REVIEW SÓNAR SÃO PAULO - MISTURA URBANA

REVIEW SÓNAR SÃO PAULO

Esse final de semana foi para mim e com certeza, para muita gente, um dos mais aguardados do ano. O que chegava finalmente depois de meses de expectativa? O Sónar São Paulo, o festival da vanguarda musical e da new media art. O festival catalão nasceu em Barcelona, em 1994, com a proposta de evento pioneiro no que diz respeito ao formato e conteúdo. Ele é atualmente um dos mais consagrados festivais do mundo, e está sempre em busca de artistas, com sonoridade interessante e criatividade visual.

Então, lá fui eu conferir os dois dias do evento, com a  sensação de que meus ouvidos sairiam dali com uma boa bagagem musical e meus olhos cheios de experiências visuais. A edição brasileira mais paulista do festival, levou cerca de 30 mil pessoas ao Parque Anhembi, no pavilhão de exposição, em três espaços diferentes: SonarClub, SonarHall e SonarVillage, que trouxeram na programação, diversos artistas, tecnologia e arte. O resultado? Milhares de apaixonados por música e novidades.

Chromeo por Camila Uchôa
Nos dias 11 e 12 de maio, em uma área indoor de 400 mil m2, com 48 artistas na programação de 13 nacionalidades “around the world”, o Parque Anhembi fez desse final de semana, a cidade de São Paulo, como a capital da música avançada.

Assim que cheguei ao evento, logo em sua abertura na sexta, as 19h tive a impressão de entrar em um outro mundo, o pavilhão se transformou em algo novo, tecnológico, cheio de luzes, pessoas descoladas, e muita informação. Logo na entrada, ficava o SonarVillage, com grama sintética, lembrando o festival catalão que tem área open air. Nesse espaço no primeiro dia, passaram por lá nomes do hip hop e do turntablism, como Doom e Cut Chemist, além deles, os brazucas: Emicida, uma das revelações do hip hop nacional dos últimos anos, que em seu show, homenagiou o cantor Bucheca, e criticou os politicos em uma apresentação dançante. No mesmo palco, o produtor Zegon recebeu seus convidados, e os Djs Marky e Patife, pioneiros do drum&bass, fizeram um back to back incrível, levando muitos fãs ao local.

Emicida por Camila Uchôa

Com a proposta para apresentações mais intimistas na música e também, em projetos audiovisuais, o SonarHall foi instalado em um auditório com ar condicionado, ótima acústica, e cadeiras confortáveis, além de espaço para dançar. Nessa noite, assisti aos espanhóis ZA!, que fazem um instrumental eletrônico,  com bateria, sax, guitarra e controladores. Foi um show atmosférico. Também vi o brasileiro Ricardo Donoso, com um repertório um tanto quanto psicodélico, que me chamou a atenção. Além disso, projeções tomavam espaço e interagiam com a música

No mesmo palco, Criolo se apresentou com sua banda, com um público bom, já que no mesmo horário acontecia o show do Kraftwerk. Subi então até ao SonarClub, local com capacidade para até 15 mil pessoas, em um galpão com diversos bares, praça de alimentação, banheiros convencionais, além dos químicos espalhados. Foram distribuídos para o show do grupo alemão, milhares de óculos em 3D, afinal era a estreia dos caras na América do Sul, em uma mega apresentação. Eu gostei do show, houve interação, e a sensação de música e efeitos visuais juntos, criaram uma outra realidade. O público aplaudia extasiado, a cada batida com sintetizador e produções com ritmos robóticos.

Kraftwerk por Daniel Vorley/ Getty Images LatAm

Na mesma noite, Little Dragon com sua música indie experimental lotou o SónarHall, com um repertório eletrônico, com downtempo, e influências de trip-hop e R&B contemporâneo, em um show com pouco mais de 1 hora.

Além da programação musical, o festival compartilhava cinema, audiovisual e palestras. O SonarCinema, colaboração entre o Sónar e os festivais catalães, In-Edit e Screen from Barcelona, levou uma programação que incluia filmes, com qualidade e originalidade, entre eles, High in Hope, sobre as festas raves londrinas, em pleno movimento acid house e celebrações em galpões “abandonados”. A tecnologia aplicada a criação audiovisual e sonora, teve seu espaço no SonarPro, que contou com workshops, debates e conferências importantes com grandes nomes de new media, como o brasileiro Muti Randolph, um dos pioneiros em utilizar computadores como ferramenta e suporte para artes visuais.

Little Dragon por Camila Uchôa

Entre uma atração e outra, era possível jogar videogame em gigantes telas de led, tirar fotos com tecnologia, ou ainda, descansar no lounge, encontrar amigos e fazer conexões.

Austra (Robson Bento/ Getty Images LatAm)

De volta ao SonarHall assisti a uma parte do show do grupo canadense Austra, que traz em seu repertório um electro sombrio, com vocais de ópera, e é cantado por mulheres. Eu gostei bastante. Ainda no primeiro dia, o show que eu mais aguardava era do duo canadense Chromeo, regado a muito electrofunk. Mesmo com um sistema de som que reforçava as batidas graves, Dave 1 (guitarra e vocal) e P-Thugg (teclados, sintetizadores e vocal), pareciam bastante animados com o primeiro show oficial em São Paulo. Sucessos, como “Night by Night” e “Don’t turn the lights on”, fizeram a minha noite e de muita gente feliz.

 

Segundo dia de Sónar

O Festival em São Paulo trouxe em sua programação, 29 artistas internacionais, dos quais 19 nunca vieram antes ao Brasil, e 19 brazucas foram selecionados e completaram o line up desse evento urbano, que na noite de um sábado frio, fez um mix de novos talentos da arte, da música e das novas mídias. No sábado, os portões se abriram as 16h, e mesmo com uma hora de atraso nos principais shows, foi uma noite com apresentações de destaque de brasileiros no SonarVillage, como Dago, além da apresentação incrível no SonarHall, de Mogwai, que para mim, foi uma das melhores experiências sonoras instrumentais. O grupo escocês com composições cheias de constrastes, muita guitarra e linha de baixo melódicas, fizeram uma noite com muitos aplausos e atentos observadores.

SonarPro - Jocabola (Robson Bento/ Getty Images LatAm).

Os brasileiros do The Twelves, formado por João Miguel e Luciano Oliveira, fizeram, mesmo  que em uma curta apresentação,  um desfile de sonoridades influenciadas por Daft Punk, Vitalic, Cut Copy, e o smashups produzidos ao vivo, que deixaram um gosto de quero mais.

A noite de sábado também era a noite de Justice. O duo francês foi a atração mais esperada e celebrada do segundo dia do evento, e foi recebido como rockstars. Amplificadores, cruzes e muitas luzes, completaram a experiência visual proporcionada pela dupla, além de telão com jogos de luzes em sincronia e ótima estrutura de palco, falando nisso, há de se aplaudir a tecnologia e criatividade da maioria dos artistas que se apresentaram. Realmente música e imagem em perfeita harmonia, criam efeitos surreais e empolgantes.

Justice (Daniel Vorley/ Getty Images LatAm)

Destaque também para o inglês James Black, que abriu pro Kraftwerk na primeira noite, e se apresentou no SonarHall com sua banda, um repertório regado a dubstep, com influências de IDM, dance music, jazz e soul music. Outro cara que também chamou minha atenção foi o espanhol Jhon Talabot, que tocou com 3 toca discos e fez um “after party”  bem intimista no SonarHall. Eu até tentava sentar na tal cadeira confortável, mas realmente o som era muito bom, para não ser bailado. Um house altamente produzido, com vocais viajantes e criativos.

O festival trouxe ainda o showcase da Red Bull Music Academy, com o conceito global de seu projeto realizado anualmente desde 1998, que promove assim, o encontro de grandes nomes da produção musical com novos e criativos talentos. No encerramento da noite, quase as 4h da matina, Jeff Mills entrou com o mais puro techno de Detroit, com sua técnica que passeia por mixagens rápidas e perfeitas em 3 toca discos.

Em poucas palavras, vi e curti um evento com riqueza musical, saindo do mainstream e abrindo portas para novos conceitos em arte, new media, audiovisual e sonoridade. Quem esteve presente sem rótulos nem preconceitos, pôde agregar muito a sua bagagem cultural e musical. Agora, é torcer para o festival virar anual.

Se você estará em Barcelona, no mês que vem, poderá curtir a edição catalã, nos dias 14, 15 e 16 de junho. Para conferir mais informações e toda a programação aqui no site.

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Natt Naville

Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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  1. […] começo desse ano rolou em São Paulo, o Sónar Festival, um evento catalão, que nasceu em Barcelona em 1994, e tem na sua programação música de […]

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