Efeito Dunning-Kruger - MISTURA URBANA

Efeito Dunning-Kruger

texto por Eduardo Salles Pimenta Filho

É bem possível que já tenha lido a famosa frase do filósofo e matemático Bertrand Russell: “ O problema com o mundo é que os estúpidos são excessivamente confiantes, e os inteligentes são cheios de dúvidas”, famosa inclusive contemporaneamente já que está nas frases compartilhadas entre os usuários do Facebook.

O interessante dessa frase proferida por Russell é que ela tem fundamento científico na psicologia social, chama-se Efeito Dunning-Kruger.

O Efeito Dunning-Kruger (o nome é por causa dos pesquisadores que demonstraram esse fenômeno psicológico, Justin Kruger e David Dunning), consiste na autoconfiança intelectual dos que possuem pouco conhecimento técnico sobre um assunto específico, causando infortúnios e erros resultados do conhecimento limitado ou do desconhecimento. Como reflexo dessa autoconfiança, o indivíduo não reconhece sua limitação técnica prejudicando terceiros, seja diretamente em trabalho em conjunto, seja indiretamente com desconhecidos.

Já os indivíduos que dominam o conhecimento técnico possuem fraca autoconfiança intelectual, subestimando os próprios conhecimentos e a capacidade de armazenamento desses conhecimentos, além de superestimar a capacidade dos outros indivíduos, mesmo os que não tem essa potencialidade.

Dunning e Kruger realizaram o estudo analisando as diversas habilidades como concentração corporal, concentração intelectual, raciocínio abstrato, raciocínio concreto, com exames de lógica, gramática e humor. Além de examinarem os candidatos, Dunning e Kruger pediam para os mesmos candidatos se avaliarem antes e depois do exame. Resultado do exame foi que os indivíduos que dominavam o conhecimento técnico estimou corretamente seu desempenho, e os indivíduos que possuíam pouco conhecimento técnico superestimaram seu desempenho, chegando a estimar o percentual de seu desempenho por volta do 60%, sendo que conseguiram 10%.

Tal comportamento cognitivo está presente no cotidiano urbano, de forma intensa, principalmente no Brasil, onde as pessoas dispensam o conhecimento teórico, a ponto de fazer chacota em alguns casos, pelo o conhecimento prático vulgar, crendo que uma pessoa que não busca o domínio técnico de um conhecimento pode possuir o “dom” para agir em qualquer ramo da sociedade, como uma pessoa que atua no telemarketing poder atuar na área de comércio exterior da mesma empresa, sem a devida preparação técnica para exercer tal função (Cabe lembrar que isso não se aplica na área das artes, já que é a expressão da essência subjetiva do artista, não necessitando do aprofundamento técnico para a criação, por isso existem músicos de garagem, entre outros artistas).

O conhecimento técnico não é inspiração, não se baseia em inspiração, por isso recebe a classificação epistemológica pedagógica de “conhecimento”, ou seja, houve uma reunião de informações, análise do reflexo de tais informações e experimentos para alcançar tal classificação. Banalizar o conhecimento técnico e superestimar a inspiração (exceto nas artes, conforme anteriormente mencionado), é corriqueiro no cotidiano da sociedade brasileira, uma sociedade que valoriza em sua consciência coletiva (reunião de várias individualidades) a lei do menor esforço em qualquer seguimento.

Comments

comments

0 Comentários

Junte-se a conversa →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *