São Paulo sufocada - MISTURA URBANA

São Paulo sufocada

texto enviado por Bruno Faria

No exato momento em que escrevo este texto, final de tarde de uma sexta feira chuvosa, ouço na tevê que o trânsito de São Paulo “parece o de véspera de feriado”. No telejornal, o índice de congestionamento é de 205 quilômetros. No site da CET, o gráfico de lentidão mostra que mais de 20% das vias da cidade estão paradas. E é só ver a imagem aérea da cidade, mostrada na tevê, para perceber que o trânsito está mesmo caótico.

Quem costuma andar na linha de trem que vai do Grajaú até Osasco, passando pela estação Pinheiros, sabe que a capacidade já foi ultrapassada faz tempo. De manhã é normal esperar dois, três, até quatro trens passarem até conseguir entrar. Isso os que podem se dar ao luxo de perder um pouco mais de tempo. Quem tá com o horário curto entra no vagão do jeito que dá. A quantidade de gente usando a estação Paulista da linha amarela, ligação do trem com as linhas verde e vermelha do metrô, já superou proporcionalmente a estação da Sé. A cena no caminho entre as estações Paulista e Consolação, no horário de pico, é impressionante! Um tumulto como o ocorrido na Luz, dias atrás, pode gerar uma tragédia.

Tudo isso para dizer que São Paulo chegou ao seu limite. Carro, ônibus, metrô, trem, tanto faz. Se locomover por aqui é difícil. Ficamos presos no trânsito se estamos de carro ou ônibus, enfrentamos a lotação absurda de um transporte público caro, atrasado e ineficiente. São Paulo tem muita coisa boa, não dá pra negar. Mas como é possível, por exemplo, ir a um show gratuito no centro, domingo, sabendo que a volta vai ser um sacrifício. Gente que trabalha a semana inteira demorando às vezes quatro ou mais horas por dia indo e vindo voltando do trabalho não vai enfrentar tudo de novo quando pode ficar em casa, descansado. A falta de mobilidade da cidade atrapalha (quase) todas as outras instâncias. Lazer, cultura, esporte, emprego, estudo. Tudo isso aí é afetado pelo inferno cotidiano nas ruas da cidade.

Discutir a cidade é essencial para tentar melhorá-la, de alguma forma. E já passou da hora de pensar seriamente o assunto.

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