O meu olhar sobre o filme "Paraísos Artificiais" - MISTURA URBANA

O meu olhar sobre o filme “Paraísos Artificiais”


O filme “Paraísos Artificiais“, estreou nos cinemas no dia 04/05 e está dando o que falar. A produção nacional traz a história de três personagens: Nando, ( Luca Bianchi)  Lara, ( Lívia de Bueno) e Érica, ( Nathalia Dill) que se conhecem em um festival de cultura alternativa e vivem um triângulo amoroso. O cenário? Uma praia paradisíaca, música, e o sentimento de ser livre. Te remeteu algo? Tudo isso, ainda é embalado e potencializado por diferentes artifícios para se abrir a porta da percepção: substâncias alucinógenas e drogas sintéticas, que ajudam nas experiências sensoriais dos personagens. O festival de música eletrônica é apenas o pano de fundo para uma vida de encontros e desencontros, de descobertas, de se achar, de se perder. Há quem goste, quem se identifique, quem deteste, quem ache moralista ou aquele que simplesmente consegue voltar no tempo, e reviver longos anos em poucos minutos, muitas histórias em alguns momentos. Esse é o meu caso.

Escrevi uma carta ao diretor Marcos Prado, e hoje ela foi publicada na página do facebook de Paraísos Artificiais. O que eu acho de tudo isso? Segue o que escrevi.

“Caro Marcos Prado, meu nome é Natt Naville, sou jornalista e frequentadora de festas e festivais de cultura alternativa desde 1999, e escrevo para contar que, logo após ter assistido ao trailer do filme, duas sensações tomaram conta de mim: curiosidade e nostalgia. Assim, uma vontade imensa me despertou para assistir Paraísos Artificiais, e por alguns segundos, consegui voltar no tempo e me lembrar de algumas situações.

Foi então que tive a oportunidade de estar presente na pré estreia do filme no Openair – Cinema ao ar livre em São Paulo, e posso garantir que durante toda a apresentação, em uma mega tela no Jockey Club, pude sentir cada segundo da emoção que meus olhos puderam captar, que meus sentidos puderam pulsar, e assim, minhas lágrimas pudessem enfim, deixar cair.

Me identifiquei com o filme, vivi muitas experiências e passagens parecidas durante esses anos, fiz escolhas certas e erradas, fui livre, experienciei, aprendi e claro, vivi tudo intensamente. Tão intensamente, que acabo de terminar um livro contando todas essas experiências.

O filme não é sobre a cultura alternativa, é apenas uma pincelada, o pano de fundo para a história de amor, para os encontros, desencontros, afinal, há muito o que se mostrar e falar sobre esse modo de vida tão colorido e mágico, tão multicultural e vivo.

As drogas como temática, servem como artifício para as experiências dos personagens, é uma abertura para uma outra vida, para outras percepções, ela é escolha, ela é um novo caminho, que pode ser bom ou ruim, depende da onde se quer chegar. Assim é na vida cotidiana com qualquer escolha que fazemos.


As drogas sempre existiram. Elas fazem parte do universo, sendo utilizadas em rituais, com o peiote, pelos índios americanos no México, como retrata bem a obra de Carlos Castaneda “A erva do diabo” de 1968, ou no relato de uso de substâncias, como o DMT, por Timothy Leary, e a descoberta do LSD por Albert Hofmann. Elas sempre estiveram ai, em qualquer lugar. Elas serviam para abrir a porta da percepção para um novo mundo, como tão bem escrevia o poeta Aldous Huxley, ou ainda, como o sábio e vivido Mark, traz no filme um pouco de sua experiência, ao dizer, que os anjos e demônios estão dentro de nós, ou que qualquer substância apenas potencializa o que já somos.

Não acho que o filme é moralista, nem tão pouco faz apologia. Falar de drogas sintéticas em uma produção nacional é algo novo, e abrir um debate para alinhar e melhorar conversas entre pais e filhos, entre amigos, nas escolas ou faculdades, na sociedade é algo que pode sim ajudar. Afinal, o problema em si não é a droga, mas como ela é tratada. Um diálogo aberto é fundamental dentro de qualquer família. É assim que vou ser com meus futuros filhos.

Senti arrepios em muitas cenas, o que foi possível com a ótima trilha escolhida. Afinal não é preciso ter usado qualquer tipo de substância para se emocionar. Não é preciso de nada para sentir a batida da música ou dançar. Conheci pessoas incríveis em festas e festivais mundo a fora, vivi as maiores experiências da minha vida, amadureci com as escolhas erradas, celebrei com os amigos as vitórias, conheci gente de toda a parte, e tive vivências que mudaram a minha vida, que me ajudaram a ser uma pessoa melhor em todos os sentidos.


Toda e qualquer escolha que fazemos nos levam literalmente ao Paraíso ou ao Inferno, mas o fato de poder optar, arriscar, nos faz humanos, mais vivos e pulsantes. Afinal, como dizia Aldous Huxley; experiência não é o que acontece com um homem, é o que um homem faz com o que lhe acontece.

Paraísos Artificiais provoca, desperta, você pode gostar, você pode não gostar, mas você tem reação, e isso é importante, desperta sentimentos. O sexo também é tabu mesmo nos dias atuais, assim como as drogas, e aparece no filme diversas vezes em cenas bonitas, com ótima fotografia.

É um filme para se assistir com a mente e coração abertos, livre de preconceitos, é se entregar, deixar bater, e tirar suas próprias conclusões”.

 

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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