Se vestir bem depende de roupas de grifes famosas? - MISTURA URBANA

Se vestir bem depende de roupas de grifes famosas?

texto enviado por Eduardo Salles Pimenta Filho 

Geralmente se tem a impressão que a fama da grife vem do reflexo da futilidade, agravada pela indução publicitária para o consumo específico da respectiva grife, criando assim, um conceito psicológico subjetivo, de que a marca, a grife é boa, com qualidade acima de qualquer suspeita.

A maioria das pessoas com senso crítico aguçado (intelectuais e cia) criticam a priorização de uma marca somente pela fama dela, porém a situação é mais complexa. É importante lembrar o início de todo o contexto da criação de uma peça de roupa, envolvendo a composição do tecido, o desenho da roupa, a cor, o design e o acabamento, concluindo assim que se trata de uma criação artística por todos os elementos que envolve o processo de criação, além das combinações das peças (sendo relevante o design, a cor e o tipo de tecido) para a composição de um “look” elegante e que atinja o objetivo da criação, o bem estar do indivíduo.

Partindo dessa linha de raciocínio, a fama de uma grife geralmente é fruto do trabalho, da criação artística da equipe, ou como ocorre no início, de uma só pessoa, o estilista, que acaba por conquistar um renome, um reconhecimento da marca, solidificando o seu trabalho. Seria justo então se “condenar” (com peso na consciência) pela escolha da compra de uma peça de uma grife famosa? Ou criticar as pessoas que optam por grifes famosas? Fazendo analogia, criticar tal postura seria como criticar uma pessoa que paga caro por uma obra de arte renomada.

Mas ainda existe outra situação, as grifes que estão iniciando e que não são famosas, consequentemente vendem peças a preços mais acessíveis. Nesse sentido, ocorre a crítica feita por aqueles que se dizem entender de moda, classificando essas peças, como peças “bregas”, “vagabundas”. Ora, se fosse por causa da qualidade de um tecido, ou acabamento, se entende, e nem é por causa estética, mas por mal serviço, falta de capricho na costura do acabamento da roupa.

A arte da moda, a arte da criação de vestuários é razão que fundamenta a fama de uma grife, e é a mesma razão que fundamenta o valor das peças de brechós, de marcas desconhecidas. É fácil se “vestir bem” (considerando que se vestir bem não depende de roupas caras) tendo dinheiro, pela acessibilidade às peças disponíveis. O talento para moda fica explícito quando consegue se vestir bem, elegante, com recursos financeiros limitados, forçando o indivíduo a ser mais criativo com uma percepção, (consequentemente resultando em conhecimento) mais apurada sobre as peças de roupas. Ser elegante e se vestir bem, é uma arte, e como toda outro ramo da arte, o talento está na criatividade, na capacidade de criação e de adaptação e não no dinheiro.

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