São Paulo cidade cinza - MISTURA URBANA

São Paulo cidade cinza

texto por Bruno Faria 

É, São Paulo é cinza. Só andando pela cidade para ter essa certeza. E não vale usar o carro, com ele não percebemos as coisas à nossa volta. O carro é uma fortaleza pro paulistano, uma vez dentro e todo o resto acaba! Ciclistas ficam invisíveis, pedestres deixam de existir. Mas enfim, não é sobre nossa bizarra relação com o carro que vou falar.

Ônibus, bicicleta, a pé. Principalmente a pé. São as melhores formas de perceber a cidade, ver seus detalhes. Quantas vezes só fui reparar em determinada peculiaridade ao passar a pé, por um lugar em que já passei sei lá quantas vezes de carro? E São Paulo tem isso, esconde algumas coisas bem interessantes no meio de todo seu cinza.

Gosto muito do trabalho dos grafiteiros. Não sou da turma que considera o grafite vandalismo. Escondidos ou escancarados por São Paulo encontramos pinturas como da foto acima, no muro de construção do metrô Granja Julieta, próximo ao Largo 13, na zona sul de São Paulo. E essa frase é emblemática. Para ver de fato a cidade, precisamos de mobilidade. Outro dia, andando pela ciclovia do Rio Pinheiros, vi este belo trabalho feito do outro lado do rio. Infelizmente agora só existe em foto. A prefeitura, grande inimiga da arte urbana, já cobriu o desenho.

São coisas como essa que deixam nossa cidade menos cinza, menos triste. São Paulo não é o Rio de Janeiro, não possui aquela natureza exuberante pra exibir. Aqui é prédio, casa, rua, asfalto, concreto. Árvore, só em parques ou muito pra periferia. Praia, não temos. Só os rios Pinheiros e Tietê, o que não é lá grande coisa, certo? Mas a arte urbana está aí pra dar um pouco de cor nesse monocromatismo todo! Quando tiver um tempinho, dê uma volta pelo seu bairro, não precisa ir muito longe não. Tenho certeza que fará descobertas das quais não imaginava ter tão perto de onde mora. Como a fachada deste abrigo na Rua Isabel Schmidt, também na zona sul. Mas vá rápido! Outra característica deste tipo de arte é a efemeridade. Os desenhos desta casa já não existem mais, da mesma forma que o do Rio Pinheiros. Então se puder sair e registrar cada trabalho, mesmo que numa câmera de celular, a memória de São Paulo agradece.

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Lila Varo

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com

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