Vamos falar sobre homofobia? - MISTURA URBANA

Vamos falar sobre homofobia?

Na última terça-feira (17), o vereador eleito em São Paulo e policial Conte Lopes manifestou sua opinião a respeito do kit anti-homofobia que infelizmente* vem pautando a campanha eleitoral da cidade, criado durante a gestão do candidato a prefeito Fernando Haddad no Ministério da Educação, pejorativamente chamado de “kit-gay” por pessoas contrárias ao material. Em sua entrevista à TV Estadão, além de se declarar contra o kit, Conte Lopes declarou que “ser gay não faz bem pra ninguém” pois “nunca viu um gay feliz”, que “todo pai quer ver um filho brincando de bola e uma filha brincando de boneca, pois isso é o normal” entre outras declarações já esperadas de um representante da Bancada da Bala.

Após o resultado do primeiro turno das eleições, o midiático pastor evangélico Silas Malafaia declarou seu apoio ao candidato José Serra em São Paulo por também repudiar o material anti-homofobia de Fernando Haddad, considerado por ele um “incentivo ao homossexualismo” [sic]. Entre críticas ao material, o pastor afirmou que iria arrebentar o candidato petista. Surpresa nenhuma pra quem acompanhou o recente malabarismo do pastor ao tentar explicar o significado de “funicar” – ferrar, arrebentar, segundo ele – quando ameaçou funicar, arrombar e arrebentar o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, que segundo o pastor é um “bandido” e “safado”.

Ações em defesa do casamento igualitário, direitos civis e proteção contra a violência a homossexuais ganham força no nosso país, não impressiona que pessoas contrárias a estas ações se manifestem, o debate faz parte da democracia. O que impressiona é a violência das palavras e o discurso de ódio de pessoas ligadas à justiça, segurança e religiosidade contra os homossexuais. Impressiona que pessoas que trabalhem na polícia não se sensibilizem com as inúmeras notícias de violência sofrida por gays, lésbicas, travestis TODOS OS DIAS. E este é o motivo da infelicidade da maioria dos gays, vereador Conte Lopes: a intolerância, o desrespeito, a agressão, a exclusão. Impressiona pessoas que se declaram seguidoras de Jesus, símbolo de amor ao próximo, usando constantemente palavras de violência e intolerância.

E não para por aí… Temos os Bolsonaros da vida todos os dias ganhando espaço na mídia em programas considerados inteligentes e questionadores.

Com a desculpa do “não tenho nada contra gays mas…” discursos de ódio são tecidos em todos os lugares e ganham forças nas redes sociais travestidos de liberdade de expressão. E nós que somos pró-LGBTTT às vezes fazemos vista grossa, “é a opinião/crença dele”, pra não entrar em briga barata ou chamar alguém de homofóbico. Nesta omissão de quem respeita o homossexual a voz de quem não respeita ganha força e seguidores. Independente de religião, opção sexual, situação sócio-econômica, cor da pele de quem quer que seja: a homofobia não deve ser tolerada em nossa sociedade. Se queremos um país justo, desenvolvido e melhor de verdade temos que começar sendo – de fato – justos, desenvolvidos e melhores. E abertos ao diálogo, claro.

Pra quem não tem interesse em se colocar no lugar do outro e entender a necessidade de políticas contra a homofobia, ofereço o vídeo abaixo, já datado mas um tanto quanto atual:

>>>>>>>>>>> Demorou pra gente montar uma versão brasileira, hein, pessoal?

Para quem talvez nem seja gay mas é a favor da luta LGBTTT e tá a fim de ser melhor, umas dicas:

– Não é homossexualismo – que denota doença – é homossexualidade. (A comunidade médica é unânime ao afirmar que nenhuma orientação sexual é doença. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a palavra da lista de transtornos mentais ou emocionais e a decisão foi seguida por todas as entidades de psicologia e psiquiatria no mundo.)

– Não é opção sexual – porque muitas vezes não é apenas uma opção, a pessoa nasce gay – é orientação sexual.

– Não existe cura gay.

São detalhes pequenos mas que fazem diferença numa conversa sobre o assunto. ;)

 

*Sobre a questão do kit como tema da campanha eleitoral: vamos falar sobre São Paulo? 

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