Entrevista com o artista Ricardo Pennino - MISTURA URBANA

Entrevista com o artista Ricardo Pennino

O artista Ricardo Pennino é de São Paulo, tem 28 anos, e é formado em ciências biológicas, mas deixou a área acadêmica para se dedicar às artes visuais. Na entrevista você conhece um pouco mais sobre ele e suas criações.

 –  Como começou a desenhar, a criar. Quando descobriu esse talento?

Por causa de uma cirurgia no joelho tive que parar de andar de skate por um tempo, mas a vontade de ir para a rua, céu aberto, continuava muito grande. Assim achei um jeito que não dependia do joelho 100% para fazer algo nas horas que não estava me dedicando à faculdade. Aos poucos fui percebendo o valor da possibilidade de comunicação com todos, de uma maneira muito democrática. A tal da pintura na rua. A dedicação ao desenho e pintura foi crescendo na medida em que sentia necessidade de evolução no graffti. Nessa época não existia nenhum pensamento profissional relacionado às pinturas. Só no final da faculdade o artista Vermelho começou a me chamar para um jobs de cenografia. Foi o primeiro contato com alguma profissão que envolvia pintura e um momento de grande aprendizado graças ao convívio com Vermelho e sua esposa Ju Violeta.

A partir daí comecei a me envolver mais com cenografia passando por lojas, museus até chegar nas festas de música eletrônica, não podendo deixar de citar o grande amigo Ricardo Donadio nesse momento. Ainda não trabalhava com minhas criações, pois estavam muito crus tanto o estilo quanto as técnicas, mas a vontade começou a ganhar proporções muito grandes. Das festas parti para montagens de exposições em galerias para me aproximar do meio artístico, convivendo com artistas e toda a equipe necessária para que os eventos acontecessem. Graças a essas vivências comecei a fazer algumas assistências diretas com artistas. Um amigo artista bem importante foi Bruno Baptistelli, muitas ideias trocadas e ensinamentos ampliaram os horizontes artísticos.

 –  Fale um pouco de seu trabalho e das suas criações e estilos

Pinturas bem coloridas, tendendo a abstração com recortes fortes juntamente com degradês e padrões. Gosto de pintar aquarelas também e acho muito interessante a influência dessa técnica quando vou pintar as paredes. Me proporcionou uma visão de massas de cor, degradês e reserva de espaços, o que ajuda a poupar tinta. Quase sempre uso só tinta spray e gosto muito de pintar no estilo livre, sem projetos ou rascunhos, mas a profissão exige algumas vezes uma prévia do que será colocado na parede. A alquimia da combinação das cores me levou mais para a pintura do que para o desenho, por mais que os dois juntos possam formar as melhores imagens.

 –  Tem influência da street art?

Sim, já que comecei pintando na rua, com a vontade de sempre evoluir na técnica com as latas de spray. E os olhos sempre atentos nas voltas pela cidade.

–  Do que são compostas suas criações?

Hoje vejo um rumo mais para o abstracionismo com formas orgânicas e bem coloridas, movimento e às vezes coloco uma pitada de op art. Sempre tento deixar em aberto para o espectador colocar sua bagagem e terminar a história, se quiser.

 –  Você tem um estilo psicodélico, super colorido. Como define?

Não sou muito das definições fixas, mas acho que posso falar da constante mutação e questionamento tanto racional quanto emotivo. Formas mais orgânicas e massas de tinta.

 –   As inspirações da onde vem?

Sentimentos, sensações e a natureza.

 –  Como é o processo criativo para colocar a arte nas paredes?

Depende, às vezes faço um projeto com esboço, mas gosto muito de fazer tudo na hora, tinta na parede. Tento sentir o que está ao meu redor e começo um jogo onde vou colocando as cartas que trago na manga e testando as novas. Tento sempre me colocar como lente para que a imagem criada transmita algumas energias presentes nos locais e nas pessoas que ali transitam, como uma tradução.

–  Já participou de exposição? Tem data?

2009

– Coletiva Homenagem a Rui Amaral, Centro Cultural Ação Educativa, São Paulo

2010

– Coletiva Murada, Escola – Beco do Aprendiz, São Paulo

– Coletiva Panorama Brasil:

– Casa do Brasil e Casa da América Latina, Lisboa, Portugal

– Coletiva Art Open, Eschweiler, Alemanha

– Coletiva, galeria Lucia Hinz, Alsdorf, Alemanha

2011

– Coletiva, galeria Aachen Arkaden, Aachen, Alemanha

– Coletiva Ecoparade, MUBE
– Coletiva no espaço 132

–   Quais são as mensagens que podem ser passadas com as suas criações?

Dar ouvidos às emoções e suas sinestesias para que consigamos ampliar a consciência e conectar com o universo, Macro-micro.

 –   Por último, deixe uma mensagem para o pessoal que gosta da sua arte

Expanda e contraia pois a única lei fixa no universo é o movimento.

Para conhecer mais sobre o trabalho do artista, visite o site ou ainda seu perfil no facebook.

 

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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