Entrevista - Lu Godoy - MISTURA URBANA

Entrevista – Lu Godoy


Inspirar + ação: Lu Godoy, consagra com originalidade e estesia, árvores e painéis orgânicos que dialogam com o graffite, a arte gestual e por que não, o design. Graduada em Artes Visuais e Pós Graduada em História da Arte, a paulistana vem conquistando seu espaço, dedicando-se a pesquisa do movimento da natureza, e espalhando criatividade e beleza nos mais diversos ambientes. A artista, que trabalha com um método próprio, investiga e atende a individualidade de cada cliente. O resultado é uma pintura personalizada, produzida em harmonia com arquitetura e as expectativas de quem precisa da natureza e a Arte mais próximos.

O MU entrevistou a moça, que há cinco anos vem colhendo elogios e cada vez mais clientes.


Quando começou seu interesse por artes?

Difícil definir, desde sempre talvez! A Arte enquanto criação sempre esteve presente em meus hábitos, na infância, por mais que estivesse só brincando, explorava possibilidades diferentes do material utilizado, e eu sempre era apontada como criativa por professores e familiares. Adorava pintar diferentes faces nos ovos enfileirados da geladeira.

Já na adolescência me deparei, com a necessidade de técnicas artísticas e maior julgamento com a estética das criações. Uma simples carta tomava-me o tempo de uma tarde tamanho prazer e necessidade de capricho, comecei a me identificar com a dedicação no fazer artístico.

Contato com o repertório histórico artístico veio apenas depois e o encantamento nunca acabou! Estudo Arte a mais de 12 anos e faço cursos até hoje, mesmo bacharelada em Pintura e Pós Graduada em História da Arte. Parece que a fonte é inesgotável.

As árvores foram sempre uma fonte de inspiração ou surgiram nos seus trabalhos depois de um tempo? Por que árvores?

Não foram sempre não, pelo contrário, cada fase se apropriou de um tema e talvez só o circo seja sempre uma fonte de inspiração. A árvore surgiu completamente por acaso e combinou muito bem com o modelo profissional: “Pintar para o outro”, explico:

Todas as árvores são originais em sua forma orgânica e movimento, mesmo as de mesma espécie, possuem características próprias de seu processo de crescimento, e evidentemente nós seres humanos também. Somos iguais por característica humana e apenas o que nos diferencia são nossa essência e aspectos peculiares.

Como uma boa escorpiana e irmã gêmea de uma astróloga, sempre foi espontâneo analisar tais particularidades pessoais e comportamento das pessoas, se não fosse artista talvez fosse psicóloga, e associar pessoas a árvores, estimulando a busca de elementos para concretizar uma pintura personalizada, foi colocar essa característica intuitiva a meu favor no âmbito profissional.

Possuo mais de 50 pinturas com árvores sempre compartilhando criatividade nesse processo criativo colaborativo. Além de ser minha profissão é extremamente gratificante esse contato com o outro, tornei-me amiga de grande parte dos clientes e as pinturas de árvores, modéstia à parte, estão cada vez melhores.


Você tem algum artista específico que te influenciou?

Tenho artistas prediletos, amo em especial Toulouse Lautrec, mas também, Egon Shiele, Portinari, Picasso, Otto Dix, Chagal, Saul Steinberg e por ai vai. Grande influência no trabalho com as árvores fica por conta da Arte indígena, rupestre e Nouveau.

Como é seu processo de criação?

Diria que instintivo e espontâneo. Caso faça um projeto dificilmente o sigo a risca; procuro alguns elementos que me norteiem, porém deixo fluir no pincel! Incrível como a maioria das pessoas sempre me perguntam a mesma coisa: Mas você não desenhava a lápis antes? Nunca!

Pelo fato da maioria dos seus trabalhos atuais serem em paredes, você já pensou em ir para as ruas com a idéia de explorar as árvores como graffiti (street art)?

Sim, várias vezes. Amo graffiti e tenho curiosidade de usar spray, nunca usei. Existe uma questão de gênero muito forte nesse sentido, não cresci fazendo graffiti, vim do pincel como a maioria das mulheres que até fazem graffiti atualmente, sinto-me forçando uma situação ou entrando por modismo. Mas não sei exatamente por que ainda não fui. Talvez porque esteja sempre à procura de trabalho ou trabalhando, pois tenho outra atividade como guia de arte em turismo cultural, e dificilmente tenho uma semana livre e despreocupada para ir experimentar a rua para pintar. Além de acreditar que as mensagens nas ruas são mais interessantes quando engajadas, não apenas belas.

Gosto realmente dos graffiti com essa comunicação inteligente, o grafiteiro Blu, Banksy e até osGêmeos, fazem isso com propriedade. Não que não goste dos outros graffitis, apenas me atrai as mais provocativas; a sociedade precisa de mensagens mais que belas para sair de letargia!


Qual sua opinião sobre arte de rua, instalações e intervenções urbanas?

A arte precisa ser renovada ou as civilizações se renovam através da arte? Estamos dentro de um movimento artístico único e da melhor qualidade, seja na arte do grafite, ou na arte contemporânea. Essas manifestações artísticas são desdobramentos de artes anteriores, dizem sobre como nos comportamos em nossa realidade, e gostando ou não, seremos estudados através delas. Os movimentos artísticos já consolidados foram novidade em seu surgimento e também causaram estranheza em sua época como causam agora. Amo o repertório tradicional e moderno da Arte, porém também procuro cada vez mais me identificar com o que esta sendo produzido. E olha que arte contemporânea só me conquistou com diversas viagens a Inhotim (Museu de arte contemporânea MG).

Você consegue viver da sua arte? Existe uma dificuldade e uma falta de valorização da arte no Brasil?

Hoje em dia sim. Consigo viver de minha Arte e só não sei como seria viver como professora de Arte no Brasil!

Existe uma dificuldade enquanto modelo cultural, não é fácil se consolidar como artista, o caminho não esta aberto com mapas e guias facilitadores, é preciso coragem e cada vez mais artistas tem conquistado seu espaço lutando pelo seu ofício. A arte do grafite esta em voga, o grafite brasileiro é incrível, e muitos dão o exemplo que já é possível ser artista no Brasil desde que haja dedicação a isso. Sou fã do Binho Ribeiro nesse sentido.

 

Contatos:
lugodoy.com
[email protected]
T. (11) 8448.2000

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