Lulu x Tubby: Estou te avaliando - MISTURA URBANA

Lulu x Tubby: Estou te avaliando

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Nas ultimas semanas fomos pegos por um “tsunami” chamado Lulu. Se você vive numa bolha, explico.

O tal é um aplicativo onde as mulheres avaliam os homens respondendo perguntas pré definidas e incluindo hashtags. O APP avalia as respostas e dá uma nota. Tudo anonimamente.

O Lulu usa os dados do Facebook (que dizem, será processado pelos “danos” causados pelas avaliações) sem qualquer autorização dos avaliados. Os homens ainda tem a opção de bloquear o aplicativo (tá com medinho, tá?).

Segundo o jornal O Globo foram mais de 5 milhões de downloads do app em poucas semanas. Já vi gente justificando que o Lulu “não pegou” pela quantidade de pessoas que curtiram a fanpage do app no Facebook, quase 14 mil.

Pois bem, homens avaliados, polêmica criada, criadora se justificando e uma enxurrada de gente criticando. Poucos dias depois eis que vem o troco. O Tubby.

A vingancinha dos homens estava feita. O que rolou foi que no mesmo dia em que o Tubby foi criado já pipocavam formas das mulheres bloquearem o aplicativo de seus perfis (lembra do medinho?).

A justificativa? Os homens avaliariam a performance feminina na cama. Pelo menos esse foi o “apelo” no lançamento do mesmo. A página do aplicativo no Facebook tem mais de 18 mil likes (vi gente falando por aí que tinha mais de 4 milhões, ok).

Bom, passadas as euforias, um mundo de gente p da vida, se sentindo invadida(o), etc, e eu pensando muito sobre isso, vamos lá…

O que pensei na real, foi o que o problema não está no Lulu, no Tubby ou no Facebook e sim no fato das pessoas saberem que estão sendo avaliadas ou para pegar mais pesado, julgadas.

Mas isso não acontece todos os dias? Em casa, no trabalho, na escola, na faculdade, em uma mesa de bar e principalmente nas redes sociais? Sim.

Quando você está no rolê (balada, bar, discoteca, puteiro, etc) você também não avalia? Avalia se a pessoa é gorda, magra, se é loira, morena, se tem tatuagens, ou seja, se é o seu “perfil”? Sim.

Você aí que ficou puta(o) por ser avaliadaa(o) em um aplicativo, também avalia. Avalia pessoas, situações, julga comportamentos e cria hashtags na sua cabeça. Afinal quem nunca compartilhou suas experiências (sejam elas sexuais ou não) com os amigos.

Mas sabe o que te incomoda? Não é o feminismo, o machismo, o #cospeouengole ou o #nãoébomdecama. O que te incomoda é saber que está sendo avaliado, julgado por suas performances como mulher ou como homem, novamente, sejam elas sexuais ou não.

Você sabe que é avaliado(a). Mas o que os olhos não veem o coração não sente não é mesmo? Simples assim. Facebook, Twitter, Tinder, Google+, vida. Tudo é avaliação e julgamento, seja para o bem, seja para o mal.

A avaliação está em todo lugar, a todo momento mas por conta de dois aplicativos tudo virou uma bagunça, machismo, feminismo e tantas outas coisas.

Deletar o seu perfil desses aplicativos não te coloca para fora das avaliações porque como já dito, elas acontecem em todo o lugar.

Na verdade, o que nos incomoda tanto é o medo de ser avaliado, de ser julgado pelas pessoas. É o medo de ser chamada de puta porque cospe ou engole, é o medo de ser tachado como ruim de cama ou como o filhinho da mamãe. Foda-se.

Quando você recebe um elogio, seja pelo que for, uma avaliação aconteceu antes. Aos olhos de quem te elogiou você fez algo bom, legal. Ao mesmo tempo que se fizer merda, vai ser avaliado por isso.

Por que a bronca? Por que o medo? Qual o problema em ser avaliado. Você não é puta por cuspir ou engolir e você não é mais ou menos porque é o filhinho da mamãe. Na minha visão. Problema de quem perdeu tempo entrando num aplicativo para fazer isso.

Eu fui avaliado no Lulu (e até me mandaram), não avaliei no Tubby. Não preciso de um aplicativo para isso. Vou ser avaliado por esse texto, sou avaliado por não ter um emprego fixo, sou avaliado por lugares que vou. Fo-da-se. Qual o problema? Eu avalio também. E daí?

Acho que o que precisamos é avaliar o nível de hipocrisia que esses aplicativos geraram.

“Huuummm ele é um cara legal, mas vamos ver o que falam dele no Lulu” ou “Bom, ela é gostosa, agora vamos ver pra quem ela já deu”. Ahtomanocu né?!

Vai lá conversar com a pessoa vai. Saber o que ela pensa, sente e tudo mais. Depois você por si mesmo avalia e faz o que for melhor para você. Para que se basear nas opiniões das outras pessoas à respeito daquela pessoa? Tire suas próprias conclusões.

Quer ir lá e me avaliar, fica à vontade. Pessoas fazem isso na minha casa, no escritório, no bar, no inbox, nas DMs. Se eu sei ou não o que estão julgando, grandesmerda.

Se você quer tanto avaliar uma pessoa, julgá-la, faça isso na cara dela, é menos hipócrita. Talvez a incomode menos. Se não, faça em outros lugares (já citados), sem que ela saiba. Mas não use um aplicativo para isso, porque lá você se esconde, você só julga e não dá espaço para que as pessoas vejam que talvez você seja um(a) ex amargurado(a) com a vida ou simplesmente uma pessoa hipócrita.

Aí você vai lá e avalia, julga, cria hashtags, mas na hora do vamos ver bloqueia suas avaliações para que ninguém te julgue.

Ora cara pálida, você já está sendo julgado e continuará sendo mesmo quando a onda desses aplicativos passar. É a vida…

Avaliar pessoas, situações, comportamentos, não me faz melhor ou pior que ninguém. O que diferencia é usar um aplicativo de merda e se esconder atrás disso porque botar o dedo na cara e mostrar para todo mundo o que uma pessoa “é”, é fácil.

Nesse mesmo texto muita coisa foi avaliada, formas, comportamentos, enfim, foram julgados. E qual o problema? Todo mundo faz isso. A diferença é que vim aqui para falar isso. Não me escondi atrás do anonimato e se quiser, te avalio na cara, sem problemas e se quiser me avaliar na cara fique à vontade.

Sem Lulu, Tubby ou qualquer outro aplicativo.

 

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