Veneno ou remédio? - MISTURA URBANA

Veneno ou remédio?


Quero compartilhar o trabalho de dois artista que têm chamado muito minha atenção. O primeiro é o Rage, que tem transformado as ruas de São Paulo em palco para suas intervenções cheias de humor e crítica. Rage utiliza o remédio como uma metáfora potente para expor nossa obsessão coletiva pelos medicamentos e apontar os “princípios ativos” que faltam na nossa vida geralmente sedentária e solitária.

Rage transforma caixas de luz das ruas em embalagens para seus remédios para nossa hipocrisia de todo dia. Além das caixas de luz, o artista tem utilizado formatos menores. O tamanho diminuiu, mas a navalha crítica continua afiada. É só ver este vídeo que ele preparou com a ação realizada no dia de finados para entender porque estou afirmando isso.

 

A outra artista que tem chamado minha atenção também utiliza a indústria farmacêutica como alvo e suporte. É a Viviane Gueller, que desenvolve um trabalho chamado “Elemetal”. A grande surpresa da obra está guardada dentro da caixa de remédios, mas isso eu não vou contar. Tem que ver e manipular um “Elemental” para entender. Mas, para matar um pouco a curiosidade, a artista explica um pouco do que o trabalho propõe:

“Em Elemental, o antídoto é o corpo humano misturado à natureza, sangue + seiva; quimera. No encontro inusitado entre a caixa de remédio e a imagem, há uma articulação, um diálogo, restituindo uma nova dimensão aos elementos texto, imagem”.

Fica a dica destes dois artistas para prestarmos atenção. Sinto que vem das ruas ou de outros espaços menos institucionais – vem de uma geração que faz arte porque necessita – um sopro de vitalidade para um lugar muitas vezes pernóstico que costumamos chamar de arte. Viva Rage, viva Viviane Gueller e todos os artistas corajosos.

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  1. […] Rage Art. Para quem não conhece, já falamos dele aqui no mistura urbana algumas vezes (1ª, 2ª, 3ª). Ele acabada de lançar sua loja virtual, onde é possível sentir a inquietação e humor […]

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