Não existe amor em SP - MISTURA URBANA

Não existe amor em SP

texto enviado por Bruno Faria

No domingo estive na Praça Roosevelt, no evento/ato “Existe Amor em SP”. Praça lotada, muita gente com criança, skatistas aproveitando enquanto não são proibidos de andar por ali. Tudo certo, tudo bonito. Mas não consegui eliminar a sensação de que estes atos “pró-amor” são feitos por uma minoria para uma minoria. Pra falar bem claro, pelos jovens da classe média paulistana.

Mas e daí? Só por ser de classe média, com um pouco mais de recursos, é proibido fazer ato a favor de alguma coisa? Se ficassem quietos em suas casas não seriam tachados de alienados? Conversei com alguns amigos sobre este movimento. As opiniões vão de quem acha uma bobagem pura e simples a quem apoia incondicionalmente. A crítica mais coerente, a meu ver, fala da utilização da palavra “amor”. Se você tem tudo em sua vida – trabalho, dinheiro, casa, etc. – vai atrás da única coisa que tudo isto não pode comprar: afeto. Daí toca ler frases de efeito como “o amor é importante, porra”, “mais amor, por favor” e por aí vai.

Mas São Paulo não precisa de amor. Ou melhor, precisa sim, mas está longe de ser o mais importante. Não acho de todo ruim movimentos como o da Praça Roosevelt. Pelo menos incentiva a ocupação do centro pela população, o que já é uma grande coisa! Só que a cidade, caótica como está, necessita de coisas concretas. Educação, saúde, transporte, lazer… Clichês? Muito, demais! Parece até coisa de político. Mas é a verdade, infelizmente. Como exigir amor de alguém que fica seis horas por dia em nosso delicioso transporte público pra ir e voltar do trabalho? Ou quem perde seu filho assassinado na periferia por ele ser “suspeito”?

Falar é muito fácil, concordo, mas a crítica precisa ser feita. Enquanto São Paulo não resolver seus clichês qualquer coisa pedindo mais amor será como foi domingo: Uma balada divertida, sem dúvida, numa tarde bem agradável e nada além disso. Acabou, cada um pro seu canto e vida que segue, da mesma forma. Ainda sem amor.

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