Entrevista César Franzói - Arte Geométrica - MISTURA URBANA

Entrevista César Franzói – Arte Geométrica

O artista plástico César Franzói Maróstica, tem 33 anos e começou a trabalhar com arte em 2002, ele diz que esse ingresso dentro desse universo artístico é uma mistura de intuição e curiosidade. Saiba mais em um bate papo com ele.

–       Fale um pouco de seu trabalho e das suas criações.

Tudo começou em 2002 em um festival de música eletrônica chamada Ypy Poty, em Ubatuba – SP. Lá foi onde vi meu primeiro cenário fluorescente psicodélico. Tudo chamou muito minha atenção, a música, a forma das pessoas se vestirem, a linguagem estética visual do ambiente , tudo me parecia muito novo e ao mesmo tempo mexia com uma ancestralidade interna, até então desconhecida.  Na época eu trabalhava em uma loja da família, e fazia uns freelas para produtoras de videos. E na semana seguinte que voltei do festival, senti uma vontade imensa de recriar uma escultura em forma geométrica que tinha visto lá. Comprei palitos de madeira para churrasco, e montei uma pirâmide de 3 lados ( tetraedro) que tinha visto lá, e com um fio dental, fiz algumas amarrações naqueles palitos e achei uma fórmula de divisão de espaço, e naquela forma que eu amarrei as linhas eu achei a mesma pirâmide só que em formato de linha de ponta cabeça, dentro da estrutura de palitos.

Achei aquilo bonito, e meus amigos do trabalho tb. Fiz outra separada e juntei as duas, e percebi que eu poderia usar aquela razão geométrica para ligar as duas.  Naquele momento era como se eu tivesse descoberto uma forma de divisão e multiplicação do espaço infinita onde eu poderia colocar módulos e mais módulos que tudo se encaixaria, em uma razão única.  E dai surgiram uma série de esculturas de linhas. Passei grande parte desenvolvendo só esculturas em linhas, até que então comecei a faze las também de resinas.

Minha carreira nas artes, começou desta maneira. Fazendo estas esculturas em casa e trabalhando na loja. Até que um dia toca meu telefone e era uma menina chamada Rejane ( que virou irmãzona) me convidando a fazer um trabalho que era a montagem de um evento uma festa chamada Tribe e quem assinava o Cenário e o conceito era um cara chamado Thomas Goebel , que tinha participado na produção e na construção do cenário do Ypy Poty ( festival que tinha me servido de inspiração e referência). Fiquei muito feliz deste encontro e segui trabalhando com ele em algumas outras festas e festivais. Isso foi em 2004 e 2005 .

Até que em 2005 conheci Rogério Hirata, artista Plástico em um club paulista de trance, chamado Klatu Barada Nikto.  E ali fechamos uma parceria de trabalho, e criamos um coletivo artístico chamado Geômetra. Logo deixei tudo o que fazia, o trabalho da loja e outros em produtoras , e me dediquei só as artes plásticas.

Com o Geômetra, nosso primeiro trabalho foi a participação  de um cenário de um Festival chamado Universo Paralello , e ali foi nosso grande desafio, fomos super bem acolhido por todos ali. E nosso trabalho aprovado. E depois disso fizemos cenários para festas por quase todo Brasil e até fora dele, fazendo isso até hoje . No final de 2011 fizemos mais uma parceria nas artes e junto com Daniel Kage , fizemos uma escultura de aço inox.

–       Como começou a desenhar, a criar. Quando descobriu esse talento?

Os desenhos surgiram , no comecinho de 2008. Estávamos em um sitio, ( citarei nomes mesmo que não faça sentido…. para mim eles tem participação importantíssima, na minha abertura de captação das ideias para desenhos ). Eu, o Rogério, Chawky, a Sabrina , a Nathy , e a Mirian estávamos fazendo um trabalho de resina, e o resto do pessoal estava desenhando. A resina de  meu trabalho não secava,  e eu num sabia o que fazer, lembro que meu amigo Chawky, disse “desenha mano, eu disse – eu num sei desenhar . Ele retrucou, não duvide da sua imaginação mano, e dai eu falei, tá bem,  nisso um amigo, o Rogério vem com uma pena e tinta nanquim e uma folha A3 e diz : “Vc vai ser desenhista de nanquim, peguei  e fiz . E assim começou.   Fique desenhando de sexta até domingo quase sem parar, e gostei muito da sensação de desenhar, de deixar fluir sem regras, diferente do meu trabalho de linhas que era baseada em geometria, regras e cálculos.  No princípio eles eram só branco e preto, fiquei  dois anos desenhando assim, até que de tanto meus amigos falarem para eu colorir, comecei a fazer. Não sei muito da parte técnica das cores, combinações , e tal, as uso de acordo com o que vou gostando, olho pro papel e depois olho para caixa de lápis, pego, e saio pintando, sem regras .

–       Do que é composta suas criações, influências e inspirações. Preferência para as formas geométricas e abstratas? E sobre as cores?

Minhas criações são compostas de referências que me interesso,  temas como geometria sagrada,  psicodelia, natureza, espiritualidade , e outros estados e níveis de consciência . ( ENOC ) http://pt.wikipedia.org/wiki/ENOC,   fazem parte da minha pesquisa, e o que eu procuro passar nos desenhos. Tenho muitos artistas que me servem de referencia no Brasil , Thomas  Goebel , Marcelo Jaz, Rogério Hirata, Joe Nishimura, Rodrigo Eccos, e fora do Brasil , Alex Grey , Robert Venosa, Luke Brown, Sola Tido. São algumas de minhas inspirações.

–       Você começou seu trabalho criando para festas, festivais e eventos, estruturas de decoração, e agora esses trabalhos também foram para as telas?

Tudo começou em festas, em instalações em grandes formatos, com cenários. Posso dizer minha carreira começou a acontecer mesmo depois da oportunidade de mostrar nosso  trabalho no Universo Paralelo, sou muito grato a eles.  E acredito que isso foi sintetizado para o  papel. Vejo esta ligação pela quantidade de elementos que compõe meus desenhos na mesma proporção de elementos que exige uma instalação de festa .

Já escutei comentários também que meus desenhos  lembram decoração de festa, cidades alienígenas e de outros planetas. Nunca começo um desenho com uma história toda formada, ele faz parte de um processo longo. Chego a demorar até 6 meses em um desenho, e neste período muito se passa na minha cabeça.

Assim acontece também na criação de um cenário, partimos de uma ideia inicial, e durante a construção dele, muito vai surgindo. O legal destas instalações é  que sempre reuni muitos artistas das mais variadas técnicas, e o resultado final fica sempre surpreendente, e inesperado para todos.

–       Cite algumas festas onde sua arte percorreu, e alguns lugares.

Vou citar algumas festas e festivais que já participei :  Universo Paralello (BA) , Respect festival ( SP), Mystic Tribe (SP), Waves of Peace (RJ), Magnetronic (SC), Festiva Cachoeira Alta ( MG), Festa da Vagalume (DF),  Virada Culural ( SP), Soulvision Festival ( SP), Boom Festival (Portugal), Still Dreaming ( Espanha ).

Tenho participado também de alguns salões de artes .  Fiquei em 3º lugar no salão de artes Plásticas de Rio Claro de 2009, Participei do Salão de Artes de Atibaia de 2010, expus na Academia Brasileira de artes no dia Nacional das artes 2010 em São Paulo,  em Brasília participei da exposição Brasil Brasília no Teatro Nacional Franco Montoro, além da 3ª Bienal Brasileira de Bruxelas, na Bélgica.

–       Quais são as mensagens que podem ser passadas com as suas criações?

O quero passar em minhas obras , é retratar um mundo  muitas vezes inimaginável, como a retratação de uma outra dimensão, uma outra  realidade,  inexplicável, e revelador ,  misterioso e cômico. Meus desenhos levam os quatro elementos, a  água, o fogo, a  terra e o ar, e se vê em detalhes, ele é  composto pela parte da teia de vida que existe nestes elementos. A ideia é de que toda a forma de vida, todas os planetas, dimensões, seres, espécies, o que existe. É entender a sua importância neste grande organismo vivo , e todos viverem em harmonia.

–       Por último, deixe uma mensagem para o pessoal que gosta da sua arte, e os seus contatos.

Primeiro quero agradecer por todo positivismos e apoio que venho recebendo, sobre meu trabalho, de toda minha família, dos meus amigos e por onde tenho passado.  Tambem faço  um convite a todos, a virem ver  no dia 10 de Julho a Exposição InterArte . Com dois grandes mestres da arte visionária Alex e Alisson Grey , onde estarei participando  junto com outros artistas Brasileiros na Chácara Santa Cecília. Você pode conferir esse evento no Facebook.

Deixo a todos aqui meu agradecimento, sem vocês nada faria sentido.

Somos do tamanho de nossos sonhos. A fé neles ajuda muito. Sonhem e divirtam –se. MFCÉSAR

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Natt Naville

Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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