Por que o amor é tão brega? - MISTURA URBANA

Por que o amor é tão brega?


Dia dos namorados chegando. Milhares de corações vermelhos com chocolate à venda nos shoppings e supermercados. Logo mais terá gente vendendo rosas de plástico na rua. Os solitários infelizes sofrerão amanhã. Os solteiros felizes comemorarão. E muita gente vai ganhar muito dinheiro com estes sentimentos – seja vendendo cerveja para os amargurados, kits eróticos para os apaixonadas ou camisinhas para os solteiros.

O que eu queria perguntar é porque tudo que envolve a paixão é tão brega?

Existe algo mais ridículo do que a “vozinha” dos namorados?

Não, não existe! Dá vergonha alheia. Mas dá vergonha quando vemos os outros fazendo, quando a “vozinha” é nossa nem sequer percebemos.

Aliás, ridículas mesmo são todas as cartas de amor, já nos ensinou Fernando Pessoa, “se não fossem ridículas não seriam cartas de amor”.

Até os críticos de literatura sabem do limite tênue entre um bom poema e uma aberração de breguice. Eles recomendam que não se escreva nada apaixonado. A sugestão é esperar o fulgor da paixão passar para que os versos decantem a breguice.

Então, se escrever poemas ou cartas de amor, mostre única e exclusivamente para o ser amado. Todos os outros acharão brega. Mantenha o brega para si, preserve-se!

Mas temos os mestres. Ah, os mestres que conseguem ser profundos o suficiente para que a gente sinta o amor sem um pingo de breguice.

Antes de eu acabar este texto ouço esta máxima, para fechá-lo com chave de ouro:

“Ah, achei que você estivesse escrevendo sua tese. Se soubesse que você estava escrevendo sobre o amor brega vinha aqui te encher de beijinho. Me dá beijinho pra eu sair feliz pra eu trabalhar? “

É [email protected], quem não sofre, sofreu ou sofrerá deste bem que atire a primeira rosa!

 

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