respirando veneza - MISTURA URBANA

respirando veneza

“Ninguém vai de Santa Lúcia à Praça São Marcos sem se perder algumas vezes”. Era o que diziam os recepcionistas do hotel onde parei, com meu irmão, em Veneza Mestre. O mesmo afirmava os guias turísticos e os poucos italianos que andavam pelas ruas da cidade, em um frio de 5ºC.

Mas decidimos arriscar. Para quem tinha enfrentado o inverno alemão e o seu incompreensível idioma por uma semana, conhecer Veneza não poderia ser uma missão tão impossível assim. Pegamos um ônibus que passava próximo ao nosso hotel e descemos na tão famosa Estação Santa Lúcia, munidos apenas de uma mochila com um mapa, uma garrafa de água e uma caderneta com rápidas anotações do que gostaríamos de conhecer.

Quando chegamos ao centro, a primeira impressão foi de deslumbramento. Precisamos ficar estáticos por alguns minutos sobre a Ponte de Rialto, apenas olhando e entendendo a magia de Veneza. Depois, a vontade foi de descobrir. Conhecer tudo da cidade, sem pressa, mas com intensidade.

Iniciamos a nossa caminhada. Sem rumo certo, somente andávamos pelas pontes, subíamos e descíamos suas escadas. Precisávamos pisar no chão de cada pequena ilha. E, assim, fomos seguindo. Seguindo. Seguindo. Com pausas para admirar as marcações da nossa agenda, que aos poucos íamos encontrando: o teatro La Fenice, o palácio del Bovolo e as milhares de máscaras à venda pelas lojas.

Depois de conhecer uma fábrica de murano onde vimos parte do processo de fabricação, nos deparamos com uma placa que dizia “Piazza di San Marco”, acompanhada de uma seta. O espanto foi unânime: “estamos no caminho certo”. A partir de então, apenas seguimos as placas seguintes, até que, finalmente, chegamos à imponente praça.

Bares, restaurantes, lojas. Tudo havia ali. Com nossa agenda em mãos, vistamos a Basílica de São Marcos, igreja mais famosa de Veneza. Tínhamos anotado somente que o local era sede da arquidiocese católica romana da cidade desde o início do século XIX e, também, uma bela referência da arquitetura bizantina. Após a visita, as nossas anotações renderam pouco mais de cinco páginas, com explicações desde a fundação de Veneza, em 421, seu símbolo, um leão alado, e detalhes específicos, como história e arquitetura.

Já era noite quando saímos da Basílica. Fizemos o caminho contrário, da Praça de São Marcos à Estação Santa Lúcia e, de trem, voltamos ao hotel. Não fomos dormir tarde. No outro dia acordamos antes do sol nascer e novamente repetimos o caminho. O que importava agora era descobrir o que as pequenas ruas escondiam. Neste segundo dia aceitamos caminhar sem mapa, apenas olhando e admirando. Andar pela cidade sem se perder já não era a questão. Tudo valia se, no fim do dia, alcançássemos a sensação de ter vivido Veneza.

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