Entrevista: Julia Montanarini e suas criações - MISTURA URBANA

Entrevista: Julia Montanarini e suas criações

A criativa artista e designer de jóias, Julia Montanarini, é de São Paulo, e começou a trabalhar com bijuterias e acessórios. Foi em Lisboa, em um curso de joalheria que ela viu uma oportunidade em aprimorar a sua técnica. Hoje, ela tem como suas principais inspirações: as formas geométricas, ângulos retos, pontas e também o orgânico. Além das jóias, Júlia também cria quadros, desenhos em preto e branco. Ela, foi uma das artistas selecionadas para o projeto Call Parade, que transformou alguns orelhões em São Paulo, em verdadeiras obras de arte. Eu bati um papo com ela.

Fale um pouco do início do seu trabalho como designer de jóias?

Começei a mexer com bijuterias e acessórios, fazendo alargadores de fimo e montagem de bijuterias, mas comecei a sentir uma limitação no material que eu trabalhava, queria mais. Nessa época, apareceu uma oportunidade de ir morar em Portugal, e procurei um curso na áera de joalheria. Encontrei uma escolinha simpática na beira do Rio Tejo, em Lisboa, e me matriculei a distancia mesmo. Quando cheguei me encantei, e de cara me apaixonei pela joalheria.

Você morou em Portugal, estudou e hoje tem seu atelier em São Paulo?

Sim, quando voltei de Portugal, montei meu atelier na casa da minha avó, que tinha um espaço incrível para isso. E lá passei 1 ano. Até que ela mudou da casa e tive que procurar um espaço para continuar, e é onde estou hoje, no andar de cima de um brechó e bar na Vila Mariana, onde divido espaço com uma amiga que faz bolsas.

Fale um pouco das suas peças, inspirações e criações.

Minhas peças todas tem características bem particulares e conversam muito entre si, gosto de geometria, ângulos retos, pontas, e ao mesmo tempo gosto do orgânico, existe uma mistura. Eu pesquiso, tenho minhas referências. Os ângulos surgem na minha cabeça e eu expresso, às vezes eu pego aprata e rola um formato naturalmente.

As suas viagens pelo mundo, te ajudaram no processo de produção de suas peças.

Vi muita coisa em minhas viagens, principalmente pessoas diferentes com adornos diferentes, eu amo adorno, acho que é a expressão tribal de cada ser se adornar, trazemos isso dos nossos antepassados.

Você não cria somente jóias, mas também desenhos, quadros. Fale um pouco dessas criações.

Pois é, eu sempre desenhei, em alguns momentos mais, outros menos. Passei anos sem desenhar nada, e de uns 2 anos pra cá, comecei a desenhar um estilo super geométrico e simétrico, somente em preto e branco, e é um desenho anatômico, por isso muitas pessoas me perguntam se eu sou tatuadora. Ainda não, mas gostaria de um dia aprender. Estou fazendo quadros, e pretendo fazer uma exposição em breve.

Você foi uma das artistas selecionadas para o projeto no Brasil Call Parade, que transformou simples orelhões nas ruas de São Paulo, em verdadeiras obras de arte. Qual foi a sua criação?

Fiquei sabendo do projeto no fim das inscrições, uma amiga artista plástica me disse que estava aberto ainda para quem quisesse participar. Nunca tinha participado de nenhum concurso ou algo assim. Me animei. Eu não costumo planejar nada quando começo um desenho, eu sento, olho o papel, escolho pego a caneta e começo, quando eu vejo, saiu algo que tem tudo a ver com o momento, é sempre muito especial. Então eu sentei, e comecei a desenhar o orelhão, em uma folha sulfite, com o modelo que eles colocaram no site para os artistas. Era um orelhão de frente, um de lado e um de costas. Quando soube que tinha sido selecionada fiquei muito feliz, foi uma oportunidade nova de pintar algo diferente do papel. E o orelhão foi um desafio, quando me deparei com ele, frente a frente, daquele tamanho, redondão, para fazer toda a simetria que eu tinha planejado, pensei:” Meu Deeeus, e agora? Não vai dar.”,  mas a conexão aconteceu, e cada dia surgia algo lindo, demorei 2 semanas para finalizar, pintei umas 3 horas todos os dias, usei quase 20 canetas permanentes.

Acha que desenhar é um dom ou é técnica?

Eu fiz alguns cursos de desenho quando era mais nova, também cheguei a cursar moda na Santa Marcelina por 2 anos, então sempre tive em contato com arte. Uma professora uma vez disse em aula que todo mundo nasce sabendo desenhar, mas quando somos crianças sofremos traumas, de professores, pais, que censuram a nossa liberdade expressiva. Eu acredito nisso, mas também acho que alguns nascem com mais facilidade que outros, mas acho que treino é tudo nessa vida, quando fazemos algo todo dia, e nos dedicamos aquilo, a evolução acontece.

Por fim, deixe seus contatos.

Tenho um site que vocês podem conferir algumas de minhas jóias e também minha página no Facebook, onde sempre divulgo os desenhos que saem do forno.

 

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Natt Naville

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Natt Naville é jornalista e gosta de tudo que envolve o universo da comunicação. Entre palavras e histórias: Música. Música para tocar, para ouvir e dançar. Editora do Mistura Urbana, gosta de criar, recriar e se reinventar. Vive no paraíso azul da Grécia.

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