10 rolês fora do “circuito turístico chacota” pra se fazer em São Francisco - MISTURA URBANA

10 rolês fora do “circuito turístico chacota” pra se fazer em São Francisco

DowntownSF

texto por Berenice Taboada

 

São Francisco não parece em nada com tudo o que a gente imagina (que é uma cidade típica americana com muito barulho). O diferencial são as residências vitorianas, as colinas dos parques cobertas de gente fazendo pic nic, os bondinhos circulando pelas ruas com campainhas que fazem tlim-tlim e as pessoas pela rua com ar descontraído. Tudo isso faz a gente perceber que algo por lá é diferente dos outros lugares.
Se você já conhece Alcatraz, o Golden Gate, a Castro Street (o coração gay da cidade) e ainda Haight Ashbury (a capital do movimento Flower Power), então agora é tempo de re-conhecer a cidade dos bondinhos.

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Ir de bike até Sausalito
A cidade é o centro do ciclismo. De fato, foi lá  que nasceu a famosa “Massa Crítica”, em 1992, entanto os primeiros eventos da cidade eram na verdade nomeados Commute Clot. São Francisco está cheia de ciclistas de todo tipo. Você poderá ver na rua o ciclista com uma bike vintage, os que só a utilizam para ir trabalhar, os ciclistas experientes e os ciclistas casuais. Nos táxis, um adesivo que fala “olhe para trás quando descer” e tem uma imagem de uma bike em amarelo.

O roteiro funciona assim: você aluga uma bike (no Fisherman’s Wharf —a partir de 8 dólares por hora—) e pode dar uma volta de bicicleta na baía, começando pelo Fisherman’s Wharf, passando pelo Presídio, pela Marina, pelo Golden Gate e por último Sausalito. Este está localizado próximo da extremidade norte do Golden Gate, e antes da construção da ponte servia como estação final para o transporte público ferroviário, rodoviário e das balsas que operavam na cidade. Esta pequenina cidade está repleta de casas fofas, lojinhas, galerias de arte e restaurantes bacanas, como Le Garage, um bistrozinho francês bem gostoso ou Lappert’s, ideal para tomar um sorvete.

Se você gosta de exercício e curte andar de bicicleta, aproveite os  dias californianos ensolarados e sem neblina nem vento e vai dar uma volta por Sausalito!
Nota: E se cansar, tem volta de balsa. O centro de Sausalito é bem pequeno, e é muito fácil encontrar o ponto de onde os barcos saem.

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2.       “Faça você mesmo” já virou feira
Você alguma vez fabricou ou consertou algo por conta própria em vez de comprar ou pagar por um trabalho profissional? E imaginou que isso pode ser vendido numa feira gigante? O Bazaar Bizarre é isso mesmo, um espetáculo de entretenimento para mostrar o movimento de Faça você mesmo (em inglês “do it yourself”) e produtos artesanais, mas com espetáculos de entretenimento indie.
A cada ano, este mercado apresenta centenas de artistas e designers que vendem bolsas, cerâmica, camisetas estampadas, roupas de bebê, zines, cartazes e produtos para o corpo, entre outros.
Como os locais variam em cada show, para ter certeza de onde o seguinte show é realizado, visite o seu site para determinar o local.
Confira o seu Flickr de eventos passados

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3.       Um bar bem bacana
Barris de vinho, madeira (MUITA madeira), luzes antigas, cocktails gostosos, saletas e um ambiente vintage. Quando penso nisso, ao momento o nome “Tradição” vem à minha mente. Com uma estética muito similar aos bares do bairro argentino de San Telmo, o Bar Tradition representa-se como “A Distinguished Name Amongst Traditional Bars” (um nome distinto entre bares tradicionais) e a sua estética o afirma.
A particularidade do bar são as cabines-saletas privativas decoradas com anúncios de bebidas antigas, que acomodam 2-9 pessoas, dependendo da saleta. Nos velhos tempos, istas —às vezes chamadas de salas de fumo— foram umas pequenas salas geralmente bloqueadas com vidro fosco, para que ninguém pudesse ver quem estava lá dentro. Além disso, cada uma das seções do cardápio se corresponde a cada saleta: há uma coleção, inspirada em New Orleans, de bebidas e uma coleção tiki (do Hawaii), uma seção clandestina onde todas as bebidas são servidas em frascos de pedreiro e um chamado The Grand Hotel, com bebidas criadas em grandes hotéis antigos.
Aliás, como não é um bar muito conhecido, por causa de  sua localização, ele não fica cheio de gente como os bares da Mission Street, então é ideal para pegar um drink e bater papo a noite inteira.
Onde: Jones Street 441, no bairro da TL/Union Square. Para saber como chegar, recomendo dar uma olhada AQUI.
Cuidado! Está fechado aos domingos.

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4.       Feira de “foodtrucks”
O movimento de caminhões e furgões de alimentação é coisa bem característica de americano. Grupos de “food trucks” equipados com cozinha  se juntam em feiras gastronômicas e oferecem distintos cardápios. De churrasco grego à tacos mexicanos, de hot-dog à sorvete e doces diversos, este serviço agiliza o atendimento e se aproxima melhor aos clientes.
Na área da baía tem várias atividades com venda de alimentos em furgões, mas tem duas muito reconhecidas: Off The Grid SF (todas as sextas pela tarde) e StrEAT Food Park (no bairro de SoMa, aberto 7 dias por semana para almoçar e jantar). O legal destes espaços é que também oferecem espetáculos musicais gratuitos enquanto você esta comendo.
Atenção: muitas vezes este tipo de eventos não tem banheiros nem mesas.
Off The Grid: http://offthegridsf.com/calendar
StrEAT Food Park: http://somastreatfoodpark.com/

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5.      A geração beatnik num museu
Se você gosta da literatura, gostará então de seguir o rastro dos escritores beats em São Francisco. Este movimento sócio-cultural do fim dos anos 50 representou aqueles vigaristas, toxicodependentes e pequenos ladrões, onde Ginsberg e Kerouac procuraram inspiração para seus livros. A palavra “Beat”  (de “beaten down” ou “downtrodden”) significa oprimido, rebaixado, espezinhado, mas para Kerouac tinha uma conotação positiva porque identificava um submundo de juventude anti-conformista, “uma geração de loucos, iluminados hipsters” segundo ele. Pertinho do Bairro Chines, o Beat Museum mantém em exibição o Pontiac de 1949, fotos, objetos e documentos que lembram a jornada de Kerouac e de Neil Cassady no clássico “On the road”. Além disso, o museu vale a visita para quem está atrás das histórias de vanguarda de São Francisco (pensar que sem a geração beat, talvez não existisse o movimento hippie ou a luta pelos direitos dos gays).

Nota: Também há outro ponto na cidade que incorpora a historia da geração dos poetas Beatniks, a livraria City Lights Books, na 261 Columbus Avenue. Fundada em 1953, foi a primeira livraria norte-americana do “livros de bolso com capa de papel”, incluindo  poesia de boa qualidade, como o poema “Howl” de Allen Ginsberg em formato de bolso.

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6.       Murais na Mission
Se você já está caminhando no centro, vale a pena passar pelos becos cheios de murais vibrantes no Mission District.
Os murais que estão por toda parte no bairro começaram a aparecer durante o “Chicano Art Mural Movement” na década dos 70, inspirados nas tradicionais pinturas dos muralistas Diego Rivera e David Siqueiros. É por isso que continuam com a tradição de capturar a realidade dos trabalhadores e minorias exploradas. Aliás, a ideia do muralismo também é educar as pessoas através da história e de fazer arte comunitária. Por exemplo, um lugar imperdível, Maestrapeace (esse da foto), foi feito por sete mulheres e seus ajudantes, e é uma celebração visual da coragem e das conquistas das mulheres ao longo da história. Fica no Women’s Building na 18th Street entre as ruas Valencia e Guerrero.
Se quiser saber mais da história desses murais, contacte  a Precita Eyes Mural Arts Association, uma pequena organização comunitária sem fins lucrativos de artes murais que visa enriquecer e embelezar os ambientes urbanos e oferece passeios a pé, de ônibus e de bicicleta pelos murais da área

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7. Pedalinhos no lago
A área do Golden Gate park tem muita cosa pra visitar: o Conservatório de Flores, o Jardim Botânico, museus de ciência e o Japanese Tea Garden são só alguns. Mas depois de ficar em lugares fechados, o que seria o melhor para apreciar a natureza da cidade? O Stow Lake. Um lago com duas ilhas é ideal para curtir a natureza e o ar fresco. O que recomendo é de alugar pedalinhos no lago ($19 dólares a hora um pedalinho para quatro pessoas) ou de fazer caminhadas ou corridas pelas trilhas ao redor do lago.

Nota: Depois visite o Jardim de Chá Japonês para tomar um chá da tarde.

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8.      Roupa usada, vintage e mais!
Ao longo da Avenida Market Street estão localizadas as principais lojas de departamento, bancos, bares, restaurantes, teatros, cinemas e diversas outras atrações, mas o que é mais interessante —para mim— são as dezenas de brechós! A Califórnia é um estado lotado deste tipo de lojas e as melhores roupas usadas da cidade estão concentradas no bairro da Mission, um bairro pouco explorado por turistas, de dominação latina.
A Thrift Town, no número 2101 da Mission St., é a maior loja e um bom lugar para começar. Na mesma avenida também tem uma Goodwill razoavelmente bem organizada.
Se você prefere uma coisa mais hype, o lugar é Haight Street. Esta rua tem vários brechós, como o Held Over e o Wasteland, que mistura o novo e o usado. Nos fundos, tem uma dessas máquinas de foto automáticas que garante a diversão de entrar com chapéus, óculos e lenços e sair com um souvenir especial. Subindo a Haight Street, chega-se ao ponto de peregrinação dos hippies na década de 1960, cujo auge é a esquina com a Ashbury Street. Alí tem brechós refinados, ou  boutiques vintage, mais caros, como o Decades of Fashion, que tem peças antigas pra valer, dos anos 20, 30 e 40. De fato, vale a visita mesmo se você não for comprar. O acervo de itens históricos é inacreditável.

Vá bater perna e se anima a experimentar! Pense que além do fator sustentável, de estar reaproveitando peças que alguém deixou de usar, comprar em brechó é uma oportunidade de se expor a estilos diferentes dos que você está acostumado a usar por um preço tão mais baixo que o normal.

Aqui alguns endereços.

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9.       Onde ouvir jazz?
O entretenimento ao vivo define a cidade de São Francisco. O bairro da Mission, especialmente, atrai a maioria dos aficionados do jazz e pessoas ligadas às artes, mas existem festivais de música para cada gênero de música. São Francisco começou a ser ocupada após o terremoto de 1906 por judeus, japoneses e negros. A área guarda a herança musical negra desde então: os domingos na Igreja Saint John Coltrane, das 11h45m às 14h30m os filiados à igreja ortodoxa africana tocam ao vivo, no fim de fevereiro o festival Noise Pop apresenta novas bandas independentes, o club intimista North Beach leva talentos de primeira linha durante uma semana em julho, e no fim de outubro até meados de novembro com o legendário San Francisco Jazz Festival é realizado.

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10. Lojas de discos. Imperdível!
Não espere as megastores feitas para turista ver, mas velhos galpões lotados de discos de todos os tempos. Você encontrará lojas bacanas com discos antigos por toda a cidade, mas vale a pena fazer uma visita especial à rede de lojas Amoeba Music, no centro da contracultura hippie dos anos 1960, na psicodélica rua Haight. Ali tem um acervo gigante com milhares de novidades, itens usados e raridades em LPs, CDs, DVDs, pôsteres e outros formatos.
Aquarius Records é outra loja que transpira musica. É a loja independente de discos mais antiga de SF, fundada em 1970. O curioso deste lugar é que cada seleção de álbuns é acompanhado com resenhas e que os funcionários tem um conhecimento profundo sobre tudo que vendem ali, então você pode lês perguntar para assim descobrir novas sonoridades. A loja também conta com entretenimento ao vivo.
Se você realmente curte a música, prepare-se para gastar um bom tempo por lá!

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GOSTOU DESSE? Então confira os outros guias que já fizemos clicando AQUI.

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  1. […] Ele conta que começou a colecionar nos anos 60, quando emoldurava e pendurava na parede como quadros as cartelas, em sua casa em São Francisco. […]

  2. […] SAO FRANCISCO Como nós já falamos em um outro post (VEJA AQUI), um dos rolês pra se fazer nesta cidade são os murais Mission District, no centro. Neste […]

  3. […] conferir mais rolês irados pelo mundo: Barcelona, São Francisco, Buenos Aires, São Paulo, Amsterdam, Las Vegas, Berlin, Chapada Diamantina […]

  4. […] 18 de março de 2015 foi dia de lançamento em São Francisco. […]

  5. […] 18 de março de 2015 foi dia de lançamento em São Francisco. […]

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