GRAFITE: A "ETERNA" POLÊMICA (ATÉ QUANDO?) - MISTURA URBANA

GRAFITE: A “ETERNA” POLÊMICA (ATÉ QUANDO?)

Grafite é sujeira? Por que é preciso apagá-lo? Por que um monumento gigantesco colocado no meio do espaço público é arte e uma pichação é sujeira?

Os grafiteiros, taggeiros, pichadores, artistas que usam a cidade são tantos. Será que eles não têm algo a dizer? Será que não é preciso entender porque eles têm tanta vontade de ocupar o espaço urbano?

Qual ideia é a base que mantém esta lógica em que a escrita transgressora do espaço público é sujeira e o monumento escolhido por um curador ou grupo de técnicos deve ser mantido? Que discurso norteia a idéia de higienização da cidade?

Por que as vozes dos pichadores precisam ser apagadas? Por que as vozes dos planejadores da cidade precisam ser as únicas que podem ser mantidas?

Que vozes querem ser ouvidas? Que vozes precisam ser desparecidas? Quem decide isso? Por que se decide isso? Será que há outras formas de interlocução? Será que não é um momento importante para entender porque os “artistas urbanos” querem tanto ocupar o espaço público? O que eles têm a dizer? De onde são? Por que eles não podem ser admitidos como seres de discurso que compõem e constroem uma cidade?

Estas perguntas ficaram nítidas para mim durante uma palestra sobre Arte Pública e Cidadania com o Dr. Antoni Remesar, coordenador do Doutorado Espaço Público e Regeneração Urbana de Barcelona. Ele foi perguntado sobre como a cidade age em relação ao “vandalismo” (entendido por quem perguntou e respondeu, entre outras coisas, como depredação, pichação e a colagem de tags em monumentos públicos). Dr. Antonio responde: com “limpeza imediata”.

Será que a pichação não é um ruído da cidade? Não é um ruído que mostra que o sistema das artes e das cidades são também excludentes de algumas vozes e vontades? Será que o ruído não existe para nos fazer pensar nas margens do sistema das artes e das cidades?

Por que é preciso limpar imediatamente o gesto de um pichador? E por que ele deve ser higienizado do espaço público para que a “arte pública” permaneça?

Para responder eu preciso citar um grande poeta urbano, um dos melhores do século XXI:


E para continuar respondendo isso recomendo uma passeada pela minha SP Residência Artística em que celebro a pichação como poesia e a reelaboro em uma série de intervenções, fotos e performances.

 

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3 Comentários

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  1. Lila Varo

    acho que as pessoas consideram a pichação vandalismo pois não tem formas e cores agradáveis para o olho como o grafite costuma ter.
    rola toda uma divisão de opiniões entre grafiteiros.. mas muito consideram a pichação arte também, afinal foi de la que muitos deles surgiram.
    A pichação de são paulo inclusive é uma das mais diferentes do mundo, seja pela altura que os caras conseguem chegar só pra taggear mas também pela fonte e forma q escrevem… vem um povo aqui pro brasil estudar isso.. outro dia ate assisti um vídeo vou ver se acho e te passo.

    Lila Varo / Responder
  2. Lila Varo
  3. Acho o grafite uma forma de arte, dependendo como é produzida, o espaço em que for produzida, ela pode dizer muita coisa. Acontece que muita gente ainda enxerga o grafite como pixe e acha que ele polui o espaço urbano e muitas autoridades ainda proibem esse tipo de arte. Alguns artistas estão com o trabalho de intervenção artística, introduzindo o grafite de uma maneira criativa e inteligente no espaço urbano o que eu acho um trabalho divertido e artístico que contribui muito para as grandes cidades. Sinceramente, é muito melhor ter um grafite em um muro abandonado do que milhares de outdoors de propagandas espalhados pela cidade…

    Claudia Junqueira / Responder

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