O 1o. DIA DE UMA MUDANÇA - MISTURA URBANA

O 1o. DIA DE UMA MUDANÇA

Já publiquei aqui no MU alguns post sobre um projeto que é muito especial para mim: o Multigraphias.

Ele nasceu, anos atrás, como uma forma de tornar possível uma série de desejos. Tinha muitas ideias, muitas vontades. Escrevi sobre elas, criei mapas e, finalmente, com a ajuda de alguns amigos, decidi colocar em prática a forma mais simplificada das minhas ideias mirabolantes.

Assim nascia este blog de trocas diárias sobre cidades. A ideia era criar colaborativamente, todos os dias. E era, também olhar pras cidades, nos abrir para o entorno e para o contexto que nos abraça ou expulsa.

Muito da proposta vinha de uma ânsia de criar todos os dias e de aceitar que a arte poderia caber na vida. Além desta ânsia, havia o desejo de experimentar as muitas relações entre palavra e imagem. Dai o site ter começado muito focado na fotografia e literatura.

Por quê? Porque este é o tema da minha pesquisa de doutoramento e eu desejava experimentá-lo de muitas formas. Minha pesquisa é teórica e eu sou alguém da teoria da arte e, sobretudo, da prática da arte. E como um experimento o Multi foi perfeito como um laboratório.

Juntamos pessoas interessadas em literatura e fotografia e começamos a trocar. Desde então muitas pessoas incríveis e generosas tem passado pelo Multigraphias. Mais de 60 pessoas, que nos trouxeram mais de 100 cidades. Tivemos uma exposição no metrô de São Paulo em duas estações, uma apresentação no Corpo Cidade em Salvador, um curso na London School of Photography e outras ações.

Além do site criamos laços de afeto profundos, porque criar junto é respeitar. É desejar ver o outro e estruturar um mundo de desejos generosos com ele.

Temos hoje um acervo lindo de trabalhos que incluem gifs, performances, videos, sons, poemas e mais uma infinidade de formatos.
Dentro do Multi também nasceu meu projeto pessoal que tem inspiração completamente multigráphica:  CIDADE IMAGINADA.

Neste projeto, filho do Multigraphias, investiguei poeticamente 14 cidades de 5 países. Disso ficaram algumas fotos e vídeos, nos quais pretendo trabalhar e finalizar até 2014.

Buenas, escrevo TUDO isso para explicar o Multigraphias, este processo que tem sido lindo, que tem me dado amigos, me revelado artistas escondidos em diversas partes do mundo.

Nestes anos tenho feito fotos, videos, performances, montagens, etc.

Mas agora fiz uma opção. E quero compartilhá-la, sobretudo com os queridíssimos e criativíssimos artistas-fotógrafos Jaime Scatena e Roberto Cambusano que têm sido meus parceiros diários de Multigraphias (vale a pena clicar nos nomes deles para ver os trabalhos destes caras! #foda).

Porque agora eu tenho um foco e um objetivo a cumprir. Tenho uma tese de doutorado para terminar. E, ao mesmo tempo, quero poder continuar dialogando de uma forma que  caiba na minha rotina de pesquisa acadêmica.

Por isso decidi viajar apenas com uma câmera analógica, uma Lomo, presente da querida Ísis Fernandes. Minhas fotografias virão, portanto, depois de semanas. Estarão no Multi e estarão no Cidade Imaginada. Mas agora com uma preocupação mais suave em relação ao tempo, com uma extensão temporal mais larga e generosa.

A lomo será um grande teste. Ela será uma tentativa nova de continuar fotografando, mas com a leveza de um equipamento pequeno e o tempo estendido dos filmes analógicos. Serão semanas de curiosidade em que guardarei imagens que serão reveladas depois. Assim posso ainda ser fotógrafa, mas de um jeito novo, mais aberto, mais misterioso, menos trabalhoso e mais livre.

Além da imagem fotográfica livre decidi, me dedicar sobretudo à escrita no Multi. A escrita me toma menos tempo de edição. A escrita me dá mais liberdade no mundo porque permite que eu circule por ai sem equipamentos pesados e programas de edição de imagem. Quero escrever as fotos de vocês. Quero poe(mar) os gifs malucos que criarem. Será um desafio me transformar em palavra, juro que será.

Assim pretendo continuar fotografando, continuar multigraphando, mas de uma forma mais eficiente para o meu momento, uma maneira que me permita ser uma multigraphista e uma doutoranda ao mesmo tempo.

Há uma ansiedade em mim – ser das videodanças, das fotomontagens, das mirabolices. Mas há, sobretudo, um desejo de experimentar isso e um orgulho por encontrar uma solução razoável.

Não sei se isso dará certo, mas hoje é o dia 1 desta mudança. Cá estou em São Paulo, com apenas uma Lomo na mala e mil dedos de palavras nas mãos.

Vou tentar!

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