O lixo que ninguém se lixa - MISTURA URBANA

O lixo que ninguém se lixa

O Brasil está um lixo. Não, não me refiro, neste caso em particular, ao Governo. Mês passado já dei muito a cara em manifesto político contra a corrupção na minha cidade. O lixo que me refiro não tem conotação – pelo menos total – ao que venho a indignar-me. Que o Brasil nunca foi um país “politicamente” educado, já se sabe, mas a situação parece agravar-se quando a insatisfação com relação ao governo aumenta.

Uma das coisas que mais me revolta no Brasil é sua imundice. O jargão criado por brasileiros de que “sou pobre mas sou limpinho” não colou para o Brasil. Não sei de onde tiraram isso. O Brasil não é limpinho, é bem sujinho, ponto!

Odeio que me entreguem papéis no trânsito. Êta publicidade porqueira.. Piora com as eleições. Político além de trambiqueiro é sujismundo. Faz questão de mostrar ao eleitor como vai ser sua gestão quando for eleito: uma porcaria.

Mas isso é o de menos. Pior que a porcalheira dos políticos que, pelo menos só acontece nas campanhas, é o que acontece no dia a dia do cidadão brasileiro. Fico indignada com a cara de pau de pessoas que fazem seu “lanchinho” no carro e metem o lixo pra fora dele. Assim, na maior. Para todos ao redor verem. Alguns vão além. Passam na frente de lixos, andam dois metros e arremessam o papel do sorvete na sarjeta. Como não se constrangem?

Fiquei bem desanimada em relação à Noronha quando fui conhecer esse belíssimo arquipélago no Nordeste do Brasil em 2001. Lá eles pegam pesado em relação à preservação, a ilha é restrita à apenas 400 pessoas e paga-se uma taxa salgada por dia para permanecer na ilha. O mínimo que eu esperava era um lugar extremamente limpo. Ledo engano. Pelas trilhas, observei indignamente restos de lixo da burguesia pobre brasileira.

Cansei de ouvir estupefata de “apátridas”, que só são patriotas quando se referem a carnaval e futebol, que jogam descaradamente o lixo na rua porque “pagam para limparem”, demonstrando claramente sua superioridade e indiferença ante o lixão que é o Estado, como se isso “aliviasse” de certa forma a consciência por pagar os gordos impostos ao Tesouro. Quanta burrice.

Não gostar de política ou de políticos nem estar se lixando para o Governo é problema de cada um. Pelo menos que não encham a boca para falar do que desconhecem. Acredito que o Brasil só vai sair dessa miséria e pobreza se a mentalidade dos “cidadãos de papel” – como escreveu Gilberto Dimenstein, acelerar num ritmo maior que a própria economia do país.

O cidadão brasileiro não conhece e não sabe exigir seus direitos, tanto como não sabe claramente seu papel na sociedade. Se soubesse não deixaria para o catador de papel uma função que é sua! Não é sufocando o país em lixo que vamos revolucionar 200 anos de atraso. Não é esperando o Governo fazer sua parte que vamos começar a nos preocupar com questões ambientais e sociológicas.

Que o Governo tem inúmeras falhas todo mundo já sabe, agora, o mínimo que podemos fazer para mostrar civilização e inteligência ante à um Governo que nos trata como idiotas não conseguimos fazer, que é eliminar o lixo “daqui de baixo” para começarmos a limpar juntos – Estado e sociedade – o lixo lá de “cima”. Já está mais que na hora do povo brasileiro começar a se lixar para esse tipo de lixo também.

 

 

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