dezaine? - MISTURA URBANA

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Recentemente assisti ao filme nacional 2 Coelhos, deste ano. A história acontece na minha cidade, o personagem principal, Edgard, é A CARA (roupa, cicatriz, jeito de falar) do meu irmão, o vilão é da Mooca – meu bairro de coração, o filme é bem diferente do que costumamos encontrar no “cinema brasileiro” em montagem e roteiro e cheio de referencias do mundo dos quadrinhos e de cineastas legais. Recomendo a sessão! E o melhor: tem a musa Alessandra Negrini <3

Mas não é sobre o filme que eu quero escrever, o filme foi apenas o estalo que me faltava sobre um apecto da minha geração: o design. O protagonista, logo no começo do filme se apresenta como designer, é gamer e viciado em pornografia na internet. Várias cenas do filme são em animação 3D, similares ao jogo GTA e nelas, Edgar barbariza pelas ruas de Miami a bordo de um conversível.

Não apenas no cinema, zapeando os canais de TV é impressionante a quantidade de programas voltados ao design, seja ele de móveis, convites de casamento, bolos, roupas ou livros. No Tumblr e Pinterest a febre das paletas de cores não correspondem ao sofrimento que é produzir a própria escala Pantone com guache na faculdade. Boa parte das pessoas que eu conheci aleatóriamente na internet são designers ou trabalham com comunicação. As revistas voltadas ao público adolescente há uns bons 7 anos já dão muita visibilidade aos cursos de design de moda e artes. O graffiti está nas ruas e o Brasil faz sucesso com isso. Big Bang Theory fez meros alunos do fundão a colecionarem gadgets e toy art.

Paletas de cores são febre no Tumblr e Pinterest

Pensando em tudo isso tive a idéia de escrever sobre experiências nessa vida de designer, que embora pareça super descolada, cheia de tatuagens e tênis transados (sempre quis usar essa palavra), a profissão também é cheia de percalços e altos e baixos. Principalmente por não ser regulamentada. Não tenho objetivo de cagar-regras ou criar o “Guia do Politicamente Incorreto do Mundo do Design”, sem grandes pretensões, só quero ajudar quem quer está começando e daqui um tempo pode acabar trabalhando comigo em algum lugar. Nunca se sabe…

Mesmo não valorizando as idéias enlatadas de “carreira de sucesso” e “profissional bem sucedido”, por muito tempo pensei em escrever sobre minhas experiências profissionais a fim de ajudar os designers padawans que dão os primeiros passos nesta carreira-de-ninguém mas relutei, por medo de “queimar o filme” diante dos possíveis empregadores e parceiros profissionais. Relutei até perceber que este medo é uma das ciladas mais manipuladoras do mercado contra o proletariado do Photoshop, que não tem profissão regulamentada. Livre de receios, uma vez que não direi nenhuma inverdade e preservarei a identidade de pessoas físicas e jurídicas, vamos ao primeiro assunto que é exatamente sobre este tal medo citado acima: a queimação de filme. MITO? VERDADE? Profissional queimado no mercado existe, sim, mas existe muito mito sobre isso. E existe um nome pra isso de “queimar filme”: ética profissional. Existe médico carniceiro, existe advogado porta de cadeia e existe também o sobrinho designer (leia-se: micreiro).

O bom profissional cumpre os prazos que promete. Se você atrasar uma entrega vai queimar seu filme com aquele cliente que pode ter muita influencia, no mínimo você perde um cliente. Se você plagiar uma idéia, copiar ou roubar o trabalho alheio vai queimar seu filme também e pior: com todo mundo que ver seu portfolio. Outra coisa que queima filme certamente é desqualificar toda a categoria profissional cobrando R$ 300,00 pra fazer um site e sair dizendo que é designer. Assim como responsabilidade com prazos, responsabilidade com os demais profissionais é importante, conheça algumas tabelas de referência aqui, aqui e aqui. Nem sempre os valores da tabela correspondem à realidade do job e nem estão atualizados para 2012. Pesquise vagas e veja quanto estão pagando por mês para designer em diversas etapas da carreira, procure entender onde você se encaixa nesses níveis de experiência e calcule sua hora de trabalho de acordo com o valor do salário mensal. É um bom jeito para começar a cobrar por seus serviços mas cada um acaba descobrindo o cálculo mais adequado ao seu perfil, só não vale apelar e queimar o filme de todos os designers trabalhando por pizza.

Agora, se seu empregador usa as palavrinhas mágicas “queimar filme” para te fazer ter responsabilidades muito além do que vocês combinaram, sem retorno, e acrescenta um “não tá disposto vai embora que amanhã tem dez na porta querendo seu lugar”, amigo, se agiliza e VAZA. O primeiro a valorizar o seu tempo e seu trabalho deve ser você. Se o cara fala uma coisa dessas a empresa dele é que não é um bom lugar para trabalhar e essa não será a única exploração a qual você será submetido. É só um exemplo do que este “queimar filme” pode significar. Ser explorado em silêncio por ter medo do que podem fazer com sua carreira já é prejudicar sua carreira. Seja bom no que faz e valorize isso. ;)

E por enquanto é isso. Até as próximas dicas em 72 dpi!

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