[ENTREVISTA] Fotógrafo Thiago Fogolin retrata moradores de rua de Sampa - MISTURA URBANA

[ENTREVISTA] Fotógrafo Thiago Fogolin retrata moradores de rua de Sampa

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Conversamos um pouco com o Thiago Fogolin, um ex-futuro físico, formado em design gráfico mas fotógrafo por paixão (que é isso que importa).Me fala um pouco de você. Idade, onde nasceu, formação, etc.

O Thiago mantém, há alguns anos, o projeto “O mundo é sortido, Senhor”, onde ele retrata moradores de rua da cidade de São Paulo.

Confira abaixo nossa entrevista e fotos! ;)

De onde surgiu a ideia deste projeto?
Sempre me aproximei de moradores de rua, dos à margem da sociedade, os invisíveis. Quando comecei a fotografar pelas ruas acabei retratando essas pessoas. Foi quando notei que poderia registrar esse universo muito de perto, por dentro praticamente, o que seria diferente de tudo que eu tinha visto.
No fim o projeto “O mundo é sortido, Senhor” foi o TCC da minha faculdade e cresceu para algo além de moradores de rua.

Quais foram as fotos mais difíceis de fazer?
Na rua tem muita gente agressiva, drogado, etc.. Sempre é tenso fotografar alguém assim porque não sei o que pode acontecer. É algo totalmente aleatório, preciso interpretar cada expressão e entender a pessoa antes de qualquer movimento. Para isso passo um bom tempo conversando até que a confiança seja mútua.
Um exemplo:
Durante o “churrascão diferenciado” na cracolândia foi meio tenso. Os craqueiros ficavam em um canto da rua, cercados por uma fita amarela, enquanto o churrasco rolava em outra esquina. Todos estavam meio nervosos com a mídia ali por perto, vi ameaçarem alguns fotógrafos.
Foi um craqueiro que me levou até o local do churrasco, então acabei dentro do cercado, com a câmera e todos fumando crack em volta. Tomei uma cerveja com um, fotografei criança fumando e acabei sentado no chão com alguns deles e fotografei a polícia nos enxotando.

Alguma foto que foi divertida de fazer, mesmo que o assunto retratado não seja divertido? Afinal a felicidade é algo subjetivo e muito pessoal e algumas pessoas nas fotos parecem estar felizes. 
Com muita gente acaba sendo divertido. Como vc disse, alegria é subjetivo e existe sim gente feliz nessa ou qualquer outra condição. Fiz muitas fotos sentado no chão com moradores de rua onde todos estão rindo e conversando e, como eles, eu estava feliz entre amigos.

Quais são suas fotos e histórias preferidas do projeto?

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Um deles me levou para fotografar a parte de trás do edifício Mercúrio, por um buraco no muro de um terreno baldio. Depois disso eles pediram uma foto da família com o cachorro.

 

Ele sempre está presente nas manifestações pela paulista. Nessa manifestação ele ficou um tempo assim, com segurando essas flores.
Ele sempre está presente nas manifestações pela paulista. Nessa manifestação ele ficou um tempo assim, segurando essas flores.

 

É um vendedor de flores de rua que até onde sei me conheceu quando eu ainda era bebê.
É um vendedor de flores de rua que até onde sei, me conheceu quando eu ainda era bebê.
Esse é o Seu Almir, Almir de almirante. Disse que lutou na guerra mundial: "qual delas?" "foi só uma"
Esse é o Seu Almir, Almir de almirante. Disse que lutou na guerra mundial: “qual delas?”, “foi só uma”.

 

Essa é uma das minhas fotos favoritas. Esse senhor parece estar em paz no meio do caos.
Essa é uma das minhas fotos favoritas. Esse senhor parece estar em paz no meio do caos.

Suas fotos são extremamente pessoais e íntimas. Como você convence as pessoas a deixarem você tirar a foto?
Não convenço, normalmente nem peço. O fato de tratar as pessoas como humanos e não marginais ou coitados e tentar entendê-las de igual para igual faz com que elas relaxem e se abram, então eu fotografo. Desde o início a ideia foi não transformar o mundo num zoológico.

Que lição ou lições você tira deste projeto  e o que pretende que as pessoas aprendam com ele.
Aprendi que o mundo fora da ‘bolha’ social que somos criados é muito rico. Existem outras formas de pensar, histórias, modos de enxergar a vida, outras convenções.
A visão que se costuma ter dessas pessoas é que são vítimas, loucos fora do mundo. Sempre me perguntam “quem é esse malucão que você fotografou? ah, esse cara é um coitado, né?” Isso mantém a invisibilidade dessa realidade já que é apenas um reflexo da culpa de cada um por se considerar em uma situação melhor. Retratar todos como coitados é primário demais, existe muita coisa além disso.

Confira mais fotos abaixo e não esqueça de colar na fan page do fotógrafo clicando AQUI.

 

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Lila Varo

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com

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  1. […] moradores de rua com a sensibilidade desse cara não é pra qualquer um. Aliás, acho que é só pra ele. Chorei, […]

  2. […] para igual faz com que elas relaxem e se abram, então eu fotografo”, explicou o fotógrafo, em entrevista ao Mistura Urbana. “Desde o início a ideia foi não transformar o mundo num zoológico. A visão que se […]

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