Revolução sem partido - MISTURA URBANA

Revolução sem partido

texto enviado por Talita Molinero

Mesmo sem afiliação em partidos políticos é possível fazer grandes mudanças no País

Em roda de bar é comum escutar “Brasileiro não se interessa por política”. Uma pesquisa revelou que o ditado popular tem um pouco de fundamento. Dados do IRBEM(Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município) revela que 69% da população de São Paulo não confiam nos vereadores e 59% não confiam na prefeitura.
Para o sociólogo Maurício Broinizi, da Rede Nossa São Paulo, não gostar de política não significa que a população não se interesse pelo desenvolvimento do País, mas reflete uma resposta aos inúmeros casos de corrupção sem punição. “A participação em partidos é cada vez mais questionável. Além de não ser a única forma de representação.”

Diversas formas de ser ouvido

Para fazer mudanças e melhoras na cidade não é preciso estar atrelado a partidos. Diversas pessoas são adeptas dessa nova prática. Um exemplo recente foi o Festival Baixo Centro, uma iniciativa que buscou trazer novo significado para a região em torno do Elevado Costa e Silva  e reivindicar contra a  degradação destas . O festival teve música, artes, audiovisual, conversas, debates, laboratórios, cultura digital, dança, encontros, passeios, letras, oficinas, e teatro. E tudo aconteceu sem financiamento de prefeitura, empresas privadas ou leis de incentivo. A arrecadamento do dinheiro aconteceu pela internet com valores a partir de R$ 10. No total, conseguiram arrecadar R$ 72.590.

Outro caso recente foi o do estudante de Política Pública, Rômulo Zilling, que criou uma petição on-line para que o metrô funcionasse 24 horas. O documento atingiu mais de um milhão de assinaturas e a Assembleia Legislativa de São Paulo levou a ideia para ser discutida em plenário.

Rômulo teve a ideia após vez diversas manifestações contra Renan Calheiros, uma delas criada no Avazz para tirar o  Presidente do Senado do cargo. “Eu parei e pensei: poxa, se as pessoas fazem um estardalhaço por algo que não vai mudar substancialmente, por que não fazer um abaixo-assinado de algo que possa, de fato, beneficiar a vida da população?” Outra iniciativa que ganhou força exclusivamente com o auxílio da sociedade civil foi o projeto Que Ônibus Passa Aqui. Um grupo de jovens de Porto Alegre, no Rio Grade do Sul, se incomodou porque diversos pontos de ônibus não continham letreiros explicando quais ônibus passavam. Eles se uniram e colaram adesivos com espaço para que os passageiros que soubessem essa informação escrevessem os nomes da linha e, assim, ajudariam os que não soubessem.

A última grande prova de participação popular foi a Lei da Ficha Limpa. Ela foi resultado de uma proposta de iniciativa popular e impedia a candidatura de pessoas processadas pela Justiça.

 Sociedade civil criando leis

Mesmo conseguido debate em Plenário, a petição do metrô tem apenas carácter simbólico, não tem quesitos o suficiente para virar lei, o que não impede que no futuro a petição ganhe forcas e vire lei, como aconteceu com o Filha Limpa. Para isso acontecer eh preciso ter a assinatura de pelo menos 1% dos eleitores brasileiros.  – divididos entre cinco estados, com não menos de 0,3% do eleitorado de cada estado. A assinatura de cada eleitor deverá ser acompanhada de nome completo, endereço e número completo do título eleitoral – com zona e seção — e as listas de assinatura devem ser organizadas por município e por estado, de acordo com formulário que deve ser retirado na Câmara dos Deputados.

Poder ao povo

O Ficha Limpa iniciou a coleta de assinaturas em 2008. Foi preciso mais de um ano de recolhimento de assinaturas para o projeto coletar 1,3 milhões de assinaturas e ter a possibilidade de virar lei. Um milhão pode até parecer um número alto, mas não é. Em diversas edições, o programa Big Brother Brasil conseguiu ultrapassar a casa dos milhões para eliminar algum participante, em menos de uma semana.

Comments

comments

0 Comentários

Junte-se a conversa →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *