13 anos, e realmente aprecio este tipo de arte. Quando eu era mais novo eu estava envolvido nos aspectos mais intensos da cultura, eu estava interessado particularmente em “train bombing”. Eu acho que depois de um ser preso algumas vezes e depois de pintar muitas peças eu comecei a ficar cansado da velha fórmula. Quando eu comecei a me afastar do “train bombing” e pintar mais paredes (essa é a fórmula do graffiti tradicional) então isso começou a ficar mais redundante para mim, pois meu graffiti sempre foi sobre os trens e se eu estava pintando uma parede, eu tinha mais tempo para pintar. Eu prefiro muito mais experimentar diferentes imagens e ideias, então parei de grafitar e comecei a pintar murais mais desenvolvidos.

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3- Suas artes ganham vida nas paredes. Como é seu processo criativo?

É um processo passo a passo, eu venho com o conceito depois de ver a parede, faço alguns esboços e tiro fotografias das figuras como referência visual. Os meus projetos para murais são sempre feitos com a foto. Eu não uso muito spray para pintar mais, uso principalmente tintas de casa padrão.

4- O que inspira você?

Acho que o meu ambiente é a minha maior inspiração, eu gosto de cada peça específica, então meu trabalho é sempre uma reação dentro do espaço que estou pintando. É difícil perguntar à um artista de onde vem a inspiração porque muitas vezes eles não sabem ou há tantas fontes que é difícil colocar em palavras.

5- Você mistura imagens surreais com imagens figurativas. Quais são os temas de sua arte e que mensagem você quer passar para as pessoas?

Eu nunca tomei a decisão do meu trabalho ser surreal, eu acho que às vezes, quando você é um artista, você faz coisas e eu não sei exatamente o por quê. Eu gosto de vários trabalhos surrealistas. Acho que encontro a realidade muito surreal e meu trabalho reflete nisso, eu tento incorporar uma série de temas para o meu trabalho e eles se relacionam de alguma forma com o meu dia-a-dia e com a minha vida. Minha experiência com o dilúvio que aconteceu em Queensland tem sido um tema comum no meu trabalho ultimamente e muitas experiências da infância são incorporadas em meu trabalho, problemas com o meio ambiente e os impactos das alterações climáticas são um tema comum, e eu acho que os laços em meu trabalho giram em torno do dilúvio.

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6- O que é importante para a sua criação?

Eu acho que a memória é importante, meu trabalho é muitas vezes nostálgico, especialmente quando pinto em espaços abandonados.

7- Que lugar você gostaria de ir? E o Brasil gostaria de vir pintar aqui?

Eu adoraria ir ao Brasil, agora eu também realmente desejo visitar Detroit e pintar mais na Europa Oriental.

8- Você não poupa espaço e usa todas as superfícies disponíveis. Fale um pouco mais sobre.

Acho que sempre me aproximo de uma parede como uma tela inteira, então sempre quero produzir um trabalho em maior escala possível.

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9- O que tem feito ultimamente?

Tenho trabalhado no meu estúdio nestas últimas semanas, porque eu tenho algumas exposições que preciso preparar. Espero ir para rua novamente em breve.

10- Por último, deixe uma mensagem para os leitores que curtem o seu trabalho.

Obrigado pela leitura e espero que gostem do trabalho.

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ENGLISH VERSION

1- When did you start painting?

I started painting and drawing very young. My dad was an artist and sculpture and my mum was a landscape architect so I always grew up surrounded by art materials and graphic drawings, it was only a matter of time before I started drawing aswell.

2- You are an artist who flees the creation of traditional graffiti. How this reflects in your work?

I started to do traditional graffiti when I was 13, I really appreciate this form of graffiti. When I was younger I was involved more in the hardcore aspects of the culture, I was particularily interested in train bombing. I guess after a being arrested a few times and after painting many pieces I started to get tired of the old formula. When I started to move away from train bombing and painting more walls this traditional graffiti formula started to feel more redundant to me, for me graffiti has always been about trains and if I was painting a wall and had more time to paint I would much rather experiment with different imagery and ideas, so I stopped graffiti and I started painting more developed murals.

3- Your arts come to life on the walls. How is your creative process?

Its a step by step process, I come up with the concept after I see the wall, do some rough sketches and then take photographs of the figures for visual reference, my designs for murals are always done with photo’s. I then paint the wall, I don’t use much spray paint any more, mainly just use standard house paints.

4- What inspires you?

I guess my environment is my biggest inspiration, I like every piece to be site-specific so my work is always a reaction to the space I am painting in. Its hard asking an artist where there inspiration comes from because often they don’t know or there are so many sources that its hard to put in words.

5- You mix surreal images with figurative images. What are the themes of your art and what message you want to pass to people?

I never made a decision for my work to be surreal, I guess sometimes when your an artist you do things and you don’t know exactly why, I do enjoy a lot of surrealist works though. I guess I find reality pretty surreal and mywork reflects that, I try to incorporate a lot of themes into my work and most relate in some way back to my day to day life. My experience with the Queensland flood has been a common theme in my work lately and a lot of childhood experiences are incorporated into my work, issues with the environment and the impacts of climate change are a common theme and I guess that ties into my work around the flood.

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6- What is important for your creation?

I think memory is an import and my work is often nostalgic, especially when painted in abandoned spaces.

7- What place would you like to go? Would you like to come to Brazil to paint?

I would love to come to Brazil, right now I also really want to visit Detroit and paint more in Eastern Europe.

8- You do not skimp on space and uses every available surface. Talk a little more about it.

I guess I always approach a wall as a whole canvas and always want to produce work on the largest scale possible.

9- What have you done recently?

I have been working in my studio these last couple weeks as I have some exhibitions I need to prepare for, hopefully I get outside again soon.

10- Lastly, leave a message for all readers who enjoy your work.

Thanks for reading and I hope you enjoy the work.

Mais dele em: www.fintanmagee.com e www.facebook.com/fintanmageeart

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Natt Naville

Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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