[Entrevista] Orra meu!! Aqui é Mooca, belo!!!!! - MISTURA URBANA

[Entrevista] Orra meu!! Aqui é Mooca, belo!!!!!

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Você não precisa nem morar em São Paulo pra saber da existência da gloriosa Mooca. O bairro é um dos mais tradicionais e antigos (em 1556 houve a primeira citação referente ao bairro ) do Brasil, conhecido pela imensa quantidade de famílias descendentes de italianos.

Ela é uma das grandes (ainda bem!) culpadas pela profusão de tradicionais cantinas e pizzarias de São Paulo e só por você encontra mais de 100 delas.

Pra quem mora, frequenta ou conhece pessoas que são da Mooca, uma das coisas que mais chamam a atenção é o dialeto e o sotaque de quem é de lá. Afinal quando você junta índios com italianos e portugueses, vai rolar um jeito nada menos que peculiar de conversa, que você só encontra por lá. Os famosos “orra, meu” e o “belo” já foram pauta para se tornarem o primeiro bem imaterial protegido de Sampa.

Falei tudo isso pra dizer que a Mooca é um bairro apaixonante que vale a pena conhecer. Conversei com o fotógrafo Bruno Mooca (o sobrenome dele não é Mooca mas a paixão é tanta que não existe ninguém que o conheça por outro nome) que ocupa seu tempo livre entre um trampo e outro, retratando o bairro em que cresceu e que até hoje habita.

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Sabemos que você profissionalmente tira fotos de eventos, mas hoje vamos falar do seus trampos que rolam no seu tempo livre. Mais precisamente da Mooca. Mas, antes de mais nada, conta pra gente um pouco mais sobre você.

Primeiramente, queria dizer que fiquei muito feliz com o convite pois acompanho o MU diariamente! Vamos lá… sou fotógrafo desde 2007, clico eventos em geral, sociais, corporativos, shows, além de gastronomia, arquitetura, produtos, enfim, de tudo um pouco, gosto dessa variedade. “E posso dizer que minha vida em geral TAMBÉM é bem variada. Tenho 31 anos, 30 de mooca, palmeirense, decêndencia italiana que aflora em momentos de nervosismo, ciclista, se eu pudesse eu moraria em Ubatuba, apesar de amar e odiar São Paulo, amo cervejas artesanais, amo viajar e fotografar todas as paisagens na minha frente e o principal: sou péssimo pra falar de mim.

Como foi crescer na Mooca?

A Mooca é um lugar em que todos que nasceram ou cresceram aqui, criaram paixão pelo bairro, levam o nome com muito orgulho devido a sua mistura de colônias e o jeito único de amizade entre moradores e famílias. Grande parte da minha família mora aqui devido a descendência italiana e comigo não foi diferente, muitas amizades desde criança e o jeito familiar fizeram com que o amor pelo bairro crescessem de forma natural. Aprendi a viver na rua, coisa rara hoje em dia. Era o dia todo jogando futebol, atormentando a vizinhança, empinando pipa, jogando taco, fliperama no barzinho da esquina, perder a hora de voltar pra casa e tomar um dos maiores sustos da vida, quando meu pai me arrancou de um pinball me puxando pelas orelhas e assim fomos até entrar em casa, por 2 quadras… futebol e mais futebol, bicicleta, patins, hockey… coisa rara nas ruas paulistanas de hoje em dia.

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Com certeza então foi essa sensação de “estar em casa” que te levou a clicar a Mooca, né? O que te levou a escolher a arquitetura do bairro como tema de suas fotos e não as pessoas?

Creio que sim, retratar o local que cresci, além da preocupação em registrar patrimônios históricos, que são demolidos diariamente para a construção de condomínios e prédios. A arquitetura da Mooca é bem diversificada, temos casarões de 1915, 1927, com fachadas conservadas por moradores, porque se dependêssemos da prefeitura, já estariam no chão… foi essa a ideia inicial, retratar o que um dia vai acabar e que foi a vida de nossos avós e bisavós. Mas as pessoas, velhinhos italianos típicos daqui e de outras nacionalidades, fazem parte de um projeto que está em andamento.

Você tinha isso em mente quando começou a tirar as primeiras fotos da Mooca?

As primeiras mesmo, antes de estudar fotografia, não tinham um propósito, mas depois dos estudos, criei um tema e comecei a clicar dessa forma, pensando na rápida verticalização que o bairro vinha sofrendo, nas ruas sem por-do-sol devido aos prédios sendo erguidos, na arquitetura única indo pra caçambas de entulho…

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O que te faz sacar a câmera e fazer a foto?

Ah, é simples… com o tempo você sabe o que ficará bom ou não numa foto. É o sentimento, algo que você olha e vem aquele estalo na cabeça: preciso clicar, cade minha câmera? Depende da luz que incide no local, da beleza, da originalidade. Não é qualquer hora que sai uma foto boa, as vezes vejo um local bacana e volto 2 ou 3 vezes até estar com uma luz bacana, sem carros na frente do imóvel, etc…

Agora… tirar fotos de pessoas x tirar fotos de um lugar: é realmente mais fácil de um lugar como parece ou nem tanto? Como você mesmo disse tem vezes que volta 2 ou 3 vezes pro lugar ate conseguir tirar a foto.

É mais fácil um lugar, mas cada um tem uma dificuldade. Voltar 2 ou 3 vezes num local é mania de perfeição, fotografar pessoas envolve um pouco de sentimentos, de afinidade. Dependendo da pessoa e do propósito, você ainda precisa agradar a pessoa que fotografou, um casarão não fala nem tchau hahahhaahahah

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Que mensagem você espera deixar para as pessoas com as suas fotos?

Eu sei que sou minoria e na verdade temos problemas maiores a serem resolvidos pela nossa prefeitura, mas a ideia sempre foi mostrar a riqueza arquitetônica do bairro, os locais históricos que estão sendo demolidos ao invés de preservados e a beleza desses locais que ficam tão escondidos e esquecidos. Tombar patrimônios em fotos, já que na realidade isso não acontece.

Por último, alguma história especial que aconteceu com você durante esses tempos clicando o bairro?

Teve o último incêndio no Armarinhos Fernando. Estava clicando e uma moradora de frente do incêndio me chamou pra clicar da janela do seu sobrado, fui entrando, subi, cliquei e quando percebi, ela estava cozinhando e me largou naquele quarto como se fossemos amigos. Antes de sair, agradeci muito e perguntei: porque tinha me chamado pra entrar sem ao menos perguntar quem eu era. E ela respondeu: adoro fotografia e você tem cara de bonzinho, pensei em te ajudar. Saí com uma lágrima no olho e uma bela foto dos bombeiros.

 

Para ver mais fotos do fotógrafo acesse: www.brunomooca.com.br

 

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Lila Varo

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com

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