‘Bibliocicleta’ leva livros à comunidades com pouco acesso à leitura - MISTURA URBANA

‘Bibliocicleta’ leva livros à comunidades com pouco acesso à leitura

“Se as coisas estão desse jeito agora, imagina na Copa!” Quantas vezes você já ouviu essa frase? Ela tem sido repetida tantas vezes, que “imagina na Copa” acabou virando esse bordão que a gente se acostumou a ouvir pelas ruas, nas mesas de bar, nas redes sociais. Se, por um lado, a frase traz um tom de bom-humor para a conversa, por outro, ela reflete um pessimismo verdadeiro sobre se estaremos prontos para receber a Copa do Mundo em 2014.

Em vez de usar “imagina na Copa” para reclamar do que está errado, vamos usar “imagina na Copa” para nos unir e fazer dar certo! E assim surgiu o projeto IMAGINA NA COPA que é uma força-tarefa para promover uma virada para o Brasil até 2014, promovendo semanalmente histórias de jovens que já estão transformando o país para melhor. Essas histórias servem de inspiração e vão mostrar que é possível fazer a diferença com os recursos que temos.

Na semana marcada no Brasil como a Semana do Livro Infantil e da Biblioteca, o projeto Imagina na Copa apresenta a história da Bibliocicleta. Um projeto da região metropolitana de Salvador, que leva livros a comunidades com baixo acesso à leitura utilizando uma bicicleta adaptada com suporte de carga.

Desenvolvido em 2009, a partir de um trabalho de conclusão de curso de Design, na Universidade Federal da Bahia, pelo então estudante Augusto Leal, 25. A ideia foi uma solução encontrada por Augusto para o destino dos livros arrecadados para uma biblioteca comunitária montada por ele e um grupo de jovens. Apenas duas semanas após inaugurar o espaço, eles precisaram devolver o imóvel ao dono.

A escolha da bicicleta, segundo Leal, veio porque eles precisavam de um projeto de baixo custo, que pudesse ser replicado em qualquer parte do mundo onde o acesso ao conhecimento fosse deficitário. “Eu pesquisei biblioteca com ônibus, com animas, com caminhão. Na Venezuela tem a ‘bibliomula’, que leva livros para regiões andinas. Na Colômbia tem o exemplo do ‘biblioburro’, que leva os livros pras crianças das áreas rurais”, conta.

A Bibliocicleta é mantida através de doações constantes de livros e circula por escolas, praças, parques e outros locais públicos frequentados por crianças e adolescentes. A cada passeio, todos os exemplares expostos são doados aos seus leitores.

“Até agora eu não vi comprovação nenhuma dessa história de que brasileiro não gosta de ler. Eu acho que falta o livre acesso ao livro. O cara ganhar um salário mínimo para manter uma família e ainda comprar um livro de 40, 50 reais, é muito caro”, relata Augusto.

Em 2010, o projeto representou a Bahia na Mostra Novíssimos da III Bienal Brasileira do Design e, no ano seguinte, ficou entre os trezentos finalistas do IF Concept Award. Ainda em 2011, a Bibliocicleta recebeu o prêmio de Ponto de Leitura do Programa Mais Cultura do Ministério da Cultura (Minc).

Essa repercussão permitiu que o projeto começasse a ser desenvolvido em outras regiões. Atualmente, com o apoio de entidades parceiras locais e com recursos do Minc voltados para o incentivo à leitura, a Bibliocicleta promove oficinas em Simões Filho para formar agentes interessados em replicar a ideia.

“Se a gente acreditar nas nossas ações e botar em prática o que a gente sonha, independentemente do que seja, as coisas são possíveis de serem realizadas. É possível construir o mundo que a gente quer”, conclui o idealizador da Bibliocicleta.

Confira a história e inspire-se!

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Lila Varo

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com

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