Mostra "Kome" na Japonique - MISTURA URBANA

Mostra “Kome” na Japonique

A partir do dia 11 de agosto, quem mora em Sampa pode conferir a mostra KOME na loja Japonique, na Vila Madalena. O projeto de fotografia e vídeo de Roberto Maxwell, que já passou por Recife e Porto Alegre, é uma reflexão sobre o primeiro ano após a tragédia de 2011, no Japão, sob o ponto de vista da formaçãode novas relações comunitárias.

É com este mote que o jornalista carioca Roberto Maxwell, radicado no Japão, apresenta a mostra “Kome – Pós-desastre e reorganização comunitária no Nordeste do Japão”. Na abertura, a partir das 13h30, acontece uma demonstração de mochi (bolinho feito de arroz batido) e apresentação de shakuhachi (flauta tradicional japonesa feita de bambu) com o músico Danilo Tomic.

Reestruturando os laços comunitários

Depois do desastre de 11 de março de 2011, milhares de pessoas passaram a viver em residências temporárias. Nestes conjuntos residenciais, o desafio é viver tão próximo dos demais vizinhos, algo incomum na região atingida pelo tsunami que, em boa parte, era uma área periurbana ou rural. A nova situação redesenhou as comunidades, a medida que, devido aos problemas enfrentados, os moradores acabam percebendo a importância de atuar em conjunto nas negociações com os governos, voluntários e demais agentes sociais.

KOME traz fotografias das áreas afetadas um ano depois do tsunami e, ainda, mini- documentários que contam três histórias que mostram o desafio de construir esses laços.

“Mochi” é a história de Shoji Yamada, um pescador que perdeu a casa e os instrumentos de trabalho no tsunami. Vivendo num conjunto de residências temporárias em Sendai, a 370 km de Tóquio, ele passa uma tarde de domingo com os vizinhos fazendo o mochi num dia especial, o Hina Matsuri, o dia das meninas.

“A Caldeira” conta a história de Shintaro Suzuki, líder comunitário em Shibitachi, uma pequena vila de pescadores localizada a cerca de 500 km da capital japonesa. A família Suzuki é uma das fundadoras da vila. Após um terremoto, há mais de 100 anos, a família construiu um “kama”, uma enorme caldeira de ferro aquecida a lenha como forma de oferecer água quente para os moradores das áreas afetadas pelo tsunami que se seguiu ao sismo. Seguindo a tradição familiar, o senhor Suzuki abriu as portas de sua casa para servir água quente aos desabrigados.

“Titi Freak – Grafite para Ishinomaki” conta como o artista brasileiro Titi Freak levou sua arte para os moradores de um conjunto de residências temporárias na cidade de Ishinomaki, a 400 km de Tóquio. Seu desafio foi criar uma marca distintiva para cada um dos blocos uniformes do conjunto residencial. Mesclando seu trabalho, de forte influência japonesa mas com cores bem brasileiras, com os interesses dos moradores, ele criou painéis e uma intensa relação com os membros da comunidade.

A exposição conta com apoio da Japonique, Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (ACAL) e Danilo Tomic.

Um pouco de cultura :: Arroz, elemento de união

“Kome” é “arroz”, em japonês. Os asiáticos tem uma forte relação com o arroz que exerce um forte poder aglutinador nessas sociedades. Os japoneses comem o arroz em praticamente todas as refeições. Puro, servido como sushi, em bolinhos — o onigiri — e, até mesmo, como doce. Um dos pratos mais tradicionais do Japão é o mochi, uma espécie de bolinho feito com massa de arroz. O mochi é extremamente versátil. Pode ser comido com acompanhamentos salgados, como o molho de soja shoyu, ou doces como o anko, uma geleia de feijão azuki.
Outro ponto interessante do mochi (lê-se ‘moti’) é a sua preparação caseira. Em geral, as famílias preparam mochi em ocasiões festivas, como o Ano Novo. O mochizuki (a preparação do mochi) é uma atividade que envolve a família como um todo e é vista como um símbolo de união e cooperação. O mochi é preparado em uma espécie de pilão onde o arroz, depois de cozido no vapor, é amassado até se tornar uma massa coesa. Em seguida, a massa é dividida em pequenos bolinhos que são consumidos.

 

Serviço

“Kome – Pós-desastre e reorganização comunitária no Nordeste do Japão”
Roberto Maxwell
O quê: Fotografias (p&b) e vídeos
Abertura: 11.08.12 (sábado), a partir das 10h
Quando: 13 a 25.08.12 – Seg a sex, 10h às 18h e sáb, 10h às 18h
Onde: Japonique – rua girassol, 175 l vila madalena l sp
Telefone: 11 3034.0253
Quanto: entrada franca
Homepage: http://programanojapao.blogspot.com.br/

Links
www.japonique.com.br
www.acalliberdade.com.br
http://sonora.terra.com.br/Artista/45862/danilo_tomic

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Lila Varo

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Lila Varo, é produtora de conteúdo, editora do Mistura Urbana e mais um continente a sua escolha. lila[@]misturaurbana.com

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