Cidades vistas, cidades imaginadas, cidades fotografadas - MISTURA URBANA

Cidades vistas, cidades imaginadas, cidades fotografadas

As cianocromias de Elaine Pesssoa me fizeram lembrar Jorge Luis Borges. O escritor argentino afirmava que cada artista inventa seus predecessores. A ideia de Borges é que cada nova obra de arte revalorize o que foi feito antes e crie novos significados. E, mais do que isso, crie um novo campo para arte fazendo do presente o paradigma para que olhemos o passado.

A série de fotocromias de Elaine Pessoa me lembraram uma gama vasta de referências. Ela traz tanto os fotógrafos de paisagem do começo do século XX, como a pintura “Favela”, de Tarsila do Amaral e, principalmente, me trouxe à mente a série de fotografias de céu realizada por Alfred Stieglitz (1864-1946).

Avaliadas em cerca de R$ 200 mil cada, as fotografias Equivalent (Songs of the Sky), de Stieglitz, queriam mostrar algo inerente à fotografia: a escolha do recorte espacial. Há muita teoria para afirmá-las como essenciais para entender a história da arte fotográfica. Mas, em um primeiro olhar, são lindas por serem cenas incríveis de céus.

E o céu é a primeira porta para entrarmos no trabalho recente de Elaine Pessoa:

o céu como cor e sensação. 
O céu como um portal.

Dentro dos tons de azul vemos paisagens inventadas, fotografadas, desejadas. São cidades que se sobrepõe, como num sonho que Stieglitz desejou, mas nunca realizou. Quanto mais nos aproximamos das cianocromias de Elaine, mais sabemos do que o imaginário da artista (e o nosso) é feito.


Além do prazer de olhar o azul transfigurado em formas urbanas, a série de Elaine traz constelaçõe de sentidos.
Ela reafirma uma série de técnicas da história da arte da imagem fixada, : da imagem digital à impressão final, todos os processos da arte fotográfica se encontram nesta série de cianotipias.

A artista retorna ao lugar do técnico, do alquimista da início da fotografia em que tudo era transformação e realidade fixada.

Sobre a técnica, Elaine inclui a maior potência da arte: o universo simbólico. Fazedora de técnicas, e fazedora de imagens poéticas – intuo que assim eu conseguiria começar a definir o seu trabalho.
A ótima notícia é que o privilégio de ver este trabalho não é meu. Pode ser seu! Algumas impressões estão no VEREDAS-SP.

Se prepare para ver os “céus” de Elaine, e o que mais puder encontrar dentro deles.
Recomendo com fervor uma visita ao VEREDAS-SP, que fica em Pinheiros, São Paulo. Além do céu da Elaine tem trabalhos de artistas bem interessantes, como Regina Johas, uma programação de cursos e editais de ocupação do espaço.
Cola lá! Ou melhor, voa pra lá!

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