Enxergando além do preconceito - MISTURA URBANA

Enxergando além do preconceito

Para ler ouvindo:

Além do modo binário como somos moldados desde bem cedo a enxergar a “realidade” existe a realidade de outros, tão únicos e importantes quanto nós. Além do nosso bem-mal, certo-errado, céu-inferno, feminino-masculino, existe o outro que só pode ser enxergado como semelhante quando estamos dispostos a ver além dos nossos preconceitos. Além dos gêneros compreendidos – masculino e feminino – estão os outros, os TRANS*. Com asterisco, sim, pois quando nos desapegamos da perspectiva dicotômica de sexualidade nos deparamos com uma pluralidade complexa, uma vez que além do gênero biológico, temos a nossa orientação sexual e também a identidade de gênero, que não são a mesma coisa (entenda a diferença aqui).

Para celebrar a riqueza da diversidade e reforçar a luta contra a violência e o preconceito o dia 29 de janeiro foi escolhido para ser o Dia da Visibilidade Trans, data que em 2004 foi lançada a primeira campanha de cidadania voltada à comunidade trans* no Brasil, “Travesti e Respeito”, lançada pelo Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e movimentos sociais. A data, marcada sempre por ações em todo o país, é conquista de um movimento que luta por respeito, cidadania e igualdade de direitos. Direito de andar nas ruas livres da violência e discriminação. Direito ao estudo, emprego, carreira, saúde. Direito à dignidade. Direito de ser quem e o que quiser.

Embora personalidades como a top Lea T e as modelos Carol Marra e Felipa Tavares deram visibilidade à existência do indivíduo trans* na mídia recentemente a maioria ainda está inserida na marginalidade, alvo de transfobia desde a infância em seus próprios lares e nas escolas, o que além de causar uma grande evasão escolar coloca muitos indivíduos em situação de rua e prostituição, gerando mais dificuldades no acesso ao mercado de trabalho formal, à assistência médica e psicológica, além de altas taxas de suicídio. (Foi desenvolvido um material sobre suicídio de pessoas transgêneros e como ajudar.)

Desde 2009 o movimento pela visibilidade trans* conta com o ativismo do cartunista Laerte, integrante da Abrat (Associação Brasileira de Transgêneros), que busca estimular o debate para que as pessoas percam o medo de se reconhecer e “para as pessoas não se sentirem ridículas, erradas, bizarras, como o ponto de vista conservador faz questão que elas se sintam”, afirma em entrevista à Trip (em 2012 a revista homenageou o cartunista que se transformou e colocou em xeque definições de gênero e os limites da liberdade individual). Declarou ainda sobre sua categorização enquanto trans*: “Nomenclaturas não me interessam. A busca por uma nomenclatura é uma tentativa de enquadramento. Sou uma pessoa transgênera e gosto do termo ‘pós-gênero'”O Roda Viva com Laerte também foi pautado sobre o tema de sua transformação, vale a pena assistir o programa na íntegra.

A informação é a arma contra o preconceito, para saber mais sobre o assunto, recomendo:

* Transfeminismo – Por visibilidades trans* multiplicadas, complexificadas, descolonizadas
* Cláudia Wonder – brasileira, performer, cantora, compositora, colunista da G Magazine e militante transexual pelos Direitos Humanos, escolhida como abre-alas da Parada do Orgulho Gay de São Paulo de 2001 e madrinha do Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual, teve a vida retratada no documentário “Meu amigo Cláudia”
* Brenda Lee – brasileira, militante transexual pelos Direitos Humanos
* Andréia de Maio – brasileira, empresária e militante transexual pelos Direitos Humanos
* Dores de Amor (Douleur d’amour) – filme documentário suíço-brasileiro sobre a vida dos travestis brasileiros, tanto da cena artística quanto da prostituição. Com entrevistas de Thelma Lipp, Condessa da Nostromundo, Andréia de Maio, Brenda Lee e Claudia Wonder.
* Anderson Herzer – O suicídio em poetas jovens
* Porque a PL 122 é importante!

E viva a diversidade!

Comments

comments

0 Comentários

Junte-se a conversa →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *