Especial: Uma viagem pela psicodelia em 50 discos - MISTURA URBANA

Especial: Uma viagem pela psicodelia em 50 discos

Estava pesquisando bandas psicodelicas dos anos 60 e 70 e acabei encontrando um blog muito interessante e, nele, encontrei esse artigo. Resolvi dividir com vocês. Boa viagem!

O período mais criativo de toda a História do Rock ocorreu entre os anos 60 e início dos 70. Primeiro, tivemos o apogeu da geração hippie e do flower power. Foi um período incrível para o rock mundial, sendo o embrião para tudo o que viria nas décadas posteriores: punk rock, heavy metal, reggae, disco music, hard rock, glam rock e por aí vai. Todos esses gêneros encontram nos anos 60 seu principal abrigo, entre bandas inovadoras, ousadas, libertárias. O ano de 1967 costuma ser considerado o melhor da História do Rock, e não é para pouco: tivemos as estréias em disco de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Pink Floyd, Grateful Dead, The Doors, Canned Heat, Bee Gees, Velvet Underground, entre outros. Tivemos ainda lançamentos cruciais como “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” (The Beatles) e “Days of Future Passed” (Moody Blues), cujo impacto desses trabalhos na cultura popular seria sentido durante gerações.

A idéia desta lista é resumir a grande transformação que o rock atravessou entre 1966 e 1970. Da psicodelia; do uso de drogas como maconha e LSD como principais fontes de criatividade; do momento mágico chamado Woodstock; até da chegada do Heavy Metal pelas mãos do trio Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple, fato esse que soterrou a alegre psicodelia para mostrar que os anos 70 seriam muito mais sombrios. Não é uma lista definitiva, é apenas uma singela homenagem a essa época imortal.
1966
01 The Rolling Stones – Aftermath

Os álbuns dos Rolling Stones lançados antes de 1967 sofreram bastante com a sacanagem das gravadoras Decca (Reino Unido) e London (Estados Unidos). Cada gravadora lançava uma edição do LP diferente da outra, e quando eu digo diferente, entenda-se por músicas diferentes e ordem de faixas diferente. “Aftermath” não ficou para trás: a versão inglesa contava com 14 faixas, enquanto a americana contava com 11 faixas, acrescida do single “Paint it Black” (um dos maiores clássicos da banda), não presente na edição britânica. Mesmo esses desacordos idiotas não tiram o brilho de “Aftermath”. Apresenta uma sonoridade forte, cujas raízes blueseiras se trombam com os primeiros flertes com a psicodelia. “Mother’s Little Helper”, “Lady Jane”, “Stupid Girl” e “Under My Thumb” são clássicos eternos. Este seria o ponta-pé inicial para a maior viagem musical dos Stones, “Their Satanic Majestic Request”.
02 The Beach Boys – Pet Sounds

O único álbum de rock a bater o incensado “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, em diversas listas espalhadas pelo mundo. Um disco impecável, cujas elaboradas harmonias vocais parecem ser cantadas por anjos. O malucão Brian Wilson (líder da banda) não poupou criatividade e mesclou sinos de bicicleta, órgãos, cravos, flautas, teremim, apitos de cães e mais um monte de viagens. Considerado primeiro disco de Art Rock da História, ou seja, rock em forma de arte no sentido adjetivo da palavra. Ouça a “Wouldn’t Be Nice?”, “That’s Not Me”, “Sloop John B”, “God Only Knows” e “Caroline, No” e sinta-se nas nuvens. Se os anjos tivessem uma banda de rock, provavelmente soaria como “Pet Sounds”.
03 Bob Dylan – Blonde on Blonde

Primeiro disco duplo da História. Dylan, então aos 25 anos, se mostrava cansado da velha fórmula folk dos demais trabalhos. Convidou como apoio uma banda de rock e trocou o violão pela guitarra elétrica, enfurecendo os fãs mais puritanos. Suas letras também tomaram novas direções, deixando um pouco de lado as críticas engajadas para ganhar cores surreais. Sua música adquire então uma base concentrada, cuja melhor definição seria blues com uma levada mais forte. No repertório, muitos clássicos: “Rainy Day Women #12 & 35”, “I Want You”, “Just Like a Woman” e “Absolutely Sweet Marie” formam apenas a ponta do iceberg.
04 The Beatles – Revolver

Música barroca, experimentalismo e música indiana cravam a nova base sonora dos Beatles. Marca o distanciamento definitivo da adolescência da Beatlemania, em contraponto com a vontade do quarteto de Liverpool em atingir novos (e ousados) objetivos dentro de sua arte. Da primeira experiência com LSD de John Lennon e George Harrison surge “Yellow Submarine”, cantada por Ringo Starr. Há singelos agradecimentos à maconha em “Got to Get You Into My Life”; e ao traficante particular do grupo em “Dr. Robert”. Harrison, envolvido pela música transcendental, assina e canta a maravilhosa “Love You Too”, repleta por cítaras plugadas em amplificadores de guitarra. Mas nada, porém, supera o fechamento arrasador com “Tomorrow Never Knows”: instrumentos gravados ao contrário, efeitos sonoros perturbadores e John Lennon declamando um trecho de “O Livro dos Mortos”. Primeira grande obra-prima da música psicodélica, provou que o rock n’ roll podia muito bem se acoplar à poesia e à arte como um todo.
05 Donovan – Sunshine Superman

Donovan é um cantor britânico que fez muito sucesso entre 1966 e 1969, tendo sua imagem de hippie maconheiro erguido como símbolo dos anos 60. Amigo próximo dos Beatles (tendo sido um dos pouquíssimos a colaborar em algumas canções dos besouros), o cantor se lançou na psicodelia com este grande disco. Após dois álbuns tipicamente calcados no folk, Donovan chamou uma banda de rock e incluiu cítaras e outros instrumentos inusitados para acompanhá-lo em sua nova viagem. A faixa-título é um clássico absoluto, bem como a chapada “Legend of a Girl Child Linda” (“Vou trazer-lhe maçãs de ouro e uvas feitas de rubis/ Que brilharam nos olhos de um príncipe da brisa/ Cascata de brilhantes cristais que dançavam nas dunas/ Na praia de nenhuma pegada”). Com a chegada do punk rock no fim dos anos 70, a crítica passou a massacrar a imagem hippie de Donovan, que nunca mais conseguiu alcançar o mesmo brilho de seus primórdios dias. Com a chegada dos anos 90, porém, sua carreira ganhou novo impulso com um grande revival.
06 13th Floor Elevators – The Psychedelic Sound of 13th Floor Elevators

Lançado em novembro de 1966, o álbum de estréia do 13th Floor Elevators foi lançado tendo como propaganda o slogan “O 1º LP de rock a usar a palavra ‘psicodélico’ no título”. Infelizmente, a propaganda não deu muito certo: The Sonics (“Psychedelic Lollipop”) e The Deep’s (“Psychedelic Moods”) brigam pelo mesmo título. Mas, o 13th Floor Elevators tinha uma coisa que nenhuma outra banda tinha: o jarro elétrico. Isso mesmo, a banda norte-americana tornou-se notória por usar esse instrumento nada convencional, que originalmente era usado na década de 1920 por grupos jug, como Cannon’s Jug Sompers, obviamente sem ser plugado em amplificadores. O sucesso do 13th Floor Elevators foi muito pequeno, e apenas “You’re Gonna Miss Me”, presente neste ótimo trabalho, conseguiu entrar nas paradas.
07 Buffalo Springfield – Buffalo Springfield

O Buffalo Springfield teve vida curta e apenas três álbuns gravados, mas serviu para lançar os nomes de Neil Young e Stephen Mills. É deste disco a histórica “For What It’s Worth”, que acabou virando uma espécie de hino para os soldados norte-americanos na Guerra do Vietnã, muito por causa de sua emblemática letra (“Alguma coisa está acontecendo aqui/ O que é isto, não está claro/ Ali tem um homem com uma arma/ Me dizendo que tenho que estar alerta/ Eu acho que é hora de pararmos/ Crianças, que som é aquele?/ Todos olham o que está acontecendo”). Psicodelia das boas, camuflada por muito folk elétrico, country e vaudiville.
1967
08 The Doors – The Doors

Os Doors vieram para mostrar o lado negro da psicodelia, introduzindo a ferocidade de Jim Morrison, 1º roqueiro a ser preso em palco. Suas poesias eram transgressoras, verdadeiras obras-primas que ajudaram a redescobrir a genialidade dos poetas Artur Rimbaud e William Blake (aliás, o nome The Doors veio de uma poesia de Blake). Incesto, violência, medo, traição, morte, drogas, sexo: temas tabus foram apresentados de maneira visceral, pela banda de rock mais polêmica dos anos 60. Fora o hino “Light My Fire”, que sacudiu a ensolarada San Francisco (Estados Unidos), berço de todo o rock psicodélico, o restante do disco de estréia dos Doors despenca escuridão abaixo. O clímax acontece em “The End”, quando Jim Morrison, possuído por um xamã, declama: “Pai – Sim, filho – Eu quero te matar/ Mãe, eu quero… te foder a noite inteira”. Ao vivo, isso levava os fãs à mais completa insanidade e as autoridades ao mais completo desespero.
09 Jefferson Airplane – Surrealistic Pillow

Primeiro disco psicodélico de sucesso a sair de San Francisco. Sua fusão de folk e rock era muito original na época, e o Jefferson Airplane configurou uma revolução sonora ao lado de outros pioneiros, como The Mamas and The Papas, The Byrds e até mesmo Bob Dylan. Marca a estréia da vocalista Grace Slick, então com 28 anos de idade. De voz misteriosa e presença fascinante, Slick ajuda canções como “White Rabbit” e “She Has Funny Cars” terem a veia viajante necessária. Em outras ocasiões, sua voz soa explosiva, como no hit “Somebody to Love”, responsável por levar mais de 250 mil jovens ao delírio no festival de Woodstock. Uma pedra essencial para se entender a contracultura dos anos 60.
10 The Velvet Underground & Nico

O artista Andy Warhol, nome mais popular do movimento Pop Art, era grande amigo dos integrantes do Velvet Underground. Sua amizade acabou influenciando neste primeiro álbum da banda comandada por Lou Reed. Primeiro, Warhol assinou a famosa capa da banana; depois, a contragosto dos demais integrantes, “obrigou” a aceitarem a cantora Nico. O Velvet Underground definiu como iria soar o rock alternativo que tanto influenciaria Pixies, Sonic Youth (um dos maiores pupilos), Nirvana e toda a geração que surgiria entre os anos 80 e 90. Algumas de suas canções mais emblemáticas são longas, experimentais e extremamente barulhentas – como nenhuma outra banda havia soado até então.
11 Grateful Dead – Grateful Dead

Logo em sua estréia, o Grateful Dead foi idolatrado em sua terra natal, San Francisco. Foi gravado em apenas quatro dias no Studio A em Los Angeles, tendo a produção assinada por David Hassinger (“Surrealistic Pillow”, do Jefferson Airplane). Blues rock seco, com muitas guitarras estridentes e refrões animados. “Beat It On Down The Line” nos transporta ao rockabilly dos anos 50; “Good Morning, Little School Girl” é um blues malicioso e manso; enquanto “Cream Puffy War” é bastante quebrada. O maior destaque vai para a viajante “Viola Lee Blues”, em que o grupo se rende ao psicodelismo lamacento do blues, provocando nossos ouvidos por mais de dez minutos de puro improviso. Para se ouvir de olhos fechados e só curtindo uma brisa.
12 Country Joe & The Fish – Electric Music for the Mind and Body

O Country Joe & The Fish foi uma banda que tornou-se conhecida pelos fortes protestos contra a Guerra do Vietnã, entre 1966 e 1971. “Country Joe” era um nome popular para Joseph Stalin na década de 40; enquanto “The Fish” refere-se a uma famosa frase de Mao Tse-Tung (“O verdadeiro revolucionário se move através dos campos como o peixe através da água”). Para embalar o lado politizado, a música de “Country Joe” MacDonald e Barry “The Fish” Melton recai sobre muitas viagens de ácido que resultaram em apresentações lesadas, como as de Fillmore, Avalon e Woodstock. Canções como “Section 43”, “Grace” e “Not So Sweet Martha Lorraine” viraram febre através de pioneiras estações de rádio de rock progressivo, como KSAN e KMPX, em San Francisco.
13 The Jimi Hendrix Experience – Are You Experienced?

Freqüentemente considerado o maior disco de estréia da História do Rock. O mundo parecia preparado para a profunda revolução que Jimi Hendrix iria perfurar na música ocidental. Após três singles de muito sucesso em 1966, “Are You Experienced?” foi lançado e prontamente aclamado por crítica e público. No Reino Unido, chegou ao 2º lugar nas paradas, atrás apenas de “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Para embalar seu sucesso, o mundo ainda assistiu à explosiva performance de Hendrix no Festival Pop de Monterrey (o mesmo em que Janis Joplin igualmente se consagrou), em que o guitarrista ateou fogo em sua guitarra e promoveu uma ensandecida destruição de seu instrumento. Estava claro que, junto com Jimi Hendrix, surgia um novo tipo de rock. Criador do wah-wah, da distorção e da microfonia como conhecemos hoje, Hendrix elevou para sempre a guitarra como símbolo maior do rock n’ roll. Indiretamente, abriu as portas para o surgimento do heavy metal, do proto-punk e do hard rock, gêneros conhecidos pelo uso (e abuso) de guitarras distorcidas.
14 The Beatles – Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band

Álbum musical mais influente do Século XX, “Sgt. Peppers” trouxe toda uma nova gama de técnicas de gravação, idéias, harmonias e musicalidades. Era o que faltava para deslanchar a geração hippie mundo afora, tornando-se o maior símbolo dessa criativa época. Primeiro disco conceitual de todos os tempos, o disco levanta a atmosfera de um circo regado a maconha e LSD, e cada integrante encarna um personagem diferente. Paul McCartney encarna o Sgt. Peppers do título. Ele abre o disco com a poderosa faixa-título para, em seguida, apresentar ao público Billy Shears (Ringo Starr), que emenda a clássica “With a Little Help for My Friends”, regravada um ano depois pelo vozeirão de Joe Cocker e tendo entrado como música-tema do seriado “Anos Incríveis” (1988-1993). John Lennon encarna o sarcástico Mr. Kite, enquanto George Harrison surge como uma espécie de guru indiano, perpetrando mais uma de suas belas canções transcendentais (“Within You Without You”). Todas as canções se interligam, mesclando euforia (“Getting Better”) e melancolia (“She’s Leaving Home”). O encerramento fica por conta da épica “A Day In Your Life”, cuja letra fala sobre a real história de um rapaz que se matou dentro de um carro. Seu final apoteótico, apoiado por uma orquestra de quase 100 músicos, é como “uma tumba se fechando”, como descreveu um famoso crítico britânico.
15 The Youngbloods – Get Together

Na introdução de “Territorial Pissings”, do Nirvana, ouve-se o baixista Krist Novoselic cantarolando “C’mon people now/ Smile on your brother/ Everybody get together/ Try to love one another right now”. Muitos ficaram sem saber de onde Novoselic tirou frase tão Paz & Amor. Pois a resposta está neste álbum do The Youngbloods, banda de folk psicodélico que causou um pequeno tremor no fim dos anos 60, para logo em seguida sumir do mapa. “Get Together”, a música, foi um hino à fraternidade mundial, tendo aparecido em diversos filmes desde então. Em 2001, após os atentados terroristas ao World Trade Center, a empresa de mídia Clear Channel Communications, incluiu a pacífica música na lista das canções “liricamente questionáveis”, sendo (injustamente) boicotada de mais de 1.200 estações de rádios pelos Estados Unidos.
16 The Turtles – Happy Together

Por mais que os caras do The Turtles queiram, seus nomes estarão para sempre relacionados ao estrondoso sucesso comercial da canção “Happy Together”, obviamente presente neste disco. Até então bastante desconhecidos do grande público, a tal canção tirou “Penny Lane” (The Beatles) do 1º lugar da Billboard, e isso não foi pouca coisa. Seu clipe – muito chapado, por sinal – sintetizou como poucos o verão de 1967 nos Estados Unidos, tornando-se hino imediato de toda a era hippie. De lá pra cá, pudemos ouvi-la em mais de 20 filmes, além de ter sido regravada por mais de 30 artistas diferentes – de Weezer a Britney Spears. Mas “Happy Together”, o disco, traz muitas outras surpresas: psicodelia das mais leves e agradáveis de ouvir, músicas alegres, refrões apoteóticos, descaradas influências de Beatles. Existe uma divertida cinebiografia sobre o grupo, chamada “Meu Jantar com Jimi”, lançado por aqui em 2005. É uma boa para conhecer a história e a obra dos Turtles.
17 Canned Heat – Canned Heat

Estréia demolidora de uma das melhores bandas de blues rock de todos os tempos, liderada pelo gorducho carismático Bob “The Bear” Hite (1943-1981). O quarteto desenterra 11 clássicos do blues e dão um banho de lama, ácido e empolgação. Muddy Waters (“Rollin’ and Tumblin”), William Harris (“Bullfrog Blues”), Willie Dixon (“Evil Is Going On”), Guitar Slim (“The Story of My Life”) e Robert Johnson (“Dust My Broom”) são alguns dos nomes reverenciados e apresentados à geração Paz & Amor.
18 Bee Gees – Bee Gees 1st

Uma década antes de se tornarem reis da Disco Music com a trilha sonora do filme “Os Embalos de Sábado à Noite” (Saturday Night Fever), os irmãos Gibb marcaram sua estréia na gravadora Polydor afundados pela mais pura psicodelia. A capa leva a assinatura de Klaus Voormann, o mesmo de “Revolver”, dos Beatles. Teve ótimas colocações nas paradas – 7º lugar nos Estados Unidos e 8º no Reino Unido – e pelo menos duas faixas acompanhariam os Bee Gees pelo resto da vida: “To Love Somebody” e “New York Mining Disaster”. Pop colorido, festivo e repleto de temas românticos.
19 Scott McKenzie – San Francisco

Nada como estar na hora certa e no lugar certo. Scott McKenzie, nascido em 1939, iniciou sua carreira nos anos 50 e passou por diversos grupos pouco conhecidos. No início dos anos 60, teve a oportunidade de fazer parte do recém-formado The Mamas and the Papas, já que era grande amigo do musico John Phillips, vocalista e guitarrista do grupo vocal. McKenzie não topou. Nada parecia acontecer na vida do cantor de 28 anos quando Phillips escreveu para ele “San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)”, tema para promover o histórico Pop Monterrey Festival. Lançado em junho de 1967, a balada cantada por Scott McKenzie varreu o mundo. Hoje, é tido como a maior canção-símbolo do “Verão do Amor” (como costumavam se referir ao chapado verão de 1967). Mesmo com um bom trabalho em mãos, McKenzie largaria a vida de musico logo no comecinho dos anos 70, preferindo voltar ao anonimato.
20 Pink Floyd – The Piper at the Gates of Dawn

Disco de estréia, o primeiro e único a ter sido quase que inteiramente realizado sob a liderança de Syd Barrett. Ainda sem a presença de David Gilmour (que entraria no lugar de Barrett em 1968), a música do Pink Floyd nessa época primava por ser mais compacta, maluca e experimental – sem as longas viagens progressivas de quinze minutos de duração que Gilmour iria imprimir com sua chegada. As letras de Barrett ganham o charme de pequenos contos sobre faunos, gnomos, espantalhos, bicicletas e fadas. O nome do álbum foi retirado do conto infantil “O Vento nos Salgueiros”, de Kenneth Grahame, escrito em 1908. Dentre os clássicos presentes, estão as eternas “Astronomy Domine”, “Lucifer Sam”, “Interestellar Overdrive”, “The Gnome” e o single “See Emily Play”, esta última presente na edição americana, cujo videoclipe varreu a Inglaterra e os Estados Unidos. Após sua traumática expulsão do Pink Floyd, Syd Barrett gravaria alguns discos extremamente experimentais (e até indigestos), feitos a base de muitas drogas alucinógenas. Seu envolvimento com LSD o levaria à loucura. Barrett permaneceu internado em um hospício durante décadas, até sua melancólica morte aos 60 anos de idade, em 2006.
21 Big Brother & The Holding Company – Big Brother & The Holding Company

A estréia em disco de Janis Joplin não poderia ter vindo em melhor hora: lançado no escaldante verão americano de 1967 (o “verão do Paz & Amor”), logo após a destruidora performance do grupo no Festival Pop de Monterrey, quando a cantora de 24 anos deixou todo mundo embasbacado. Ela foi, sem duvida, a maior cantora branca de blues em todos os tempos. Apoiada pela ótima banda Big Brother & The Holding Company, Janis berra e solta sua voz esganiçada nas sacolejantes “Down on Me” (que o Cazuza surrupiou com sua “Down em Mim”, de 1982), “Easy Rider”, “Call On Me” e outras. O massivo sucesso comercial viria, porém, em seu próximo trabalho, “Cheap Thrills”.
22 The Kinks – Something About The Kinks

O Kinks fazia um rock muito bem trabalhado e caracterizado pelos fortes temas sobre sua terra natal, a Inglaterra. Nos Estados Unidos, eles eram banidos da TV e seus discos vendiam muito pouco. “Something Else by The Kinks” acabou sendo um fracasso no Reino Unido também, mas por causa de uma coletânea lançada naquela época, “Hits 1964-1966”, que atrapalhou tudo. Os dois maiores sucessos deste trabalho – “Waterloo Sunset” e “Death of a Clown” – foram lançados como singles, atrapalhando ainda mais as vendagens. Na verdade, os Kinks só conseguiriam ver a cara do sucesso novamente em 1970, com o hit “Lola”. Ouça a “Davis Watts”, “Two Sisters” e as citadas “Waterloo Sunset” e “Death of a Clown”, grandes canções que só teriam seu devido valor reconhecido anos mais tarde.
23 Cream – Disraeli Gears

Primeiro supergrupo do rock, formado por Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker. Seu som é uma furiosa fusão de blues e rock psicodélico, baseado na guitarra viajante de Clapton, no baixo intenso de Bruce e na bateria jazzística de Baker. “Disraeli Gears” marca seu ápice criativo, cravando pelo menos três clássicos absolutos: “Strange Brew”, “Tales of Brave Ulysses” e “Sunshine Of Your Love”, esta última figurinha carimbada em 90% das bandas que se propõem a tocarem covers de clássicos do rock. Dois anos depois de seu lançamento, em 1969, o Cream se despedia com o álbum “Goodbye” (título sugestivo, não?). Eric Clapton tocou o maravilhoso solo de “While my Guitar Gently Weeps”, dos Beatles (1968), entrou para o Blind Faith e se lançou em uma bem sucedida carreira solo; Jack Bruce tocou com diversos músicos de jazz, como Carla Bley, além de participar da pirada banda Frank Zappa & The Mothers of Invention; e Ginger Baker passou pelo Hawkwind, Public Image Ltda, Masters of Reality e tocou com diversos nomes do jazz e da música clássica.
24 The Moody Blues – Days of Future Passed

Em seu segundo trabalho de estúdio, os ingleses do Moody Blues fizeram o álbum de rock mais ambicioso dos anos 60. Deixaram de lado as raízes R&B, chamaram a London Festival Orchestra, flertaram com a música clássica e a ópera erudita. O resultado foi um ótimo disco conceitual, considerado por muitos como o 1º grande trabalho de rock progressivo. O disco se concentra em 6 atos: The Day Begins (O Dia Começa), Dawn (Amanhecer), The Morning (Manhã), Lunch Break (Almoço), The Afternoon (Tarde), Evening (Anoitecer) e The Night (Noite), concentrando 11 faixas, incluindo aí faixas não listadas. Épico, intenso, fabuloso, cujo encerramento fica por conta da maravilhosa “Nights in White Satin”, um grande clássico da História do rock.
25 Love – Forever Changes

“Quando eu compus aquele álbum, eu pensei que eu iria morrer naquela hora e que aquelas seriam minhas últimas palavras”. Assim comentou Arthur Lee sobre sua obra mais aclamada. Lee, vocalista e multi-instrumentista, era figurinha carimbada bem antes de formar o Love, em 1963. Para “Forever Changes”, a banda tinha planos ambiciosos de gravação e harmonias. Chamaram o produtor Bruce Botnick (The Doors), mas com a condição de que Lee participasse de cada idéia de estúdio. “Forever Changes” é um primor, um disco a frente de seu tempo, com nítidas influências de música barroca.
26 Traffic – Mr. Fantasy

Depois que os Beatles abriram o caminho, toda banda de rock quis mostrar inovação com misturas inusitadas. Era como uma “Corrida Musical”, fazendo uma comparação com a Corrida Espacial que levaria o Homem à Lua dois anos mais tarde. Em pleno ano de maior efervescência para o pop americano e britânico, o Traffic apareceu tocando um jazz fusion originalíssimo. Lógico, a base ainda era o rock cru típico dos ingleses, mas com um sabor diferente. A formação contava com futuros astros como Steve Winwood, Jim Capaldi, Chris Wood e Dave Mason. Este é um álbum único na discografia do Traffic: é o que mais usa instrumentos como flautas, órgãos e cítaras, boa parte por causa das influências místicas de Mason. Dentre os destaques, estão “Heaven Is In Your Mind”, “Dear Mr. Fantasy” e o hit “Paper Sun”, a que melhor sintetiza a sonoridade instigante do Traffic.
27 The Rolling Stones – Their Satanic Majestic Request

Em nenhum outro album, os Rolling Stones experimentaram tanto, ousaram tanto e viajaram tanto. Gravado na África do Sul, conta com ilustres presenças como John Paul Jones (dois anos antes de estrear como baixista do Led Zeppelin) no arranjo de cordas; e os beatles John Lennon e Paul McCartney, ambos dividindo os vocais da dobradinha “Sing it All Together” e “Sing it All Together (See What’s Happen)”. A participação dos besouros deve ter calado a boca de muitas pessoas que acreditavam em uma rivalidade pessoal entre Beatles e Rolling Stones. Para provar o contrário, o quarteto de Liverpool convidaria Mick Jagger e Brian Jones a participarem da histórica apresentação via-satélite de “All You Need is Love”, no mesmo ano de 1967. Cítaras, flautas, percussão africana, trompete, trombone, piano, mellotron, órgão, harpa, saxofone soprano, tabla: foram muitos os instrumentos usados para dar vida a “Citadel”, “She’s a Rainbow”, “2000 Light Years From Home” e outros clássicos. A viagem psicodélica dos Stones duraria apenas mais o ano de 1968. Em 1971, em seu primeiro trabalho na década (“Sticky Fingers”), estava claro que os britânicos queriam voltar a tocar o puro rock n’ roll.
28 The Who – The Who Sell Out

O The Who veio na mesma leva britânica que nos trouxe Rolling Stones e Beatles. Começaram com uma mistura feroz de R&B e rock n’ roll, e foi a primeira banda a encerrar os shows destruindo palcos inteiros – fato hoje até banal no mundo do rock. Em 1967, Pete Townshend & CIA também queriam entrar na onda psicodélica. Não só conseguiram como cravaram um dos melhores trabalhos de sua geração, com “The Who Sell Out”. Álbum conceitual sobre uma rádio fictícia, onde todas as canções se interligam através de engraçadas vinhetas e propagandas diversas. “I Can See For Miles” é apenas um dos clássicos encontrados aqui. Marca o fim de uma era, já que a partir daí o The Who iria se embrenhar pelas ondas da ópera rock e de músicas mais complexas, se distanciando um pouco da porra-louquice adolescente.
1968
29 Steppenwolf – Steppenwolf

Quem não conhece “Born to Be Wild”? Hino indiscutível dos motociclistas e do rock mundial, essa música está presente neste que é o disco de estréia dos canadenses do Steppenwolf. Grande sucesso comercial, o álbum prima por um rock n’ roll primitivo e direto, sem maiores firulas. “Berry Rides Again” (homenagem a Chuck Berry), “Sookie Sookie” e “Hoochie Coochie Man” são outros petardos de destaque. Vale citar que “Born to Be Wild” e “The Pusher” acabaram entrando para a trilha sonora do clássico filme “Easy Rider” (Sem Destino), primeiro a falar sobre a geração hippie, sobre a contracultura e o primeiro a ter uma trilha sonora só com rock. Foi esse filme, aliás, que criou o gênero Road Movie, popularizou as motos Harley-Davidson e que assimilaria para sempre o Steppenwolf ao libertário mundo dos motociclistas.
30 Caetano Veloso – Caetano Veloso

Com os olhos cheios de cores, o baiano Caetano Veloso estreou solo com este álbum extremamente criativo e antenado no que melhor acontecia pelo mundo. São 12 faixas, onde pelo menos 6 delas são clássicos definitivos de sua carreira: as emblemáticas “Tropicália” (hino de todo o movimento cultural e comportamental que explodiria nesse mesmo ano), “Alegria, Alegria” (provavelmente a canção de letra mais chapada do cantor), “Anunciação” e “Superbacana”; a romântica “Clarice”; e a homenagem a Che Guevara, morto um ano antes, com “Soy Loco Por Ti, América”. Os arranjos foram assinados por Damiano Cozzella, Sandino Hohagen e Júlio Medaglia, em um grande trabalho de cordas.
31 Frank Zappa – We’re In It Only For the Money

Quando “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” causou grande impacto na cultura popular, Frank Zappa não perdeu tempo. Fez de seu “We’re it on Only For the Money” uma bomba nuclear carregada de piadas, sátiras pesadas, críticas e provocações à geração hippie e principalmente à sociedade norte-americana como um todo. Para isso, Zappa recorreu à surf music, ao doo woop dos anos 50, às piadas escatológicas do comediante Lenny Bruce, à poesia concreta e à arte vanguardista. Provavelmente, este foi o disco dos anos 60 que mais sofreu cortes e censuras: em “Who Needs the Peace Corps?”, por exemplo, a frase “Eu vou amar a Polícia enquanto eles me chutam” foi apagada. Citações como “Flower Power é uma droga!” e “Eu não vou mais fazer bolinação publicitária para você” (ambos saídos da boca de Suzy Creamcheese, personagem feminino inventado por Zappa), também foram censurados. Mas nada supera a capa do disco, parodiando a de “Sgt. Peppers”, repleto de figurinhas bizarras e freaks em geral. Polêmico, inquieto, insano: assim era Frank Zappa e sua banda The Mothers of Invention.
32 Gilberto Gil – Gilberto Gil

Este segundo disco de Gilberto Gil, tendo a colaboração dos Mutantes em diversas faixas, retrata bem as transformações que o Brasil passava na época. A explosão da Tropicália, o cinema novo de Glauber Rocha, a revolução do Grupo Oficina e a Arte Pop de Hélio Oiticica eram algumas dessas transformações. “Domingo no Parque”, presente aqui, levou o público à mais completa loucura no polêmico “III Festival de Música Popular” da TV Record em 1967, quando Gil a tocou acompanhado pelos Mutantes. As guitarras elétricas e a postura espacial da banda paulistana bastaram para uma saraivada de vaias e aplausos. Amaram ou odiaram, mas ninguém conseguiu ficar indiferente àquela canção corajosa. O restante do repertório traz clássicos como “Frevo Rasgado”, “Ele Falava Nisso Todo Dia”, “Procissão” e “Questão de Ordem”.
33 The Zombies – Odessey and Oracle

Apesar de ser o segundo disco do The Zombies, este pode ser considerado o primeiro e único “álbum de verdade”, uma vez que seu antecessor foi uma coleção de singles, uma vez que depois deste trabalho, os Zombies sumiriam do mapa até 1991. Teve suas sessões de gravação iniciadas em 1967, revezando entre os estúdios Abbey Road (Beatles, Pink Floyd) e Olympic Studios (Led Zeppelin). Para a gravação, foi utilizada uma máquina Studer de quatro canais, o mesmo tipo de equipamento de fita magnética usado em “Sgt. Peppers”, dos Beatles. Quando o disco chegou ao mercado, a banda já havia se dissolvido, mas o single “Time of the Season” tornou-se um surpreendente sucesso em 1969, fazendo a Columbia Records (Estados Unidos) relançar “Odessey and Oracle” em uma edição especial.
34 Os Mutantes – Os Mutantes

Se o ano de 1967 foi efervescente para o pop britânico e norte-americano, 1968 marcou a entrada do Brasil na psicodelia, e com a melhor banda do gênero em todos os tempos do nosso país. Roberto Carlos, o maior cantor pop de sua geração, não quis saber de entrar na onda do rock psicodélico: mandou a inocente Jovem Guarda às favas e se encheu de influências soul e R&B, iniciando uma nova fase (e a melhor de sua carreira), que iria durar até 1972. Seu companheiro Erasmo Carlos só iria cair na psicodelia três anos mais tarde, com o arrebatador “Carlos, Erasmo”, que apresentava homenagem à maconha e até flertes com heavy metal. O rock viajante ficou por conta então de novos nomes, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e o trio paulistano Os Mutantes, formado por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. Eleito um dos 50 discos mais inovadores da História pela revista britânica MOJO, a estréia dos Mutantes é uma esfuziante viagem por um universo sem precedentes.
35 Creedence Clearwater Revival – Creedence Clearwater Revival

Os caipiras do Creedence Clearwater Revival abalaram o mundo pop na virada dos anos 60-70 como verdadeiros hitmakers de sua geração. Seus shows eram verdadeiros rituais ao rock n’ roll, seu visual (camisas xadrez, jeans surrados, roupas de flanela) teria peso para o surgimento do movimento Grunge de Seattle. Suas letras falavam sobre viagens de moto, estradas empoeiradas, bebedeiras e temas recorrentes aos norte-americanos que viviam no Sul. Sua música, sempre alucinante, pegava carona no roots rock, no country, no blues de Mississippi e no southern rock. Cítaras, flautas e outros instrumentos muito usados na época não eram bem-vindos: o que John Fogerty & CIA queriam e sabiam fazer era o bom e velho rock. Este álbum de estréia traz “Suzie Q”; “Walk on the Water”; a baladona “I Put a Spell On You”; “Get Down Woman”; e “The Working Man” como maiores destaques. Seria só o início para uma carreira curta, mas devastadora.
36 The Doors – Waiting for the Sun

Como o título sugere, trata-se de um trabalho mais ensolarado que seus dois anteriores, em busca de um sol ainda escondido nas viscerais poesias de Jim Morrison. Abre com as românticas “Hello, I Love You” e “Love Street”, mas vai adquirindo medo (“Not to Touch the Earth”); tristeza (“Summer’s Almost Gone”); e raiva (“Five to One”). Há ainda a polêmica “The Unknow Soldier”, sobre a Guerra do Vietnã, cujo videoclipe permaneceu censurado em todo o mundo de 1968 até os anos 80; a chapadaça “My Wild Love”, onde Morrison canta que seu amor vendeu a alma ao demônio; e a misteriosa “Yes, the River Knows”.
37 Big Brother & Holding Company – Cheap Thrills

Segundo e último petardo do Big Brother & Holding Company com Janis Joplin nos vocais. Foi um enorme sucesso comercial, permanecendo em 1º lugar nas paradas por oito semanas, tornando-se o disco de maior sucesso de 1968. Sua capa leva a assinatura do cartunista underground Robert Crumb, e o nome original do álbum seria “Sex, Dope and Cheap Thrills”, mas logicamente foi proibido pela Columbia Records. Gravado ao vivo no Bill Graham’s Fillmore Auditorium, ouve-se em determinado momento um copo se espatifando no chão, poucos aplausos, algumas conversas e muito fumo rolando.
38 Rock N’ Roll Circus

Para promover seu ultimo lançamento, “Beggars Banquet”, os Rolling Stones tiveram uma idéia um tanto extravagante: chamar diversos convidados especiais e gravar um especial para a TV, onde vários artistas se apresentariam em um palco de circo bastante colorido e alucinógeno. O especial para a TV acabou nunca indo ao ar, uma vez que os Stones não gostaram de sua própria performance. Originalmente lançado em DVD e CD em 1996, “Rock N’ Roll Circus” traz o show na íntegra, e é absolutamente fantástico. Contém participações de Marianne Faithfull, Jethro Tull, The Who, Taj Mahal e, lógico, Rolling Stones. John Lennon, Eric Clapton, Keith Richards e Mitch Mitchell (Jimi Hendrix Experience) formam o supergrupo The Dirty Mac, tendo como único intuito insultar Paul McCartney (o nome da banda já diz tudo). Até Yoko Ono dá as caras. Dentre as maiores curiosidades, vale citar Tony Iommi (Black Sabbath) ainda como membro do Jethro Tull. Uma alucinação musical obrigatória a todo roqueiro que se preze.
39 The Jimi Hendrix Experience – Electric Ladyland

Último album de estúdio do Jimi Hendrix Experience, e ultimo com a produção e supervisão do próprio Jimi Hendrix. Após este disco, Hendrix iria permanecer os dois últimos anos tentando montar uma nova banda e gravando uma enorme quantidade de demos e covers (daí o extenso material que rendeu e continua rendendo tantos álbuns póstumos). Lançado como um LP duplo, a capa foi imediatamente censurada por causa das mulheres nuas, e substituída por uma bem mais amena, que mostrava só o rosto de Hendrix. Das 16 faixas presentes, 13 levam a assinatura de Jimi, dentre elas os clássicos “Crosstown Traffic”, “Voodoo Child”, “Gypsy Eyes” e “House Burning Down”. Conta ainda com uma canção composta pelo baixista Noel Redding (“Little Miss Strange”); e duas covers: “Come On” (do bluesman Earl King) e “All Along the Watchtower”, do mestre Bob Dylan.
40 George Harrison – Wonderwall Music

Harrison foi o primeiro beatle a lançar um disco solo. Registrado entre dezembro de 1967 na Inglaterra e janeiro de 1968 na Índia, trata-se da trilha sonora do filme “Wonderwall”. Diversas passagens foram gravadas, porém, durante as sessões indianas que os Beatles fizeram para compor “The Inner Light”, lançada como lado B do compacto “Lady Madonna”. Harrison costura um álbum instrumental, espiritual e experimental, onde cítaras, vozes jogadas ao ar e efeitos sonoros malucos dão o tom. Não é um disco de rock, e sim, puramente de música indiana, no melhor estilo de Ravi Shankar. Em 1995, o Oasis estouraria mundialmente com sua “Wonderwall”, uma homenagem a este disco.
41 Tropicália ou Panis et Circensis

Um movimento que mesclou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais daquela época, como correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o rock e o concretismo). Antes de fins sociais e políticos, a Tropicália foi um movimento nitidamente estético e comportamental. Este é o manifesto musical do movimento liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Com todos os arranjos assinados pelo maestro Rogério Duprat, traz participações especialíssimas de Nara Leão (“Lindonéia”); Gal Costa (“Parque Industrial”, “Baby”, “Mamãe, Coragem” e “Hino ao Senhor do Bonfim”); Os Mutantes (“Panis et Circensis”, “Parque Industrial”, “Hino ao Senhor do Bonfim”); os poetas Torquato Neto (parceria com Gilberto Gil na letra de “Geléia Geral”) e José Carlos Capinam (letra de “Miserere Nobis”); e Tom Zé (letra de “Parque Industrial”). Até o seresteiro Vicente Celestino acabou fazendo parte da geléia geral: sua “Coração Materno” reviu a luz do parto pela voz de Caetano Veloso. Eleito o 2º melhor disco de todos os tempos pela revista Rolling Stone brasileira.
1969
42 Led Zeppelin – Led Zeppelin

Lançado sob o slogan “Led Zeppelin – A única maneira de voar”, o álbum de estréia do quarteto britânico é um murro na cara. Recebeu péssimas críticas quando lançado, foi um gigante sucesso comercial e hoje é reverenciado por todo mundo. Ninguém até aquele momento havia se deparado com um rock tão pesado e intenso, cujos ecos de blues e psicodelia serviam como rígidos alicerces à poderosa sonoridade. Da explosiva “Comunication Breakdown” aos urros blueseiros de Robert Plant em “You Shook Me”, passeamos por um álbum revolucionário, pioneiro no gênero que acabou tornando-se conhecido como Heavy Metal. Outros destaques: a fantástica balada “Babe I’m Gonna Leave You”; a cover para o clássico do bluesman Wilie Dixon, “You Can’t Quit me Baby”; e a viajante “Black Mountain Side”.
43 The Who – Tommy

Primeira ópera rock a ser mundialmente aclamada e enorme sucesso comercial. A riqueza instrumental não esconde a rigidez que o álbum apresenta. Toda a ópera foi composta pelo guitarrista Pete Townshed, com duas faixas creditadas ao baixista John Entwistle e uma creditada ao baterista Keith Moon. Uma mórbida curiosidade é o proeminente tema de abuso infantil que tanto causou polêmica quando “Tommy” foi lançado: Townshend disse que tais influências vieram de um disco do The Pretty Things, mas o tempo provaria ao contrário, quando o guitarrista foi preso em flagrante acusado de pedofilia, em 2002.
44 The Stooges – The Stooges

Lançado no mesmo mês em que 500 mil jovens foram ao festival de Woodstock, “The Stooges” sintetiza uma América emburrada, entediada e cansada de todo esse lance de flower power. Aos 19 anos, Iggy Pop berra, geme, reclama e vomita letras sobre o cotidiano burro de jovens americanos como ele. Musicalmente, tornou-se base para o nascimento do punk rock, influenciando Ramones, Sex Pistols, The Clash e outros que viriam na década seguinte.
45 Santana – Santana

A essência da música de Carlos Santana e sua banda no início de carreira era a improvisação. Mostraram isso no festival de Woodstock em agosto de 1969, quando saíram do palco ovacionados e com um contrato ganho. Bill Graham, empresário do grupo, sugeriu que este LP de estréia mantivesse a essência do improviso, do uso e abuso de percussões latinas, solos falados de Santana – enfim, como se fosse registrado ao vivo em estúdio. Estreou em 4º lugar na Billboard e entregou os singles de sucesso “Evil Ways”, “Jingo” e a instrumental “Soul Sacrifice”, a mesma responsável pela arrasadora performance em Woodstock.
46 Ronnie Von – A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais

Sim, você leu certo. Cansado de ser taxado de “príncipe da Jovem Guarda”, Ronnie Von mandou o bom mocismo pelos ares e se conectou ao rock psicodélico britânico e norte-americano, se reinventando de maneira genial. O carioca lançaria três álbuns de extrema importância para a música pop brasileira: “Ronnie Von” (1969), “A Misteriosa Luta…” e “A Máquina Voadora” (1970). Juntos, esses três trabalhos são verdadeiros peixes fora d’água na extensa discografia do cantor e compositor. Apresenta uma sonoridade ousada, muito pouco brasileira para os padrões da época, carregada por letras viajantes sobre universo, lendas e tudo mais que viesse à cabeça de Ronnie Von. Instrumentalmente, se aproxima do rock progressivo e psicodélico, com muitos efeitos sonoros amalucados e melodias experimentais. Uma raridade que teve seu devido valor reconhecido alguns anos atrás.
47 Creedence Clearwater Revival – Willy and The Poor Boys

O ano de 1969 foi o mais produtivo ao Creedence: foram três discos lançados, somando 26 clássicos imediatos. Para muitos, “Willy and the Poor Boys” concentra o lado mais agitado do grupo. Das dez canções presentes, sete estouraram nas rádios: “Down on the Corner”, “It Came Out of the Sky”, “Cotton Fields” (original de Ledbelly), “Fortunate Son”, “Don’t Look Now”, “The Midnight Special” (canção tradicional americana) e “Effigy”, cuja melodia lembra bastante “Hey Joe”, de Jimi Hendrix.
1970
48 Os Mutantes – A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado

Disco mais famoso dos Mutantes, apresenta em sua capa a reprodução de uma ilustração do Inferno de Dante (parte integrante do poema “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri), encenada pelos três membros da banda. Há o rock psicodélico de “Ando Meio Desligado”, uma das coisas mais chapadas já saídas do trio paulistano. Em “Meu Refrigerador Não Funciona”, Rita Lee incorpora uma Janis Joplin desiludida com seu elétrico doméstico preferido. Há um rascunho bem-humorado de heavy metal (“Ave, Lúcifer”) e até uma versão para “Chão de Estrelas”, escrita originalmente pela dupla Orestes Barbosa e Silvio Caldas. Marca o auge criativo dos Mutantes, antes de começarem os flertes com o rock progressivo do Yes e Pink Floyd.
49 Ronnie Von – A Máquina Voadora

Ronnie Von dá adeus às suas viagens alucinógenas com este instigante trabalho conceitual. Aviação e diversas referências aos livros escritos por Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”, são os temas recorrentes. Musicalmente, o músico brasileiro continua sua excursão pela psicodelia dos Beatles (que anunciariam seu fim nesse mesmo ano de 1970), com muitas guitarras, violões e canções de refrões memoráveis. Subestimado na época de seu lançamento, “A Máquina Voadora” é hoje tido como um marco histórico para a música pop nacional.
50 Grateful Dead – American Beauty

Em um dos episódios do seriado americano “Freaks and Geeks” (1999-2000), Lindsay (Linda Cardellini) pega “American Beauty” emprestado do conselheiro do colégio aonde ela estuda, um ex-hippie gente boa. Andando pelo refeitório com o LP debaixo do braço (o seriado se passa em 1980), Lindsay conhece um casal hippie apaixonado por Grateful Dead. “Eu queria poder esquecer esse disco todas as vezes que ele terminasse, para poder sentir o mesmo impacto todas as vezes que eu o ouvisse de novo”, diz certa hora a moça hippie. Essa frase é a que melhor define a beleza intricada que permeia “American Beauty”, uma obra-prima de country e folk, sonoridades que a banda de San Francisco andava experimentando desde o fim da década anterior. Impossível não gostar das belíssimas “Box of Rain”, “Sugar Magnolia”, “Candyman” e “Ripple”. Grande nome do rock psicodélico, o Grateful Dead apontava uma nova direção para qual o rock devia seguir nos anos 70. Dito e feito.

fonte: blog Viagemacores

Comments

comments

0 Comentários

Junte-se a conversa →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *