Salvador - Cidade Alquímica - MISTURA URBANA

Salvador – Cidade Alquímica

Um filme para tentar entender Salvador. E todo o espanto que esta cidade me trouxe:

A escultura no canto do museu da cidade é de um ser humano. Cabisbaixo, tenso, rude – como o concreto de que é feito.
Um homem negro com mãos e pés presos por uma armadilha de metal que o imobiliza completamente.
Nada na vida me comoveu mais do que tocar aquela cabeça cabisbaixa de concreto. Acariciei aquele rosto e pedi perdão por todos meus antepassados assassinos.

Pedi perdão e me espantei vendo o ferro contendo os movimentos daquele corpo.

Quanta liberdade não deveria haver nele? Só um ser muito livre assusta o suficiente para que imbecis poderosos o queiram totalmente imobilizado.
É tocando neste corpo simbólico que eu entro em Salvador. É entendo as amarras e a liberdade que piso este chão.
Penso, vejo nas ruas, no carnaval, nas ruelas e nos eventos quanto a primeira pólvora disparada há mais de 5 séculos que dizimou os seres desta terra ainda circula pelas nossas veias e avenidas.

Vejo o quanto a primeira pólvora e toda opressão se mantêm nas novas ferramentas de metal, nos cordões que separam brancos e negros no carnaval, nos discursos, nas obrigações. O racismo do século XXI é quase alquímico. Transformou o metal dos grilhões do século XVI em um discurso diluído, que permeia quase tudo.
Cidade Alquímica é mais um filme da série do projeto Cidade Imaginada que investiga as cidades e as transformam em matéria-prima de criação artística.

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